O mundo envelhece. Precisamos rejuvenescer conceitos.

É preciso reformular a noção de velhice associada à decrepitude, para uma fase de novas conquistas, desenvolvimento cognitivo, produção social e cultural

Mara Lúcia Madureira*

A humanidade está envelhecendo. O número de pessoas com 60 anos, ou mais, é crescente no mundo todo. No Brasil, o estigma sobre o envelhecimento, ainda, existe e reflete uma noção equivocada, associada a incapacidades física e cognitiva, improdutividade, doenças, ausência de papéis sociais e interesse sexual, solidão e dependência.

O conceito de velhice é um constructo social, temporal e contraditório. Nas sociedades ocidentais, a supervalorização do novo, produtivo e independente, em detrimento do velho, ultrapassado e fora de moda, é parte das estratégias de consumo. A mesma cultura que preconiza a longevidade e tecnologias para prevenir doenças, nega, ao idoso, seu real valor. O paradoxo é viver mais, sem envelhecer ou parecer velho.

Os estereótipos da velhice são piores do que a realidade. O preconceito é reforçado pelos próprios idosos que não se reconhecem ou se admitem velhos. Envelhecer é uma experiência exclusiva. O modo de vida implica, positiva ou negativamente, na velhice.

O uso de expressões como “melhor idade” e “terceira idade”, mascara o preconceito e nega a realidade. Envelhecer é aceitar-se e orgulhar-se dos muitos anos vividos, das conquistas e realizações.

A velhice pode e deve ser agradável e desejável.

A maioria dos idosos é saudável e independente. Doenças crônicas, na velhice, iniciam e se desenvolvem bem antes dessa fase. Alterações hormonais e mudanças no organismo são comuns, mas não significam perda do interesse ou impossibilidade de uma vida sexual ativa e gratificante.

Problemas de memória podem ser evitados com práticas contínuas de leitura, atividades intelectuais e novos aprendizados. Os vínculos de amizade são fundamentais na velhice. Um bom planejamento financeiro, na juventude, representa uma aposentadoria confortável. A saúde e o bem-estar, na velhice, dependem do modo como se vive e se administra as fases anteriores.

Envelhecer é um processo complexo de realidades próprias, não generalizáveis. Envolve aspectos biológicos, cronológicos, psicológicos, sociais e culturais. Não significa limitação ou incapacidade. Doença não é normal. Pessoas idosas saudáveis são funcionais e produtivas. O declínio cognitivo não se deve à velhice, mas, ao desuso, a doenças como depressão, abuso de álcool, medicamentos e outras drogas, à solidão e ao isolamento. Envelhecer contempla os anos vividos, a história pessoal, as condições físicas e psicossociais. Marcadores cronológicos e biológicos são relativos e subjetivos. Não há perdas na velhice, mas transformações, aquisição de saberes, evolução.

É preciso reformular a noção de velhice associada à decrepitude, para uma fase de novas conquistas, desenvolvimento cognitivo, produção social e cultural. A sociedade deve respeito e valorização ao idoso. Experiências e conhecimentos acumulados podem beneficiar aos próprios indivíduos e à sociedade. Não importa a idade, mas o que o indivíduo faz com sua existência e o como a sociedade o trata. A velhice deve ser reconhecida pelos ganhos e transformações.

*Mara Lúcia Madureira é psicóloga cognitivo-comportamental e colabora com o Casa de Mãe.

O valor econômico do inestimável

É fundamental reconhecer o trabalho de quem cuida do idoso e encontrar novas maneiras de apoiá-lo.  É o que faz a Techstar Future of Longevity Accelerator, aceleradora de negócios da longevidade, financiada por Melinda Gates

Antes de a pandemia colocar em xeque o cuidado com os idosos milhões de pessoas cuidavam de seus parentes, a maioria sem apoio adequado. Ciente disso, Melinda Gates firmou parceria – por meio da Pivotal Ventures, empresa de investimentos criada em 2015 para incentivar negócios de impacto social voltados para mulheres e famílias nos Estados Unidos -, com a Techstars, rede mundial de fomento ao empreendedorismo, para criar uma aceleradora de projetos da longevidade.

Batizada Techstar Future of Longevity Accelerator, a iniciativa nasceu com o propósito de ajudar a encontrar soluções inovadoras para os americanos mais velhos e as pessoas que os amam e cuidam deles.  Um cenário que envolve 40 milhões de cuidadores familiares. Por lá, uma em cada três mulheres baby boomers cuida de um pai ou mãe idoso.

No Brasil, os desafios não são diferentes e se tornam cada vez mais urgentes.  Aqui como lá não é novidade que cuidar ainda é uma tarefa feminina. E são majoritamente mulheres aquelas que param a vida para viver a de um outro, simplesmente por questões culturais. De modo geral, o familismo impõe a uma única mulher a responsabilidade e o peso de retribuir os cuidados recebidos na infância. Como bem descreve Júlia Rocha, médica de família, trata-se de um processo violento e doloroso.

Pesquisa da Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA mostra que 63% dos cuidadores morrem até quatro anos antes do que as pessoas que eles estão cuidando. Isso porque o esforço e tempo demandado são tão intensos que os cuidadores costumam descuidar de si próprios, abandonam emprego e o lazer e acabam desenvolvendo insônia, depressão e ansiedade, entre outras doenças.  “É preciso enxergar o caráter sistêmico destas condições e agir em busca de soluções sistêmicas”, escreve em seu blog Por Um Mundo Melhor.

Nesse sentido, o primeiro passo é reconhecer o trabalho de quem cuida do idoso e apoiá-lo. E foi isso que Melinda Gates fez ao lançar seu programa para acelerar projetos inovadores de ferramentas e serviços, que ajudem a melhorar esse ecossistema criado pelo envelhecimento da população. A  iniciativa está sob a tutela de Jason Towns, diretor da Techstar Future of Longevity Accelerator, que concedeu a seguinte entrevista para o Evoke:

Para quem não está familiarizado, pode definir o que o ecossistema de atendimento ao idoso envolve?

É difícil porque abrange uma ampla gama de serviços e soluções, mas de modo geral, o termo envolve todo tipo de cuidado para idosos que não podem mais viver com segurança de forma independente, muitas vezes devido a problemas de saúde ou mobilidade.  Esses cuidados podem ser em casa ou administrados por cuidadores empregados ou por comunidades de idosos. Cuidadores formais são funcionários pagos, enquanto cuidadores informais (muitas vezes esquecidos nessas conversas) costumam ser da família.

Existe alguma conexão pessoal com esse ecossistema?

Sim, quase sempre existe quando nos damos conta do processo de senescência. No meu caso, participar dos cuidados de meu avô durante seus últimos anos foi um dos componentes mais impactantes da minha infância. Vovô foi um dos meus heróis, e agora ter a oportunidade de acelerar a inovação que tem o potencial de melhorar a vida de adultos mais velhos e cuidadores é emocionante para mim. Passei a maior para da minha carreira identificando oportunidades negligenciadas em mercados carentes e este trabalho se encaixa perfeitamente nessa intersecção.

Como a pandemia mudou as necessidades não atendidas dos indivíduos que prestam e recebem cuidados de idosos?

A crise sanitária só exacerbou muito os desafios que já afetam os idosos, mas a maioria das empresas selecionada para receber apoio nesta primeira rodada está abordando o problema de frente.  Para se ter uma ideia, antes da pandemia, quase 45% dos adultos mais velhos relataram se sentir solitários.  Os impactos na saúde do isolamento social rivalizam com o fumo, a obesidade e a inatividade física. A startup Naborforce, uma das 10 selecionadas, tem combatido esse problema de isolamento social e solidão, fornecendo uma plataforma para conectar adultos mais velhos a seus “filhos” na comunidade, que são pessoas cadastradas que ganham para dar suporte sob demanda para recados, transporte e ajuda em casa.

Há alguma semelhança entre os fundadores das empresas que escolheu financiar?

A condução do processo de seleção até o início da pandemia forneceu uma visão sobre a determinação de cada equipe, o nível de comprometimento e a capacidade de responder às mudanças do mercado em tempo real. Esses foram dados comuns, inesperados, mas valiosos. Cada fundador tem uma visão única de como eles precisam acomodar o impacto da crise sanitária e como sua solução se encaixa no “novo normal”.

Conheça algumas das startups selecionadas:

#Braze Mobility

Desenvolveu o primeiro sistema de sensor de ponto cego do mundo que pode ser conectado a qualquer cadeira de rodas motorizada, transformando-a em uma cadeira de rodas “inteligente”. Com a Braze Mobility, os usuários podem identificar obstáculos com mais facilidade, ajudando a reduzir os riscos de lesões e danos à cadeira de rodas e ajudando os usuários a manter sua dignidade e independência.

# MemoryWell 

É uma plataforma digital que usa a narração de histórias para melhorar o atendimento aos idosos. Por meio de uma rede de escritores profissionais, a startup trabalha com famílias, comunidades de idosos e provedores baseados em casa e na comunidade, para substituir formulários e questionários de atendimento por meio de memórias do paciente.

#Rezilient Health 

Uma plataforma de telessaúde robótica que permite que os médicos não apenas forneçam visitas de vídeo padrão, mas também controlem remotamente o posicionamento de dispositivos médicos que estão localizados com o paciente em outro consultório médico, farmácia ou lar de idosos, entre outros locais.

#Rubitection 

Desenvolve um sistema de saúde e bem-estar da pele para melhorar a detecção, avaliação e gerenciamento de cuidados de condições vasculares e dermatológicas, como feridas e úlceras nos pés para idosos em casa, em lares de idosos ou em hospitais.

#Authored 

Cria roupas cuidadosamente projetadas com aberturas discretas que se adaptam às necessidades e limitações do corpo.  As peças promovem e prolongam a independência, permitem roupas mais seguras e reduzem o estigma e as lesões.

Leia também:  Maturidade que inspira inovação

Como habitarei quando envelhecer?

Diante do isolamento imposto pela pandemia e da releitura comentada entre amigas da saga solitária da estirpe dos Buendía, em “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel Garcia Marquez, me volta à mente como nosso jeito de levar a vida e nossa rede de relações são vitais para envelhecer bem. É pelo lado financeiro, mas é também pelo suporte do convívio social que o envelhecimento nos leva a procurar por novas formas de viver.

Já tratei desta tendência em “Moradia compartilhada melhora qualidade de vida”, mas volto ao tema porque o déficit habitacional é assunto recorrente e ao optar por estudar a ciência do envelhecimento tenho notado grande desconhecimento e até preconceito sobre as opções habitacionais, principalmente quando cabe à família dar o voto de minerva. Ou até decidir sobre as práticas paliativistas, quando há necessidade de cuidados a um paciente incurável.

Há certo mal estar porque é difícil entender que é, de fato, melhor para todo mundo estar no lugar adequado.  Então é preciso destacar, reforçar, divulgar e até nos educar para a pluralidade do envelhecimento.

Não é porque o sujeito faz 60 anos – quando se convencionou estabelecer “idosa” a população – que vai começar a se identificar com as mesmas coisas. E, por isso, nem todo mundo vai querer morar do mesmo jeito.  E isso não depende de ter ou não filhos.

Já pensou quem vai cuidar de você se for necessário?

Essa mudança de costumes avança muito no discurso e até na construção das leis, mas demora à beça pra se incorporar na nossa vida. Ainda hoje falar em cuidados paliativos ou em asilo soa como algo cruel, como despejar a pessoa num depósito de velho.

A própria palavra asilo – inicialmente dirigidos à população carente que necessitava de abrigo, frutos da caridade cristã diante da ausência de políticas públicas – traz em sua gênese a ideia de isolamento e solidão e, por esse e outros motivos, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia indicou a substituição para ILPI – Instituição de Longa Permanência para Idosos.

Apenas 6,6% das ILPIs são públicas

Hoje, o País já conta com 3.500 ILPIs, sendo a maioria privada. Apenas 6,6% são públicas, com predominância das municipais, o que corresponde a 218 instituições, número bem menor do que o de instituições religiosas vicentinas, aproximadamente 700. Os números são de artigo publicado na Revista de Estudos Populacionais.

A institucionalização do idoso é uma opção de moradia já bem conhecida por todos. E claro que há casos e casos.  “Tudo está relacionado ao grau de dependência do idoso. Seja física, cognitiva ou financeira”, diz Luisa Regina Pessôa, arquiteta aposentada da Fiocruz e à frente de um projeto num condomínio para sêniores em Búzios, no Rio de Janeiro.

Lá, oito amigos estão reunidos pela proximidade das casas e pela segurança de poderem contar um com o outro, mesmo antes do isolamento imposto pela pandemia. “Acho que essa modalidade pode ir se ajustando ao nosso envelhecimento e a cada grau de necessidade e independência”, avalia Luisa.

Um lar monitorado

Foi justamente pensando nas diferentes necessidades desse público que o empresário Leonardo Pisani idealizou ACASA, um serviço de hospedagem assistida que se propõe a melhorar a qualidade de vida dos idosos. Trata-se de um formato aos moldes de negócio do “assisted living”, adotada pelas grandes redes de lares de idosos dos Estados Unidos.

“Buscamos trazer para o Brasil o modelo de vida em uma comunidade de idosos, onde o hóspede pode trocar experiências, praticar diversas atividades e ter todo o suporte de uma equipe multidisciplinar especializada”, conta. Tudo sem perder a liberdade de tornar aquele cantinho no seu lar.

Embora só agora esses conceitos ganhem destaque, nem são assim tão novos. Em 1975, em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, nascia um projeto pioneiro de um grupo de amigos liderado por Antonio Correa Leite, que idealizou um local onde as pessoas pudessem envelhecer com dignidade, tranquilidade e saúde, além de ter todos os benefícios de um condomínio fechado.

Já naquela época previu a necessidade de profissionais para atuar na área da saúde para atendimento aos moradores. Com o passar dos anos, o que era algo entre amigos se transformou em negócio, com a adesão de novos investidores, originando a Associação Residencial – A Agerip.

E quem não tem acesso?

É importante abrir um debate para que essas novas formas de morar se multipliquem para além daqueles que podem pagar, já que alternativas para diferentes condições de saúde e de capacidade funcional não faltam, mas poucos têm ou terão acesso a elas pelos altos custos.

São mínimas as políticas públicas habitacionais que asseguram moradia digna. O déficit habitacional brasileiro é de mais de oito milhões de moradias, segundo o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA). E a situação piora diante das necessidades dos idosos.

Por isso, é urgente entender a transição demográfica pela qual o País atravessa debater soluções e cobrar dos futuros candidatos propostas voltadas aos problemas deste Brasil Sênior.

O primeiro passo é conhecer um pouco mais do que já existe disponível, abrir a nossa mente e nos despir de preconceitos para as novidades que possam surgir.

Vamos juntos?

#ILPIs

Residências coletivas, que atendem idosos com necessidade de cuidados prolongados. Podem ser governamentais ou não, mas o tratamento médico não é o elemento central do atendimento.

#Asilos

Lar destinado acolher idosos sem recursos financeiros, essencialmente de responsabilidade pública.  Atendimento inclui alimentação, higiene e saúde.

#Casas de Repouso

Destinada à prestação de serviços médicos, de enfermagem e demais serviços de apoio terapêutico. Instituições governamentais ou não governamentais. Regime de internato. Só podem ter médico como responsável técnico.

#Moradia assistida

É uma residência inclusiva, mas não é uma clínica, nem um local de tratamento, mas uma variação da tradicional casa de repouso. No local, as pessoas têm liberdade para fazer dele um lar. São residências adaptadas às necessidades especiais, individuais e coletivas dos atendidos por elas.

#Centro-Dia

O Centro-dia é um serviço social previsto na Política Nacional do Idoso que atende pessoas com 60 anos que necessitam de cuidados durante o dia e que à noite voltam para suas casas, mantendo assim os vínculos sociais e familiares. Podem ser públicas ou privadas.

#Coliving

É um nome chique para a tradicional República. Quem lembra? Isso porque nesse modelo as pessoas têm o seu próprio quarto, mas compartilham os outros ambientes da casa, como cozinha, sala e varanda. E todo mundo colabora.

A vida em comunidade e o compartilhamento de espaços comuns que caracterizam o coliving atraem cada vez mais idosos, que querem viver sob o lema da partilha de experiências. Pensando nisso, foi lançado a Coliiv, startup que funciona como uma espécie de Tinder da moradia para os maduros.

#Cohousing

São casas particulares agrupadas em torno de espaço compartilhado. Cada casa anexa ou unifamiliar possui acomodações tradicionais. As famílias têm renda independente e vida privada, mas os vizinhos planejam e gerenciam colaborativamente as atividades da comunidade e os espaços compartilhados.

A estrutura legal é tipicamente uma associação de proprietários ou uma cooperativa habitacional.

#Hospice

O hospice é um lugar destinado a pessoas portadoras de doenças letais, sobretudo no período em que a terapia de cura torna-se ineficaz e a terapia paliativa torna-se imprescindível. Pacientes que possuem doenças avançadas e incuráveis, em fase terminal ou não, bem como pacientes que necessitam de cuidados especializados no controle de sintomas ou de pequenas intervenções clínicas.

Traz o conceito e a filosofia de cuidados paliativos e envolve atendimento, inclusive para a família no pós-luto.

E então? Já pensou que estilo combina mais com você? Nada impede a gente de seguir o seu Antonio, da Agerip, e criar algo, não é mesmo?!

O perigo mora dentro de casa

Mortes por queda quadruplicaram em São Paulo na última década, se aproximando do número de homicídios. Os dados, do Boletim Epidemiológico Paulista, divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde, não são novos, mas juntamente com a comoção causada pela morte do apresentador Gugu Liberato, aos 60 anos, abrem oportunidades para o debate sobre um grave problema de Saúde Pública.

É que a queda está entre as principais responsáveis pela morte da população idosa e também pode ser causada por sintomas de DCNTs (Doenças Crônicas Não Transmissíveis), caso das cardiorrespiratórias, do câncer e da depressão. Aparentemente não foi esse o caso de Gugu. O apresentador teria apenas tomado uma decisão errada ao subir em um local perigoso.

Mas mesmo que estivesse em perfeita condições físicas e cognitivas, por que negligenciar os riscos? Gugu era celebridade, mas quantos anônimos não seguem os mesmos passos? E, assim como ocorreu com ele, a própria casa quase sempre é a principal armadilha. 

Nem precisa se aventurar muito. A simples passagem de um cômodo a outro pode se tornar um problema, provocando tombos que causam óbito ou danos irreversíveis. Por isso, identificar previamente os fatores de risco pode contribuir muito para a prevenção. São duas as causas que costumam provocar acidentes:

#Intrínsecas

Quando se relacionam com as transformações fisiológicas do envelhecimento, patologias específicas ou mesmo uso de medicamentos. Exemplos: postura inadequada, doença de Parkinson, osteoporose e depressão.

#Extrínsecas

Quando correspondem ao ambiente de interação do idoso. Exemplos: superfícies escorregadias; calçados não adaptados; iluminação inadequada; escadas sem corrimões; banheiros não adaptados.

Casa segura

Em decorrência das causas extrínsecas, surge por volta dos anos 2000 a arquitetura para a maturidade. E profissionais como Cybele Barros, autora do projeto arquitetônico Casa Segura, são cada vez mais requisitados para desenvolver políticas públicas. O trabalho dela foi aprovado pelo Ministério da Saúde e passou a fazer parte do Programa de Atenção Integral à Saúde do Idoso.

História parecida tem a arquiteta Flávia Raniere. Após adaptar diversos projetos, ela se especializou no envelhecimento da população.  “Os avanços tecnológicos e arquitetônicos vêm se tornando grandes aliados na rotina desse público”, acredita.

Para ajudar a entender a importância de uma casa segura, Flávia mapeou alguns fatores que parecem bobos ou irrelevantes, mas trazem chances de machucados ou tombos. Veja quais são:

#Falta de luz adequada

Conforme a idade avança, a visão também envelhece e sofre degeneração. Usar óculos é bastante comum, mas mesmo assim, não impossibilita a limitação visual. Sem enxergar clara e nitidamente, há mais chances de tropeçar, escorregar e bater em móveis.

A solução

Exagere no número de pontos de luzes. Quanto mais, melhor. Abuse de pendentes, arandelas, abajures, luminárias de mesa e spot de piso, que aumentam a iluminação de paredes, escadas e corredores. Para esses pontos de apoios, prefira opções com dimer, que permite o ajuste gradual da intensidade da luz. Para quem puder investir, um sistema de automação pode ser instalado para quando a pessoa se levantar do sofá ou da cama no escuro, uma luz de vigília no piso é acionada, ajudando a se localizar e se deslocar, por exemplo, até o banheiro.

#Quinas

Com o tempo, a derme, camada intermediária da pele, perde elasticidade, hidratação e oleosidade. Isso resulta em uma pele mais fina, frágil e mais vulnerável a machucados, infecções e doenças em geral. Uma simples esbarrada nas quinas dos móveis pode machucar a pele mais delicada. E um simples machucadinho pode se tornar um grande problema.

A solução

Aposte nas quinas arredondadas. Por não terem as temíveis pontas, não ocasionam lesões mais graves. Se não puder trocar o móvel, em lojas de produtos para casa é possível encontrar adaptadores de silicone, que são facilmente acoplados nas quinas tradicionais e fazem o serviço.

# Pisos e tapetes

Escorregar no chão liso e tropeçar em tapetes são acidentes comuns em qualquer casa. Onde moram pessoas mais velhas, com a mobilidade já comprometida, esses acontecimentos são mais recorrentes. Um piso escorregadio e tapetes mal posicionados podem causar mais do que uma simples queda.

A solução

Pisos emborrachados e vinílicos antiderrapantes, por exemplo, dificultam as quedas. Eles são encontrados em várias padronagens e cores. Os tapetes têm uma função importante de acústica e limitação de espaço e não precisam ser eliminados, apenas usados de maneira estratégica. Alinhe-os com o piso, sem desnível, e só os posicione em lugares que garantam a segurança, por exemplo, cobrindo todo o piso da sala.

#Móveis não adaptados

Camas altas demais ou baixas demais exigem um esforço que nem todo mundo tem quando atinge certa idade. Cadeiras com rodinhas podem virar e derrubar quem estiver sentado. Bancadas baixas impedem o encaixe de uma cadeira de rodas. Quando os móveis de uma casa não são adaptados para quem mora nela, viver ali vira um tormento. Além de riscos à saúde, compromete a mobilidade do morador.

A solução

Opte por elementos com contraste, cores vibrantes e formas diferentes. Assim, os objetos da casa ficam mais visíveis e fáceis de serem desviados.

E então? Com toda essa informação disponível já dá para tomar alguma precaução, não é?

Saiba mais:

Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa

Manual de prevenção de quedas da pessoa idosa

Saúde da pessoa idosa: prevenção e promoção à saúde integral

Fora dos holofotes dos grandes eventos, a violência cresce

Diversos eventos estão programados para a semana que celebra o Dia Internacional das Pessoas Idosas, no dia 1 outubro. Entre todas as ações e atividades, a Longevidade Expo + Forum, em sua edição primeira, se destacou. Reuniu em São Paulo mais de 250 expositores e palestrantes que mostraram ser possível envelhecer com qualidade de vida. Mas a data – instituída pela ONU há 37 anos – deve nos  conscientizar que, fora dos holofotes, muita coisa ainda precisa de atenção.  Principalmente nos recônditos desse Brasil Sênior.

Segundo a Organização Mundial da Saúde um em cada seis idosos é vítima de algum tipo de violência. O dado faz parte de um relatório publicado na revista Lancet Global Health, que alerta que mais de 16% das pessoas com mais de 60 anos sofrem algum tipo de abuso. O documento reforça que este tipo de violência vem aumentando.

Conforme a Lei 10.741, a violência contra pessoa idosa é crime, portanto, não deve ser encarada como algo normal. São necessárias campanhas que levem conhecimento às pessoas com mais de 60 anos, para que eles conheçam seus direitos e tenham voz ativa para se defender. O Disque 100, canal da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, é um meio que pode ser utilizado e precisa ser divulgado.

Levantamento feito pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos revelou que, em 2018, o Disque 100 registrou um aumento de 13% no número de denúncias sobre violência contra idosos, em relação ao ano anterior. Isso sem contar o que não é denunciado. O serviço de atendimento recebeu 37.454 notificações, sendo que a maioria das agressões foi cometida nas residências das vítimas (85,6%), por filhos (52,9%) e netos (7,8%).

A triagem revela ainda que a suscetibilidade das mulheres idosas é maior. Elas foram vítimas em 62,6% dos casos e os homens, em 32,2%. Em 5,1% dos registros, o gênero da vítima não foi informado.

Quanto à faixa etária, os dois perfis que predominam são de pessoas com idade entre 76 e 80 anos (18,3%) e entre 66 e 70 anos (16,2%). O relatório também destaca que quase metade das vítimas (41,5%) se declarou branca, 26,6% eram pardas, 9,9% pretas e 0,7% amarelas. As vítimas de origem indígena representam 0,4% do total.

As violações mais comuns foram negligência (38%);  violência psicológica (26,5%), configurada quando há gestos de humilhação, hostilização ou xingamentos; e a violência patrimonial, que ocorre quando o idoso tem seu salário retido ou seus bens destruídos (19,9%).

A violência física figura em quarto lugar, estando presente em 12,6% dos relatos levados ao Disque 100. Em alguns casos, mais de um tipo de violência foi cometido e, portanto, comunicado à central.

Geograficamente, as ocorrências estão concentradas no estado de São Paulo, que aparece em primeiro lugar na lista, com 9.010 dos casos reportados. O estado de Minas Gerais ocupa a segunda posição, com 5.379 registros, seguido por Rio de Janeiro, com 5.035 e Rio Grande do Sul, que responde por 1.919 ocorrências.

Abandono e exclusão social também são violência

Para o secretário nacional de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa do ministério, Antônio Costa, a violência contra idosos vai além de agressões classificadas como maus tratos. Ele inclui o abandono e a exclusão social dessas pessoas como graves problemas.

Uma das ações governamentais de proteção a pessoas idosas é o Programa Viver, que tem como finalidade a ampliação de oportunidades aos idosos, por meio da inclusão digital e social. As ações abrangem as áreas da tecnologia, educação, saúde e mobilidade física.

O programa tem o propósito de resgatar a autoestima, conscientizar a pessoa idosa no âmbito da educação financeira e dos direitos a ela inerentes. Além do programa, o governo federal articula a Campanha Junho Lilás, que visa prevenir e identificar situações de abuso contra idosos. Lançada este ano, a iniciativa integra um movimento global de alusão ao Dia Internacional de Conscientização e Combate à Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado no dia 15 de junho.

Nesta data, como em todos os outros dias,  é importante que a gente se mobilize para compartilhar dados e disseminar iniciativas que ajudem a coibir essa cruel realidade.

Com Agência Brasil, Unifesp e Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos

Leia também Dia do Idoso é alerta para a sociedade ressignificar a velhice.

Na questão da sobrevivência as mulheres são o sexo mais forte

Mais do que as estatísticas, as histórias de vida com as quais nos deparamos no cotidiano mostram que as mulheres são o sexo mais forte quando se trata não só de longevidade, mas de sobrevivência. E não é só porque tradicionalmente se cuidam mais. Existe uma combinação de fatores históricos que leva e eleva a discussão da feminização da velhice para outros patamares. Porque como já é sabido, viver mais não significa necessariamente viver melhor.

Documento Envelhecimento saudável: uma política de saúde, da Organização Mundial de Saúde (OMS), mostra que as mulheres até possuem a vantagem da vida longa, mas são vítimas mais frequentes da violência doméstica e de discriminação no acesso à educação, salário, alimentação, trabalho significativo, assistência à saúde, heranças, medidas de seguro social e poder político.

Assim, as desigualdades por sexo promovidas pelas condições estruturais e socioeconômicas em muitas situações alteram além das condições de saúde, renda e dinâmica familiar. Por isso, a parcela feminina da população idosa tem provocado maior impacto nas demandas por políticas públicas e prestação de serviços de proteção social.

Inspiração para lidar com a nova realidade

O problema não está restrito à população brasileira e um olhar sob o que tem sido feito globalmente para enfrentar esse fenômeno da transição demográfica pode inspirar a construção de uma sociedade mais preparada para lidar com essa realidade.Segundo as estatísticas, em 2002 existiam 678 homens para cada mil mulheres idosas no mundo. É bem maior o número de mulheres idosas, e as expectativas são as de que as mulheres vivam, em média, de cinco a sete anos mais que os homens.

A estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU) para 2040 aponta um número de 23,99 milhões de homens e 30,19 milhões de mulheres, uma diferença de 6,2 milhões de mulheres em relação à população idosa masculina. A razão de sexo deve cair para 79 homens para cada 100 mulheres entre a população idosa. Ou seja, nos próximos anos vai crescer o excedente de mulheres em cada grupo etário do topo da pirâmide.

No Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), as mulheres vivem, em média, sete anos a mais do que os homens no país. Além disso, enquanto a expectativa de vida das mulheres é de 78,6 anos, a expectativa de vida da população masculina é de 71,3 anos. Isso ocorre porque as mulheres, na maioria das vezes, possuem hábitos mais saudáveis do que os homens, além de procurarem com mais frequência acompanhamento médico, o que permite a identificação e o tratamento de possíveis doenças.

Outro fator de impacto é o aumento da criminalidade no Brasil, que tem sido responsável pela redução da população masculina, principalmente dos jovens com idade entre 18 e 29 anos, fato que tem contribuído para esse desequilíbrio entre o número de homens e mulheres. Acompanha ainda o processo de mudança uma maior participação social feminina. É cada vez mais comum mulheres chefiando famílias e o seu ingresso no mercado de trabalho, escreve José Eustáquio Alves, pesquisador do IBGE em artigo para o Portal do Envelhecimento.

A velhice é feminina

Como resultado desse cenário, os problemas e mudanças que acompanham o envelhecimento são predominantemente femininos, pelo que se pode dizer que a velhice se feminilizou. Os aspectos do envelhecimento feminino incluem além da discriminação e gerofobia, perdas físicas e sociais, pobreza e solidão. Algo que implica em maior incidência de doenças crônico-degenerativas e estados depressivos.

Desse contingente majoritário, existe uma alta proporção de mulheres idosas que moram sozinhas em diferentes situações. Esse fato foi denominado no passado de pirâmide da solidão. Mas como morar sozinho não significa ser solitário, o denominado fenômeno da “pirâmide da solidão”, indica apenas a existência de um crescente número de mulheres idosas sem companheiros.

Um fato positivo, entretanto, é que o novo contingente de mulheres com mais de 60 anos tem revertido a desigualdade de gênero na educação, fazendo com que o nível de escolaridade do sexo feminino atualmente seja maior do que o do sexo masculino também entre a população idosa. E a sociedade brasileira precisa saber aproveitar o potencial dessas recém-chegadas à terceira idade, que possuem altos níveis educacionais, além de ricas experiências de trabalho e de vida. Os idosos e, em especial, as idosas podem se transformar em fonte de sabedoria e difusão de conhecimentos para toda a sociedade.

Essa tal sororidade

É, porém, essencial uma reflexão nesse caminho da dissolvição dos preconceitos: a relação entre as próprias mulheres. Há uma tendência latente no meio social de idosas cuidando de outras idosas.

Assim, além de questionar as razões que levam mulheres brasileiras a aceitar e fortalecer, com seus medos e inseguranças, os preconceitos com relação ao envelhecimento feminino, é preciso uma mudança no modo como enxergamos e julgamos umas às outras, a partir do conceito da sororidade, para tecer nossas vidas com liberdade e apoio.

Outro fato a se considerar é que a maioria das idosas de hoje vêm de uma juventude dura, carregada por um estilo de vida familiar completamente diferente do cotidiano da atualidade. Muitas sequer tiveram direto de escolhas. Diante da vida moderna, enfrentam um choque cultural e tendem a se angustiar. 

Por isso, a questão da saúde mental é cada vez mais preocupante e demanda políticas públicas mais consistentes, voltadas para a feminização da velhice. Um trabalho de ressocialização, por exemplo, é uma alternativa viável para as mulheres longevas encarem o envelhecimento como um momento em que dá para realizar sonhos, viajar, estudar e ampliar seus horizontes.

Empresas ainda tropeçam na diversidade etária

Não é algo ainda tão visível. Aos poucos, o movimento de inclusão etária nas empresas começa a refletir a nova realidade demográfica. Isso não significa, contudo, uma mudança de mentalidade. Algo que ainda precisa ser disseminado para acompanhar o envelhecimento do Brasil e atender as necessidades do mercado de trabalho.

É velho o discurso de que o desequilíbrio entre a decrescente mão de obra jovem – e idosos recebendo suas aposentadorias – sobrecarrega o sistema previdenciário e de saúde. Mas o que estamos fazendo para que ônus se torne bônus? Porque existem sim alternativas para resolver a equação.

E uma delas está diretamente relacionada ao entendimento das empresas sobre esse processo de envelhecimento e seu impacto nos negócios. Algo que deve começar por uma liderança que seja capaz de criar uma cultura organizacional, segundo Susana Falchi, CEO da HSD Consultoria.

Ainda que o percentual de pessoas acima de 60 anos no mercado de trabalho venha crescendo segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – uma minoria tem carteira assinada, o que pode ser considerado artigo de luxo hoje em dia em qualquer idade. A maior parte ainda está na informalidade ou em ocupações por conta própria, como todos os brasileiros.

Contudo, algumas empresas passaram a lançar programas com vagas abertas apenas para pessoas de idade mais avançada. É parte de um esforço de diversidade que já era observado em relação a gênero e raça.

O mais usual é que o trabalho seja flexível, por meio de empreendedores, autônomos, ou à distância. Até aí também uma tendência global que aumenta no mundo todo, independentemente da idade.

Contrapartida do profissional

Essa abertura exige contrapartida dos mais velhos, que além de compreenderem que a dinâmica de trabalho agora é outra, precisam se requalificar, principalmente, no que se refere ao uso das tecnologias.

Nesse caminho, já existem inúmeras iniciativas voltadas para ressignificar essa etapa da vida. A Uni Inversidade, iniciativa do Lab60+, por exemplo, organiza dois programas, o Reinvente-se! e o Empreenda-se!, cuja proposta é contribuir para a reinvenção profissional a partir da segunda metade da vida. A ideia é disseminar o conceito de autoempreender.

O Reinvente-se! faz uma reflexão retrospectiva, ao fortalecer e apreender o que a pessoa já desenvolveu. E segue para uma análise prospectiva daquilo que ela pode passar a oferecer profissionalmente, a partir da definição de um propósito de vida para esta nova etapa. A partir daí, o Empreenda-se! ajuda a concretizar esta possibilidade de uma forma mais objetiva, trazendo uma visão de modelo de negócios.

Trata-se de uma iniciativa desenvolvida de forma colaborativa com universidades, empresas B, seniores e profissionais, todos associados ao Movimento LAB60+, vinculados com a causa da longevidade, e em parceria com redes de inovação e impacto social, como SESI, SESC, ImpactHub e o Sistema B. 

 Sistema B é um movimento global que pretende redefinir o conceito de sucesso nos negócios e identificar empresas que utilizem seu poder de mercado para solucionar algum tema social e ambiental. Criada nos Estados Unidos, a iniciativa tem o objetivo de apoiar e certificar as empresas que criam produtos e serviços voltados para resolver problemas socioambientais.

Criando novas profissões

Recentemente também o Lab60+ lançou o Labora, que tem como alvo as empresas. A meta é convencer as organizações a ter 15% de sua força de trabalho com perfil 50+. “Para isso, o desafio é criar profissões que aproveitem todo o potencial desse público”, conta Sérgio Serapião, fundador do movimento Lab+, em entrevista ao Instituto da Longevidade Mongeral Aegon.

Bancos, farmacêuticas e empresas de beleza já indicaram interesse em participar. Para o Itaú, por exemplo, foi criada criamos uma profissão que deve melhorar a qualidade de atendimento nas agências. O sênior vai orientar o cliente que está se preparando para aposentar a ter um planejamento financeiro.

Vinte sêniores estão sendo treinados para essa função, que se vale das inteligências relacional e emocional do trabalhador. Por ser uma nova área de atuação, a expectativa é que não tire a posição de outro profissional.

Trabalho para aposentados

Outra iniciativa é o projeto de lei que cria o Regime Especial de Trabalho do Aposentado (Reta), proposto em conjunto pelo Instituto de Longevidade Mongeral Aegon e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). A flexibilização das regras seria aplicada sobre os aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do funcionalismo público.

A ideia é empregar esse contingente, que teria apenas o salário mensal sem os demais direitos trabalhistas, como férias e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Com o estímulo da isenção da contribuição previdenciária e do FGTS para o empregador, a projeção é que, em 10 anos, poderiam ser incorporados ao mercado de trabalho 1,8 milhão de aposentados.

Se o interesse das empresas por trabalhadores mais velhos nunca foi notável, ao menos se percebe agora um olhar um pouco mais amigável para a diversidade etária e a convivência entre gerações dentro (e fora) do ambiente corporativo. Já é alguma coisa. 

Por uma vida com mais check-ins e menos check-ups!

As viagens ocupam um papel cada vez mais importante na vida dos maduros, como consequência da busca pelo bem-estar. Mas o turismo na maturidade tem ganhado novos contornos com uma turma aventureira, que faz da diversão um projeto de vida.

Os últimos dados da Sondagem do Consumidor — Intenção de viagem, do Ministério do Turismo (Mtur), mostram que o desejo de viajar sozinho ou acompanhado é crescente na faixa etária acima de 60 anos, chegando a mais de 30% nesse grupo de viajantes. Mas os dados disponíveis estão bem desatualizados e são de novembro de 2017.

Portanto, vamos tratar do assunto com pessoas e não com números, ok?

Nem precisa ir muito longe pra encontrar gente disposta a colocar uma mochila nas costas e ganhar estrada. É o caso de uma amiga que mal completou 50 anos e está decidida a colocar tudo que tem à venda e sair por aí mundo afora num roteiro de baixo custo.

Não é a única. Como jornalista, já entrevistei duas vezes a Patrícia Martins de Andrade. É dela a foto que ilustra o texto. Uma personagem e tanto! Que tem feito viagens incríveis e, de quebra, deu uma guinada na carreira após os 50 ao se mudar pra Portugal. Leia em Tempo de (se) cuidar.

O tema é recorrente. Mas o que chama atenção é o desprendimento dessas pessoas consideradas idosas, embora eu não concorde muito com esse termo.

Hoje mesmo li texto da BBC com maduras que, depois de passar a vida cuidando da família, decidiram cuidar de si e realizar seus sonhos. Leia em Mochileiras depois dos 60.

E não é preciso muito dinheiro – graças a Deus – para quem opta por realizar mais check-ins e menos check-ups. Basta planejamento e alguns cuidados já que dependendo da idade será preciso realizar o check-up antes de fazer o ckeck-in.  

Por precaução, por recomendação médica, ou simplesmente para tranquilizar a família.

Agora, tem muita gente conhecendo destinos sensacionais e viajando so-zi-nha! Além disso, compartilham moradia e conhecem pessoas… Nada da frieza impessoal dos corredores dos hotéis.

Então, por que não?

Vamos combinar que a companhia de uma amiga pode ser fantástica, mas também pode se tornar um desastre dependendo do humor de ambas. E nem precisa ficar velha pra isso. Já me desentendi com uma amiga da faculdade numa viagem para Búzios, vejam só. E eu tinha 20 anos…

Se estiver sem namorado, então, melhor ainda…

As possibilidades de encontrar alguém nessa jornada são enormes! E aplicativos pra isso não faltam, né?

No começo é natural ficar receosa sim! Afinal, há pouco tempo mulher viajar sozinha, sem destino e sem grana, seria inviável. Mas nada mais natural que acompanhar as mudanças do mundo. E sabe que pesquisando o tema eu achei muita gente que transformou isso em trabalho.

É o caso dos Nômades Seniores, cuja aventura rendeu até livro.  Como escrevem Debbie e Michael Campbell no site, eles são de Seatlle, Washington, uma ótima cidade pra se chamar de lar. Mas que ficou pequena demais pros sonhos desse casal quando estavam à beira da aposentadoria.

“Sentimos que tínhamos mais uma aventura em nós , então em julho de 2013 alugamos nossa casa”.

Eles também venderam o veleiro e um dos carros para reduzir as coisas e as despesas. Então deram adeus à família e partiram para explorar o mundo.  O objetivo era viver o cotidiano nos lares de outras pessoas, da mesma forma que fariam se tivessem se aposentado em Seattle.

“Até agora a experiência tem sido tudo que esperávamos”.

Nesse caso, os números contam…

Desde que partiram, utilizaram mais de 200 vezes os serviços do Airbnb, visitaram mais de 250 cidades em 80 países, incluindo toda a Europa, Turquia, Israel, Rússia, México, África, Cuba, Oriente Médio, Ásia Central, Nova Zelândia, Austrália e Ásia. O resultado foi a venda da casa em Seattle para se tornarem verdadeiramente nômades.

Tiozinhos e mochileiros sim!

Veja o que fazem os Tiozinhos Mochileiros. Julio e Rosi voltaram a viajar com a mochila nas costas depois que os filhos cresceram, como quando eram jovens sem preconceitos.

E os filmes, como esse aqui embaixo, são exibidos em um canal no Canadá.

Pra não dizer que são só os gringos e os casais que têm coragem, li outro dia a história da aposentada Josefa Feitosa, de Fortaleza (CE), que se “autocondenou à liberdade”, como ela mesmo diz. E já visitou cerca de 40 países

Só volta ao Brasil para renovar o passaporte.  Divorciada, mãe de três filhos e avó de um neto, resolveu se desfazer de casa, móveis e roupas. Tudo o que tem agora cabe dentro de uma bagagem.

Assim como mantém um diário de viagem no Facebook , batizada Jô: minha casa é onde minha mala está, a aposentada também registra a vida em cadernos, desde os anos 1980.

No roteiro, experiências em Auroville, a cidade onde se vive sem dinheiro na Índia, na noite de Amsterdã, nas praias de Zanzibar e no leito do rio Nilo, no Egito.

Sabe de uma coisa? Depois de tudo que pesquisei, cheguei a conclusão que viajar não é apenas rejuvenescedor; também pode ser intelectualmente estimulante.

Eu, ao menos, sou naturalmente propensa às novas experiências e aventuras. Não há como negar que é uma baita oportunidade para mudar as coisas da monótona rotina do dia-a-dia.

E você? Se aventuraria?

Texto originalmente publicado em Dominique.

Longevidade do brasileiro implica num desafio econômico maior

Mesmo sem ter recebido educação financeira, meus pais sempre souberam poupar. Ao contrário de mim, que ainda hoje conto com a ajuda deles em várias frentes. E olha que me especializei em Economia, hein! Mas o fato é que nunca consegui lidar bem com o dinheiro e percebo que a minha geração – assim como as mais contemporâneas – padecem deste mesmo mal. Trago este tema porque as discussões em torno da reforma da Previdência despertam para a importância de cuidar bem da saúde financeira enquanto há tempo.

É algo fundamental para se envelhecer com alguma qualidade de vida. Porque ninguém será realmente independente se continuar a contar só com o Estado e a família na velhice.

Atualmente apenas 3% dos brasileiros aposentados conseguem se sustentar com recursos próprios, segundo estudo apresentado durante o Seminário Como Investir, do qual participei. O baixo percentual é justamente consequência da tal falta de educação financeira. Um problema que pode comprometer as conquistas das próximas gerações.

O alerta foi dado pelo economista e escritor Aquiles Mosca, do BNP Pariba Assent Management. Ele foi um dos palestrantes do evento, que aconteceu no dia 25, após o encerramento do 10º Congresso ANBIMA de Fundos de Investimentos.

“A baixa taxa de poupança do brasileiro costuma ser justificada por ganhos insuficientes, mas a culpa não é da renda e sim do gasto.  Estamos vivendo mais e é preciso aprender a gerir bem as finanças durante a vida produtiva porque isso implica num desafio econômico maior para todos, não só para o governo”, disse.

Protagonismo para assumir o controle

O economista Martin Iglesias, do Itaú-Unibanco e vice-presidente do Comitê de Educação para Investidores da ANBIMA, concorda. Para ele, o primeiro passo para assumir o controle financeiro se dá com mudança de hábito.  “É preciso protagonismo”, disse. Assim, o primeiro gasto do mês deveria ser com a poupança. Só depois o custo de vida deve se adequar ao restante do orçamento.

A estratégia para criar um orçamento adequado foi destacada pelo escritor Gustavo Cerbasi, especialista em Inteligência Financeira. Ele demonstrou a importância de se manter um planejamento em que as despesas possam variar. “Um orçamento fixo não me dá margem de manobra caso ocorra algum imprevisto”, disse.

E imprevistos acontecem. Para lidar com eles, a Monja Coen sugeriu a prática da respiração consciente. Uma dinâmica postural que ajuda na reflexão e na tomada de decisões. “Não é errado obter lucro, mas é preciso avaliar para quê eu obtenho e como eu vou investir o que ganhei.”

E, então? Você  se considera um bom gestor de recursos? Sabe poupar? Melhor ainda: sabe gastar?

Se a resposta for sim, sinta-se parte de uma minoria. Sete em cada dez brasileiros não fazem reserva, mostra pesquisa recente da Serasa Experian. Ainda segundo o estudo, metade dos brasileiros desconhece as vantagens de guardar dinheiro. “Na história recente do país passamos por diversas crises econômicas e isso contribui para esse quadro”, avaliou o especialista Bruno Papi, fundador da escola de investimentos Criando Futuro.

Ele recorda que há algumas décadas apenas houve um confisco na caderneta de poupança, o investimento preferido da população. Por isso pouca gente confia nas instituições financeiras. E houve ainda quem precisasse abrir mão dos recursos guardados pelo desemprego.

O outro motivo é a cultura. “O brasileiro médio é naturalmente imediatista. Ele não quer abrir mão do prazer presente para obter um ganho futuro maior. Isso só mudará com bastante esforço dos educadores financeiros e com a mídia contribuindo para essa divulgação”, afirmou.

Custos maiores após os 50 anos

A situação piora para a população na faixa de 50+, que costuma poupar menos ainda. Isso porque hoje em dia é bem comum os filhos morarem com os pais e tornarem as contas mais altas do que os ganhos, além dos próprios gastos aumentarem com saúde e moradia.

Papi destacou ainda a importância de se poupar em todas as faixas etárias. “Quem começa primeiro sai na frente – e isso significa que quem tem de 50 anos para cima precisa planejar com mais cuidado”, afirmou.

Saia do lugar e dê o primeiro passo

Mas nunca é tarde para começar a guardar dinheiro. Por pior que seja o cenário será melhor poupar o que conseguir do que deixar nas mãos do acaso. “Atualmente encontramos em corretoras e pequenos bancos opções bem decentes, com baixo valor de investimento e segurança, como no Tesouro Direto ou em CDBs [certificados de débito bancário]. São bons primeiros passos para iniciar uma poupança”, sugere.

Os 3 principais desafios para guardar dinheiro são:

#Segurança

Entender os mecanismos financeiros e quais são as aplicações que funcionam melhor para você e seu objetivo, além de saber onde pode ou não haver perdas.

#Informação

Existem milhares de consultores e conteúdos na internet, além dos meios tradicionais, como os gerentes de bancos e as corretoras. É preciso compreender o básico para filtrar o que é confiável e evitar cair em armadilhas, inclusive da própria instituição financeira ou do assessor.

#Disciplina

Manter o foco e evitar gastos desnecessários não é fácil em nenhuma idade. Você precisa ter isso em mente e evitar sabotadores, porque vão surgir vários nessa nova jornada.

A maneira como cada pessoa lida com o seu dinheiro é muito particular. Daí a importância de fazer um planejamento!

Textos escritos originalmente para os portais da ANBIMA e do Instituto da Longevidade Mongeral Aegon.

Saiba mais em Sobrevivência da aposentadoria pede remédio amargo.

Veja também Aposentadoria: o melhor roteiro é o planejamento.

Estudar para fortalecer a gerontologia no Brasil

Não são poucos os sinais de que até os países mais desenvolvidos enfrentam dificuldades para lidar com o envelhecimento. Reportagem recente da BBC mostra que aposentados japoneses têm cometido pequenos delitos em busca de abrigo nos presídios, onde recebem três refeições por dia e não tem nenhuma conta a pagar. O resultado disso é que quase um terço dos presos agora têm mais de 60 anos. E esse é apenas um aspecto das mudanças que ocorrem a partir da transição demográfica que atravessamos.

O fato é que nossa longevidade, associada à redução das crianças, implica em transformações profundas em todas as frentes. Assim, compreender o impacto global de um Brasil mais idoso será essencial para seu desenvolvimento.

Agora, se não é fácil administrar nem a família, imagina uma população que deve chegar a quase 65 milhões de pessoas em 2050, três vezes mais do que em 2010, segundo o IBGE.

É por isso que resolvi voltar aos bancos escolares para cursar Gerontologia. Mas e o Jornalismo? Calma lá! Dá para conciliar as duas coisas.

E, com certeza, serei bem mais útil para a sociedade adquirindo conhecimento para atender a demanda da população idosa, visto que o fortalecimento da área por aqui é vital para o País.

Você conhece a UNA-SUS?

Bom, tudo isso para contar que enquanto pesquisava as ofertas de cursos encontrei muita informação bacana. Também me matriculei na Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde pra sentir se daria conta dos estudos. Já ouviu falar da UNA-SUS?

Trata-se de uma plataforma que disponibiliza conhecimento e atualização para diversos profissionais gratuitamente. E da qual eu recebi hoje o certificado do curso Envelhecimento da População Brasileira – 2019.  

Espero sinceramente que esse seja apenas o primeiro de muitos!

Embora nesta Casa eu tenha aprendido muito com a convivência de dois maduros – como agora são chamados os idosos -, entender a gestão da longevidade, do ponto de vista teórico, é essencial para tomada de decisões que afetarão minha vida futura. E, de quebra, é uma baita ginástica para minha mente.

Musculação para o cérebro

Porque não é só corpo que precisa se exercitar, não! E estudar, seja lá qual for o assunto, é musculação para o cérebro.

Se você exerce o papel de cuidador na família, super recomendo os cursos a distância da UNA-SUS para entender melhor esse contexto.  O sistema foi criado em 2010 para atender às necessidades de capacitação e educação permanente dos profissionais que atuam no SUS. Mas extrapolaram essa barreira.

E hoje há opções para qualquer profissional. Mesmo os maduros interessados em conhecer melhor esta fase da vida podem acompanhar sem grandes dificuldades alguns programas na plataforma.

É importante pra todo mundo porque a gestão do envelhecimento demanda compreensão das mudanças do corpo; avaliação das condições psicológicas e sociológicas; conhecimento dos direitos humanos; além da percepção do impacto que a arquitetura de um ambiente causa no indivíduo.

Essas e outras questões são da alçada de um gerontólogo, que é bem diferente de um geriatra. A Geriatria, por sua vez, é uma especialidade médica que estuda doenças ligadas ao envelhecimento.  

“Costumam achar que gerontólogo é dentista ou médico, além de confundirem com geriatria”.

Eva Bettine, presidente da Associação Brasileira de Gerontologia

Eva trabalhava com tecnologia da informação (TI) quando decidiu, por volta dos 50 anos, que começaria uma nova carreira.  Assistindo à televisão, viu uma reportagem sobre os novos cursos da USP e se interessou por Gerontologia. “Acredito que a área tem o papel social de atender à demanda da população idosa, que antes não tinha muita qualidade de vida. Era como se a morte fosse ludibriada com as inovações médicas, mas não havia um ganho real”, conta.

Diversas áreas do saber

Sempre esteve claro para o professor Henrique Salmazo, da pós-graduação em Gerontologia da Universidade Católica de Brasília, a necessidade de investir nos estudos para consolidação da carreira como ciência e profissão. “Hoje, não se trata de demanda apenas de profissionais da Saúde”, diz.

Os interessados pelo curso, assim como esta que vos escreve, pertencem a diversas áreas do saber, incluindo economia, direito, psicologia, serviço social, entre outros.

Salmazo decidiu a carreira por uma questão muito afetiva: “Meus avós representam sabedoria, escuta e acolhida. Cuidar deles, para mim, era um privilégio”. Durante a graduação, teve oportunidade de participar da criação da Liga Acadêmica de Gerontologia e da Associação Brasileira de Gerontologia, onde ocupa o cargo de vice-presidente.

Em seu mestrado, realizado na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, teve o desafio de implantar e coordenar a Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) no município de São Paulo. Depois, ajudou na implantação de centros-dia para idosos e nos grupos de trabalho que debatiam a regulamentação do exercício profissional do bacharel em Gerontologia.

“Creio que todos nós somos formadores de opinião para que o envelhecimento seja um processo assistido, orientado e bem cuidado”, afirma Salmazo, que está trabalhando em três projetos científicos na área.

Aprender para empreender

Jullyane Marques fez sua graduação e mestrado na USP. Agora, atua como diretora operacional e co-fundadora de uma empresa de cuidadores e home care, a Onix – Gestão de Cuidado ao Idoso. “Tudo o que o familiar não pode fazer, a gente faz. Desde acompanhar a pessoa idosa em passeios até pensar em como melhorar o ambiente domiciliar para aqueles que são mais dependentes”, conta.

Neste cenário, o gerontólogo cumpre papel de gestor que visualiza, ao menos, três pontos de vista: paciente, família e cuidador. “O papel da empresa também pretende evitar a opressão de um desses em relação ao outro. Para isso, a comunicação é um fator primordial”, explica.

Ela destaca que o gerontólogo sugere o encaminhamento do cuidado e supervisiona a situação, enquanto o cuidador cumpre uma tarefa mais operacional. Um grande desafio para ambos, entretanto, pode ser no entendimento da família com relação ao trabalho que estão exercendo.

“Algumas famílias ficam receosas com a presença de um gerontólogo em meio ao ambiente familiar. Não entendem que, para melhorar a qualidade de vida do paciente, temos que entender a situação por completo”, explica Jullyane.

Uma carreira, muitos caminhos

A cuidadora Tânia Maria Menezes de Oliveira acompanha Nazareth há quatro anos. A rotina de 12 horas compreende banhos, refeições e passeios. “Com 95 anos de idade, por conta da velhice natural, ela está precisando cada vez mais de cuidados. Tem dias em que ela está, assim como hoje, um pouco mais sonolenta, mas em outro está conversando bastante.

Tânia fez um curso de cuidados à saúde do idoso, no qual aprendeu a parte técnica da profissão. A escolha foi feita devido a uma identificação com idosos e de amor ao cuidado com o outro.

Tiago Nascimento Ordonez trabalha como coordenador do Centro de Convivência Municipal da Pessoa Idosa (CCMI) de Diadema. Ele elabora atividades que acontecem no local e pensa em políticas públicas na área. Uma de suas funções preferidas é organizar intervenções que abordam conceitos de intergeracionalidade.

“É importante para romper com estereótipos, por exemplo, o de crianças acharem que só existem idosos lentos e doentes. O intuito é relembrá-las de que uma pessoa idosa já foi uma criança antes”, afirma.

Quanto à gestão de políticas públicas para a pessoa idosa, Ordonez acredita que o Brasil está caminhando para isso. Ele fez uma especialização em Estatística e utiliza esse conhecimento para argumentar e realizar os projetos do equipamento público com base em dados reais: “fornece maior credibilidade”.

Ele estudou na segunda turma do curso de Gerontologia da EACH. Enquanto estava na graduação, teve a oportunidade de ajudar na implantação da Universidade Aberta à Terceira Idade da USP, no campus da zona leste de São Paulo, onde estudava. O convite foi feito pela professora Meire Cachioni, coordenadora do projeto.

De acordo com ele, é um pouco similar ao trabalho que realiza atualmente, no sentido de desenvolver grupos de encontros com temas que “agregassem para o bem-estar da pessoa idosa, além da Universidade servir como um centro de convivência social.” Ordonez se interessou por Gerontologia exatamente por ser uma profissão que permite o contato humano a partir de um papel de gestor.

Função estratégica

Tamiles Mayumi Miyamoto trabalha em uma operadora de saúde com foco em pessoas idosas. Ela é responsável por elaborar um plano de gestão da saúde do idoso. Uma de suas principais ferramentas são os indicadores de especialidade médica. “Faço um trabalho de analista de dados, o intuito é olhar de forma integrada aquilo o que está acontecendo com a pessoa idosa”, conta.

Um gerontólogo não precisa, necessariamente, ter contato direto com o paciente. É uma função mais estratégica. Ela ressalta que a formação compreende o entendimento do processo do envelhecimento e isso pode envolver muitos cargos diferentes dentro de uma mesma profissão.

Antes de fazer parte da operadora de saúde, Tamiles trabalhava em um núcleo de convivência do idoso. “Era uma ONG vinculada ao setor público. Nela, eu realizava um papel de gerenciamento de pessoas idosas e por isso tinha bastante contato com elas. Foi algo que trouxe bastante aprendizado, bem como o que faço agora no mundo corporativo”, conta.

Tamiles decidiu fazer Gerontologia na USP por ter uma preocupação com os idosos tanto no quesito psicológico quanto social. “Muito advém da vivência no dia a dia, como em transporte público, shoppings e mercados. É notável que a população idosa está cada vez maior.”

Informações de cursos pelo portal da UNA-SUS.
Com informações do Portal Plena e do Jornal da USP.