O avanço das agetechs

Está marcado para abril, em Londres, a segunda edição do Longevity Leaders World Congress.  O evento reunirá as maiores autoridades mundiais no campo da longevidade, de cientistas a investidores e CEOs de empresas de seguros. A aposta é que 2020 será o ano da “agetech”,  a tecnologia a serviço do envelhecimento, assim como as “fintechs”, startups financeiras ganharam destaque no mercado este ano.

Um sinal dessa movimentação já é observado no interesse dos investidores de capital de risco, como Dominic Endicott. Como sócio da Nauta Capital, ele liderou o investimento no GreatCall, empresa de tecnologia de saúde que oferece produtos e serviços para os mais velhos, quando ainda era uma startup, em 2007. O GreatCall foi comprada pela Best Buy por US $ 800 milhões, a maior aquisição já realizada pela varejista de eletrônicos.

O GreatCall é visto hoje pelo mercado como referência em  “agetech” e foi com base nessa experiência que Dominic montou um fundo de capital focado no segmento, o 4 GEN Ventures.  

Outro indício vem das próprias gigantes da tecnologia. No passado, Apple, Amazon, Google, Microsoft e Facebook tiveram 41% do seu faturamento nos Estados Unidos – algo em torno de US$ 150 bilhões, o equivalente a R$ 600 bilhões  – vinculados ao mercado da longevidade, segundo a Organização Inova Mundo, dedicada a fortalecer o ambiente de negócios por meio do conhecimento.

Campus da USP em Ribeirão Preto é referência em gerontotecnologia

É justamente para desenvolver o conhecimento sobre tecnologia no apoio à vida da pessoa idosa, que chega a sua terceira edição o Congresso Brasileiro da Gerontotecnologia. Um evento promovido pela Sociedade Brasileira de Gerontotecnologia, SBGTec, fundada em setembro de 2017. Foi no campus da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto que surgiu o embrião para essa associação científica de natureza civil, sem fins lucrativos.

Essa combinação da gerontologia e da tecnologia garante a pesquisa para a criação de interfaces tecnológicas para a saúde, habitação, mobilidade, comunicação, lazer e trabalho das pessoas mais velhas. E os resultados formam a base para designers, construtores, engenheiros, fabricantes, e aqueles que atuam nas profissões de saúde, proporcionarem um ambiente de vida melhor para os idosos. Além, é claro, de fomentar uma indústria valiosa, mas que precisa crescer pautada por limites éticos na busca obsessiva pelo antienvelhecimento.

“A pergunta é: devemos nos preocupar em viver para sempre ou em viver nas melhores condições possíveis?”, questiona a jornalista Ana Vidal Egea, na reportagem publicada pelo espanhol El País. (Link abaixo)

A resposta pede debates como os que ocorrerão em Londres e em São Paulo. São oportunidades importantes de se ampliar as discussões multidisciplinares em torno do binômio tecnologia e envelhecimento,  assim como promover o intercâmbio de saberes para o fortalecimento do conhecimento necessário à sociedade em transformação.

Três eixos devem nortear os debates: a ciência do envelhecimento e seu potencial de novos tratamentos para aumentar a expectativa de vida; bem-estar na velhice, que inclui os produtos e serviços voltados para este segmento; e os riscos da longevidade, com as métricas do impacto econômico desse processo.

Afinal, uma humanidade mais longeva exige saídas para viabilizar que as pessoas tenham conhecimento e acesso ao que precisam para melhorar sua qualidade de vida. 

Saiba mais:

Longevity Leaders World Congress.

Congresso Brasileiro da Gerontotecnologia

From first investor in greatcall to founding an agetech fund

Quem quer viver para sempre?

Sempre à mão: 15 apps para a gestão do envelhecimento

A inclusão digital do idoso não é essencial apenas para entreter e melhorar as funções cognitivas. Estou testando alguns aplicativos que têm ajudado muito no dia a dia de cuidados com meus pais. Afinal,  coisas como monitoramento a distância e teleassistência já estão disponíveis e são mais acessíveis do que se imagina.

Com mais de 230 milhões de celulares ativos no Brasil, segundo a última Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), aplicativos podem ajudar a resolver problemas de acessibilidade e segurança. 

Não testei todos ainda, mas fiz uma pesquisa do que existe e gostei do que vi. De toda forma, é muito mais fácil gerenciar uma rotina de um idoso com todas as informações necessárias sempre em mãos. 

E, com a maioria dos smartphones funcionando não apenas para um tipo de dispositivo, mas permitindo a integração com diversos aparelhos que vão desde outros smartphones até tablets, ficou muito mais fácil acompanhar os velhinhos de perto.

Confira a seguir minha lista com 15 opções que valem a pena testar:

#Socorro

O aplicativo brasileiro Socorro foi desenvolvido para situações de emergência. Criado para Sistema Operacional iOS, o aplicativo é uma mini ficha médica onde contém informações essenciais como contato para situação de emergência,  tipo sanguíneo e medicamentos usados, entre outros. 

Recomendado para ficar na página inicial do iPhone, caso ele tenha senha, suas informações vitais e a ficha médica ficarão acessíveis para casos de emergência onde os socorristas precisam dessas informações para um atendimento mais eficiente.

Contando com um botão chamado “emergência”, o Socorro acessa, através dele, telefones úteis como Polícia, Bombeiros e Samu ou contatos de emergência, como hospitais de preferência. Você pode configurá-lo ainda para enviar automaticamente um torpedo com pedido de ajuda por SMS para alguém de confiança ou uma mensagem pré-definida via Twitter para seus seguidores.

#Docway

Principal aplicativo médico do Brasil, disponível para sistemas IOS ou Android. Surgiu com o objetivo de facilitar a vida de quem precisa de atendimento médico humanizado, levando o médico até o paciente por meio da tecnologia. Hoje, conta com mais de 55.000 usuários, está presente em mais de 340 cidades, e todas as capitais do país. 

O aplicativo trouxe um conceito inédito para o segmento da saúde, revolucionando o setor desde o seu lançamento em 2015. Graças a esse projeto inovador, hoje é possível chamar o médico para uma visita onde quer que o paciente esteja, facilitando o dia a dia de quem precisa de cuidados médicos com um atendimento exclusivo e diferenciado.

#Einsten Vacinas + Meu Einstein

Esses dois aplicativos foram criados pelo Hospital Israelita Albert Einstein para facilitar na hora de agendamento de exames e manter a caderneta de vacinação em dia e ambos estão disponíveis para Sistema Operacional Android e iOS.

O aplicativo Einstein Vacinas foi idealizado pelo gerente médico da Unidade Ibirapuera ao analisar quantas pessoas não tomavam vacina ou não voltavam para uma segunda dose, comprometendo a imunização, por simplesmente esquecerem.

O Meu Einstein conta com um sistema inteligente que o informa quando seus exames estiverem prontos, enviando-os diretamente ao seu médico, caso você deseje. Além de lhe informar qual o endereço e contato da Unidade Einstein mais próxima, o aplicativo permite que você cheque o seu histórico de exames e pré-agende novos procedimentos, realizando o check- in online e antecipando protocolos necessários.

#Instant Heart Rate

Mede a frequência cardíaca utilizando o celular e está disponível para Sistema Operacional Android e iOS. Para que ele funcione, é preciso apenas pressionar o dedo indicador em cima da lente da câmera por 15 segundos e ele fará a medição do fluxo sanguíneo entre cada batimento cardíaco. É importante que faça isso em ambientes bem iluminados.

O Instant Heart Rate mostra em tempo real gráfico PPG (ECG/Cardiograph) para ver todos os seus batimentos cardíacos e possibilita a monitoração da sua frequência antes, durante e depois de exercícios. Ele permite o armazenamento do seu histórico de utilização e o envio dos resultados através de gráficos para seu e-mail.

#Glico

Utilizado para controle glicêmico, o aplicativo Glico está disponível gratuitamente para Sistemas Operacionais Android e iOS. Criado pela Unit Care Tecnologia, ele auxilia no controle da diabete, controle glicêmico e monitora os sintomas de diabetes.

Esse aplicativo possui quatro funcionalidades principais:utiliza a câmera para fazer a leitura do nível de glicose no sangue; traduzir através da câmera a sua refeição em carboidratos e calorias; manter um registro de atividades físicas; e manter um histórico de administração de medicamentos. Você encontra também no aplicativo uma gestão completa e monitoramento remoto de pacientes crônicos ou em home care.

#IDosos

Enquanto a interface de usuário do iPhone é frequentemente elogiada por ser mais simples, o sistema Android é um pouco mais complicado de lidar. Isso pode ser um problema para pessoas que não estejam acostumadas a usar smartphones ou que possuam problemas relacionados à visão. O aplicativo iDosos tenta resolver esses dilemas provendo tutoriais interativos para explicar as funções básicas de um smartphone. 

Ele utiliza emojis para ensinar a fazer ligações, escrever mensagens, gerenciar os alarmes do celular e também dispõe de narração em áudio para o passo-a-passo.

#Easy Idoso

Além de bater papo, há também quem goste de conhecer pessoas novas e participar de eventos comunitários. O Easy Idoso oferece um catálogo de atividades para a população idosa, associações de terceira idade, eventos e até auxilia a encontrar serviços úteis perto de casa, como centros de beleza.

#Fone Fácil

É um app que, além de promover acessibilidade no uso de celulares para deficientes auditivos e visuais e também idosos, é programado com um botão de pânico configurável para um contato específico. 

Uma vez pressionado o botão, o telefone automaticamente disca o número definido e envia uma mensagem solicitando ajuda. A ferramenta se revela extremamente útil para idosos que vivem sozinhos ou que precisam de acompanhamento frequente.

#Estou Bem

Outro aplicativo simples, que avisa aos familiares o que o usuário está fazendo no momento. Ele requer que, tanto a família como o usuário criem uma conta no aplicativo, e então o “emissor” das mensagens pode começar a usar as funções, que envolvem o registro de diferentes status como “Estou Bem”, “Vou Sair” ou “Ligar Urgente” em um layout colorido e com ícones grandes para facilitar o clique.

#MyTherapy

A perda de memória pode ser algo comum no processo de envelhecimento, e a tecnologia está à disposição para ajudar a reduzir o impacto dos lapsos de memória quando se trata de saúde.

Com mais de um quarto dos medicamentos sendo prescritos para idosos, que representam apenas 10% da população brasileira, MyTherapy é uma ferramenta eficaz em assegurar que comprimidos, tabletes e injeções sejam ingeridos corretamente. 

Lembretes para medicamentos podem ser programados seguindo planos de tratamento específicos e individuais, não importa quão complexos eles sejam. O app imediatamente notifica o usuário quando chega a hora de tomar seus remédios.

 Além de lembrar dos medicamentos, outras funcionalidades como notificações para atividades físicas e gerenciamento de sintomas com emissão de relatórios de saúde fazem deste um excelente instrumento de controle.

#NutraBem

Criado por um grupo brasileiro de nutricionistas, o NutraBem é um aplicativo que tem como objetivo auxiliar na reeducação alimentar. Pensado para agir de acordo com os hábitos alimentares do nosso país ele torna muito mais fácil e consistente na hora de controlar o número de calorias ingeridas, facilitando a escolha de alimentos e até substituindo alguns.

Disponível para Sistema Operacional Android e iOS, o NutraBem não necessita de internet, o que facilita seu uso em qualquer lugar e a qualquer hora. 

Esse aplicativo permite simular as refeições antes do consumo para orientação das decisões, além de calcular a necessidade diária de energia para a meta de peso que se deseja atingir.

#Water your body

Classificado como “Excelente” pela Applause, empresa americana especializada em testes de software que ranqueia os melhores aplicativos de saúde, o aplicativo Water your body calcula a partir do seu peso o quanto você precisa beber de água por dia.

Definindo os horários das notificações e o intervalo entre elas, o Water your body, informa quanto você já consumiu de água. 

Disponível de forma gratuita, e paga, por Sistemas Operacionais Android e iOS, esse aplicativo permite que você crie copos com medidas personalizáveis e visualize o histórico de consumo, além de um relatório em forma de gráfico com o consumo de água diário, a média semanal e a anual.

#Google Fit

Esse aplicativo do Google foi criado para auxiliar quem pratica exercícios, ou quer começar. O Google Fit monitora o quanto você caminha, corre e pedala por dia através do acelerômetro e do GPS do aparelho, mostrando seu desempenho diário e semanal.

Disponível para Sistema Operacional Android, permite que você crie metas e acompanhe a perda de peso. Marcas como Nike e Adidas também desenvolveram aplicativos compatíveis com os dois sistemas: recomendo tanto o Runstatic como o Nike Trainning. Uso os dois para organizar meus treinos de corrida.

#Medite.se

Disponível para baixar em IOS e Android, o app de meditação serve para tirar o máximo de proveito no dia-a-dia. Com apenas alguns minutos por dia, é possível aprender a treinar sua mente e corpo para uma vida mais saudável e tranquila. Os áudios de narração estão disponíveis em português, e podem ser baixados para escutar off-line.

Com Portal Plena e O Estado de S.Paulo.

Em busca da capacidade de colaborar além das tecnologias

Eu não sei bem ao certo quando começou meu interesse pela transição demográfica e pelo impacto do envelhecimento no mundo. Mas eu sei que tenho tido oportunidades incríveis de mudar meu olhar sobre a maturidade, arregaçar as mangas e tomar atitudes práticas para colaborar com esse processo.

Até meu temor de ficar velha e não ser mais quem eu sou passou. Não é porque envelhecemos que necessariamente perdemos nossa essência. E tenho tentado fazer a lição de casa direito, cuidando do corpo e da mente, já pensando numa velhice com autonomia.

“Toda idade tem prazer e medo”, como canta Frejat em Amor pra Recomeçar.

Mas eu penso que tenho tido mais prazer do que medo…Estou feliz em perceber que o correr dos anos me fez mais tolerante e generosa. É claro que isso não é uma regra e já tratamos da diversidade no envelhecimento aqui nesta Casa.

Óbvio que o despertar para a longevidade bem vivida se intensifica dia a dia desde que passei a conviver com as peripécias da minha dupla de velhinhos. Meus pais são fonte de  inspiração para muitos dos temas aqui tratados por mim.

E se tem uma coisa que percebi ao me mudar pra uma cidade do interior por causa deles, é quão importante pode ser a colaboração nessa fase.

Conviver numa comunidade colaborativa pode nos tornar pessoas mais maleáveis. O que nos leva a aceitar os desafios impostos pelos anos e a envelhecer melhor.

E, vamos combinar, é igualzinho no mundo virtual, que abre oportunidades ímpares de colaboração.  Esse blábláblá todo pra contar que encontrei muita gente bacana por esse caminho que a minha vida tomou.

Gente que, assim como eu, se dedica a buscar soluções para este Brasil Sênior.  

E a partir do momento que temos a mesma (boa) intenção nada mais natural que exista uma colaboração entre nós. E que ela vá além da tecnologia. Assim surgiu minha parceria com a Ana, do Portal Plena, e com a Juraci, do Viva a Velhice. Um blog que como ela mesmo descreve é feito pra todas as idades.

Não podia deixar de me referir  também a colega Katia Brito, do Nova Maturidade, um canal super bacana e do qual passo a reproduzir conteúdo. É de lá as informações que trago sobre a edição do Simpósio da Longevidade Ativa.

Munidos pelas novas tecnologias

Como tem sido anualmente, foi um dia todo de debate sobre quatro pilares do envelhecimento ativo – Cuidados, Informática, Preconceito e Saúde Mental. Realizado na USP, o evento trouxe a visão de especialistas como a professora Monica Perracini, do programa de Mestrado e Doutorado em Fisioterapia da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid). Ela destacou a tecnologia como uma importante ferramenta para se viver melhor.

Como escrevi em Movimento para inclusão digital do idoso ganha força, a longevidade também tem aberto um enorme potencial para novos negócios. E atrai a atenção de startups, que apostam na criação de produtos e serviços que vão desde casas inteligentes e dispositivos de segurança até assistentes digitais de saúde e  acompanhamento social e cognitivo.

“A tecnologia pode ajudar, mas não deve substituir o contato, que transforma quem recebe e quem oferece o cuidado”, alertou Monica.

Contato virtual estimula contato real

O contato real é essencial, mas a interação digital pode ajudar e muito. É que apontou a gerontóloga Glaucia Martins de Oliveira Alvarenga. Ela trouxe dados sobre os impactos das redes sociais na redução dos riscos de isolamento e solidão.

Sua pesquisa revela que com a maior integração, os idosos descobrem novas habilidades. A inclusão digital provoca ainda a atualização e colaboração, criando outras novas redes de suporte.

A tecnologia também pautou o diálogo com Fabio Ota, CEO da International School of Game, a IS Game. Ele apresentou o trabalho da empresa que ensina adultos 50+ a desenvolver games, contribuindo para o desenvolvimento do raciocínio lógico e a prevenção do declínio cognitivo. O projeto que funciona na Unicamp, tem unidades em São Paulo, e foi financiado pela Fapesp.

O principal desafio, segundo contou, foi e ainda é o preconceito por parte dos próprios idosos. Daí a criação do projeto Cérebro Ativo, uma academia de ginástica cerebral, que aos poucos vai quebrando essa barreira.

E falando em preconceito, o professor Egídio Lima Dórea, organizador do simpósio e coordenador da USP Aberta à Terceira Idade, moderou um módulo inteirinho sobre o assunto.

Foi quando o professor Jorge Felix, do Centro de Estudos da Economia da Longevidade, abordou a tradução do termo “ageism”, criado pelo psiquiatra americano Robert Butler, em 1968.  Ele defende que o mais adequado seria adotarmos “idosismo”, e não “ageísmo” como é utilizado hoje. Isso porque, segundo Felix, o termo atual retira a ênfase da pessoa idosa, nega a velhice, não caracteriza a estigmatização e fragiliza o sujeito político na esfera pública.

Competências para o mercado de trabalho

O preconceito no mercado de trabalho foi discutido pela consultora organizacional psicodramatista, Izabela Toledo, da FESA Group. Ela trouxe o exemplo de seu avô Celso Falabella de Figueiredo Castro, que faleceu aos 103 anos, e foi lúcido até os cem.

Contando a história dele, ela destacou as competências que ele tinha e hoje são exigidas: adaptabilidade e resiliência; curiosidade pela vida e aprendizagem; coragem para experimentar e mudar; e relacionamento, além do sentido de pertencer.  

Por isso, é preciso vencer os nossos próprios preconceitos, a dificuldade de lidar com o desconhecido, e encarar o novo como uma possibilidade de aprender algo diferente.

O preconceito nas instituições de saúde existe e foi destacado pela professora Ana Cláudia Bonilha, doutoranda em Saúde Coletiva. Na sua avaliação, a saída para amenizar o problema é ajustar o modelo de atendimento ao idoso, rever valores e crenças que causam a discriminação etária e formar profissionais capacitados.  

Ana Cláudia usou o termo “gerontofobia sanitária” para a aversão do idoso no campo da saúde, que resulta na generalização de dores, uma investigação pouco minuciosa dos sintomas e o preconceito em diagnosticar doenças sexualmente transmissíveis.  

O que eu posso fazer de verdade?

Dórea também foi moderador do módulo inicialmente chamado de Saúde Mental, mas renomeado por ele de Bem-estar. Rui Afonso, do Grupo de Bem-Estar e Práticas Contemplativas do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, abordou os benefícios da meditação, para qualidade de vida.

“Adotar um novo estilo de viver, atividade física e alimentação pode retirar a pessoa do envelhecimento mal sucedido”, disse.

Ele ressaltou os aspectos positivos da atenção sustentada na prática contemplativa, quando a pessoa se concentra e relaxa a lógica, ou seja, não analisa, não julga e não cria expectativas.


O tema “Envelhecimento e Propósito” encerrou o evento, que contou com a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de José Gregori,ambos com 88 anos. “É um momento de requalificar, redimensionar, repensar as coisas, e perceber se ao que se dedicou valeu realmente a pena”, disse Gregori, presente também na edição do ano passado.

Para FHC, a vida é feita de acasos. Ele destacou a importância de viver a plenitude de cada momento, manter uma jovialidade espiritual e a capacidade de entender o que está mudando, diante das enormes  transformações do mundo. E, em vez de pensar no que passou ou ficar idealizando o que vai acontecer, buscar o que de fato pode ser feito.

Movimento para inclusão do idoso no mundo digital ganha força

Todo dia quando encontro minha mãe ela reclama de algo no smartphone porque não sabe mexer direito. O fato é que ela fuça pra caramba e acho isso bom. Além de distrair-se com o WhatsApp, o ato estimula suas funções  cognitivas como memória, velocidade de resposta e raciocínio. E isso já é comprovado cientificamente.

Mas antes da minha mudança aqui pra perto, ela sequer tinha acesso a internet. E além de pegar no seu pé pela alimentação e prática de atividade física, a estimulei a desbravar esse mundo novo de possibilidades, como acessar o internet banking para controlar o seu orçamento.

Embora tenha sido difícil no começo (e ainda é), é um dever da gente ajudar nessa transição. É claro que nem todo mundo tem paciência e eu mesma já perdi a minha zilhões de vezes, mas já há um movimento inteirinho destinado a inclusão dos 60+ nesse admirável mundo digital. O Senior Geek tá aí pra isso é a prova de que muita coisa bacana pode render a partir dessa boa vontade.

“Acreditamos que tecnologia serve para conectar e não para excluir. Ajudamos os 60+ a desenvolver habilidades no mundo digital de forma simples e divertida por meio de cursos, workshops e bate-papos”, conta o idealizador do projeto, Dudu Balochini, da Totalidade Produtora e Consultoria.

Sinal de que o movimento tem dado resultado vem do Google, que elegeu a Senior Geek como startup zone de 2019. Trata-se de um programa realizado no Campus de São Paulo em que o próprio Google oferece mentoria a iniciativas como a de Balochini.

Foi lá que aconteceu o encontro do qual participei no finalzinho de abril. Os assuntos tratados foram os mais diversos. As pautas incluíram desde a postura adequada para usar celular e o papel do influenciadores seniores, até o potencial do mercado prateado e a telemedicina.

Batizado Business for Senior, B2S, os negócios digitais para e idealizados por maduros têm ganhado espaço em todos os cantos. No final de abril também, a Vila Mariana, o bairro que me abrigou por mais de duas décadas em São Paulo, acolheu também o primeiro hub de inovação do Brasil especializado no público sênior.

Para quem está no limbo dos 50

De acordo com os sócios do projeto, um trio de professores egressos da ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing, a NEXTT 49+  chega para auxiliar profissionais em transição de carreira e até mesmo aposentados que desejam empreender, investindo em um negócio próprio.

Um público que está em crescente ascensão na sociedade brasileira e que anda desassistido, seja como empreendedor, seja pelo próprio mercado, que lentamente vem descobrindo seu enorme potencial.

Embora não tenha acesso aos benefícios dos 60+, é um grupo que padece de atendimento. Os 49+ representam cerca de 50% da renda bruta familiar e não encontram produtos e serviços desenvolvidos especialmente para seu perfil.

E das 2,6 milhões empresas criadas no País no ano de 2018, 34,2% delas tem por trás pessoas acima dos 50 anos, de acordo com o Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. É aí que a NEXTT 49+ pode ajudar, com metodologia desenhada para gerar valor e oportunidades para startups, envolvendo grandes empresas e investidores, em uma iniciativa que vai além de um local compartilhado de trabalho.

Além dos empreendedores, a NEXTT 49+ também vai atender executivos seniores que precisam se adaptar ao mercado de trabalho e às transformações digitais e, ainda, empresas de qualquer porte que desejam criar produtos ou serviços para o público maduro.

Tecnologia como aliada da longevidade

A terceira edição do Simpósio de Envelhecimento Ativo da USP – Universidade de São Paulo, é outra iniciativa que este ano dedicou dois painéis inteirinhos para o assunto ao tratar da revolução tecnológica como aliada da longevidade.  Realizado hoje, 16 de maio, o evento reúne profissionais da saúde, estudantes e pesquisadores interessados na área da longevidade.

De acordo com o professor Egídio Lima Dórea, coordenador do Programa de Envelhecimento Ativo da USP, estamos vivendo uma revolução da longevidade que é fundamentada pelo aumento significativo da população idosa mundial. E pela ruptura de vários padrões relacionados ao idoso e do seu papel na sociedade.

“É de fundamental importância que seja criada uma cultura de saúde e bem-estar na maturidade, que inclua, pelos brasileiros, a adoção de hábitos mais saudáveis e atitudes preventivas para que se possa chegar a idades mais avançadas em boas condições física, mental, psicológica e espiritual”, destaca.

As palestras foram desenvolvidas tendo como base o conceito dos quatro pilares – saúde, segurança, participação e aprendizado continuado – desenvolvidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2002, quando lançou o alerta “Envelhecer bem deve ser prioridade global” ao constatar que a população de 60 anos será maior do que os menores de cinco anos em 2021.

O número de idosos cresceu 18% em cinco anos, superando a marca dos 30,2 milhões em 2017, segundo pesquisa nacional realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. As mulheres são maioria expressiva nesse grupo, com 16,9 milhões (56%), enquanto os homens idosos são 13,3 milhões (44%). Outro estudo, realizado pelo Sistema Estadual de Análise de Dados – Seade, aponta que a população idosa do Estado de São Paulo representa 14,8% dos 44 milhões de habitantes.

Importante destacar que quando se tem boa vontade sempre dá pra ajudar. O nosso papel é incluir aqueles que estão mais próximos. E nessa hora é preciso uma geropedagogia que eduque o idoso para ele seja o protagonista do próprio envelhecer.

Faça sua parte!

Deixo como exemplo o caso do estudante de Direito Alexandre Drabecki, de Curitiba. Ele criou um tutorial para a avó da namorada aprender a usar o WhatsApp no primeiro smartphone da senhorinha.

Desenhado a mão, o manual traz os ícones da rede social e explica o significado de cada um em detalhes. Os comandos vão desde como abrir o aplicativo no celular até ouvir e gravar áudios.

As pessoas curtiram a postagem em que ele conta o feito e logo começaram a pedir para compartilhar o material disponibilizado por ele aqui.

Que tal ensinar algum amigo ou parente mais velho também?

Com Proxxima e Jornal da USP.

Já parou para pensar como é envelhecer por dentro?

Estou de volta depois um tempinho ausente. É que estava trabalhando no novo Casa de Mãe, que acaba de completar um ano. Pode ser que não se note tanta diferença estética, mas o “backoffice”, como se diz, está mil vezes melhor.  Agora não é o que tempo faz do lado de dentro da gente. O “backoffice” do nosso corpo se transforma automaticamente com o passar dos anos. É o natural da vida, já que não inventaram nenhum tipo de botox pro pulmão, pro coração ou pro intestino.  Ainda!

Eu trago esse assunto porque participei no último sábado de um congresso de Radiologia, em São José do Rio Preto. Os organizadores trouxeram um painel inteirinho dedicado ao envelhecimento.  Pra quem não sabe, a Radiologia é a área médica que usa imagem para diagnosticar e tratar doenças.

Nem preciso dizer que foi muito produtivo porque é sempre gratificante ter acesso ao conhecimento. Espero conseguir compartilhar um pouco desse aprendizado.  

Que tal começar observando a diferença entre um pulmão de 25 anos e um de 75 anos, na foto abaixo:

Sim! É isso que você está vendo. O envelhecimento modifica  anatomicamente e fisiologicamente nosso interior. Mas eu nunca tinha parado para pensar sobre o meu lado de dentro – nossa retaguarda.

Esse é um desafio que foi apresentado aos novos profissionais, que precisam entender as modificações dos órgãos nos idosos. Como tudo muda de forma, a mecânica de coisas simples, como respirar, por exemplo, fica naturalmente diferente.

Reconhecer essas mudanças é fundamental para não tratá-las como patologia e realizar um diagnóstico preciso.

Sim, porque o diagnóstico por imagem ganhou precisão com equipamentos como ultrassonografia, tomografia computadorizada, medicina nuclear, radiologia intervencionista e ressonância magnética. Mas é óbvio que tudo isso exige qualificação profissional.

De nada adianta tanta tecnologia sem formação adequada.  Porque um monte de dados não vale de nada se não houver um bom analista para interpretá-los.

Taí um lado bom do envelhecimento da população. A gestão de pessoas idosas abriu um campo de especialização em diversos setores da cadeia produtiva.  A Gerontologia é hoje uma das áreas de maior crescimento.

Agora, sem investir em Pesquisa & Desenvolvimento também, muito pouco se poderia fazer em prol do bem-estar do idosos. É preciso entender que a tecnologia é uma ferramenta fundamental para as diversas condicionalidades e demandas inerentes ao processo de envelhecimento.

Tecnologia em favor da longevidade

Um exemplo disso é o tomografo da GE Healthcare que consegue capturar imagens detalhadas do interior do corpo humano na velocidade de um único batimento cardíaco. Para se comparar, os modelos tradicionais precisam de cinco a 13 batidas.

Por ser mais rápido, com maior cobertura, permite fazer exames mais precisos em pacientes como crianças que se mexem muito ou idosos que não conseguem prender a respiração.

O que essa dobradinha – profissionais gabaritados e tecnologia de ponta – proporciona?

Simples: maior longevidade, melhor qualidade de vida, detecção precoce de doenças, tratamentos mais eficazes, menos invasivos e mais seguros, além da redução do tempo de internação hospitalar e da mortalidade.

A Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde (Abimed) destaca ainda os transplantes realizados aqui, que deram respeitabilidade mundial ao Brasil. E o sistema de neuronavegação, um conjunto de tecnologias assistidas por computador que possibilita a ressecção de tumores cerebrais permitindo cirurgias com maior segurança em locais do cérebro de difícil acesso.

Outros avanços importantes como produtos para audição, medidores de insulina e marcapassos, para citar alguns apenas, revolucionaram a saúde fora do ambiente hospitalar. E novos players devem continuar trazendo mudanças no mercado de saúde.

Os serviços de monitoramento remoto de pessoas deverão ser ampliados. A radiologia intervencionista tende a ser a nova cirurgia. A robótica ganhará espaço assim como a genômica.  A telemedicina deverá se intensificar.

A minha dúvida é: será que só quem tem dinheiro terá acesso? Espero que não! Como a internet que hoje beneficia quase 4 bilhões de pessoas no mundo, espero sinceramente que milhões de pessoas de áreas mais distantes do País possam ser atendidas remotamente e ganhar qualidade de vida.

Que assim seja!

Informação à moda antiga

Cebes lança radionovela para ampliar conhecimento sobre o SUS. E a Rádio 60.0, quem diria, é tocada pelos velhinhos mais animados do litoral santista.

Quais são seus hábitos matinais? O que você costuma fazer logo que sai da cama? Bem, eu vou te contar um segredinho! Antes mesmo de escovar os dentes, eu ligo o rádio. E quando não tem um aparelho perto, escuto o noticiário – do rádio – pela televisão ou pela internet.

O rádio foi o maior companheiro de todos os brasileiros até a chegada da televisão, internet e a popularização do cinema. Era o grande veículo de comunicação que levava às casas das pessoas músicas, notícias e entretenimento.

No anos 1930 era comum se ouvir no rádio grandes textos teatrais. No entanto, o grande marco deu-se no início dos anos 1940, quando estrearam as radionovelas no Rio e em São Paulo. O gênero logo caiu no gosto do público e foi sucesso de audiência por duas décadas.

Segundo contou a jornalista Rose Saconi, no acervo de  O Estado de S. Paulo, as radionovelas estimulavam a imaginação dos ouvintes. “Era a magia do rádio que permitia se acompanhar uma boa história apenas por meio de vozes e som ambiente”, escreveu.

Os recursos eram poucos, apenas os chamados radioatores protagonizando as tramas com a utilização da voz e os criativos efeitos de sonoplastia. Uma terrível tempestade, por exemplo, não passava de uma folha de zinco balançando. Cavalos em galope eram apenas cascas de coco batendo numa mesa.

Um clima agora resgatado pelo Centro Brasileiro de Estudos da Saúde (Cebes), com o projeto ComunicaSUS.

Serão dez episódios de radionovelas curtas para ajudar a levar informações sobre o Sistema Único de Saúde. A ideia é conscientizar a sociedade sobre seus direitos, além de valorizar o trabalhador da área, de modo a consolidar o sistema.

Nas radionovelas, SUSete, uma jovem agente de Saúde, vai dividir grandes questões com suas companheiras Ângela e Norma, entre tantos outros personagens, sobre a missão de democratizar a comunicação e a informação no SUS.

Sobre o Cebes

O Centro Brasileiro de Estudos de Saúde é uma entidade nacional criada em 1976, cuja missão histórica é a luta pela democratização da sociedade e a defesa dos direitos sociais, em particular o direito universal à saúde.

Como espaço plural suprapartidário, reúne ativistas, lideranças, pesquisadores, professores, profissionais e estudantes. Mais do que isso, articula e participa de frentes e alianças com diversos movimentos sociais, grupos e entidades da sociedade civil.

Rádio 60.0

E por falar em rádio, já ouviu a 60.0? Projetada para “dar voz” aos cerca de 80 mil idosos de Santos, em São Paulo, a Rádio 60.0 é iniciativa da prefeitura, tocada pelos velhinhos mais animados do litoral. A programação do veículo transmite, via internet, músicas dos anos 60 a 2000: de Agostinho dos Santos a Clara Nunes e Wanderléa.

O projeto oferece workshop de capacitação em técnicas de rádio aos idosos.  O treinamento tem duração de uma semana e os alunos podem, após a formação, integrar o grupo de voluntários que participam da produção, edição e locução da 60.0.

As aulas ministradas incluem temas como cidadania, internet, redes sociais e aplicativos de celular, história do meio de comunicação e técnicas de locução.

Maturidade que inspira inovação

Estive sumida e não atualizo o Casa de Mãe faz um tempinho.  Mas juro que foi por uma boa causa. Fui buscar aprendizado, me atualizar e trocar ideias com gente que pensa diferente. Sair da minha bolha. E esse movimento é vida!

Se movimentar é necessário até mesmo na solidão para se confrontar consigo mesma. Mesmo em silêncio, sozinha, em busca de reforma íntima, é preciso suar muito para alcançar equilíbrio, no trato com a diversidade dos fatos, de pessoas e de situações.

E, em tempos tão sombrios como o atual, faço minhas as palavras de Paulo Freire. “É preciso esperança. É preciso esperançar. E esperançar é se levantar, é construir, é não desistir.”

É por isso que mesmo podendo atualizar o blog, não o fiz. Faltou-me inspiração para coisas realmente relevantes, do meu ponto de vista, é claro. Ia ser só mais conteúdo num mundo já repleto de informação inútil. E ia ser só mais um canal sem a minha identidade.

“Casa de ferreiro, espeto de pau”, muitos dirão. Mas não acredito nesse ditado. O exemplo é sempre o melhor caminho. E uma palavra pode mudar tudo. Mudar uma palavra pode mudar a vida de alguém. Está tudo integrado: pensamento, vibração, palavra e atitude. Somos seres múltiplos e plurais.

E aí está a dificuldade. Escrever por escrever não faz mais sentido.  Eu acredito que cada palavra transmite uma frequência que pode te elevar ou te derrubar.  E é justamente por acreditar no que prego que fui buscar conhecimento e, consequentemente,  elevação.

Social Media Week e o eterno aprendizado

Participei de diversas atividades do Social Media Week, que esse ano abriu espaço para a Economia Prateada. Sim, havia palestra e palestrante para nossos longevos! O que me deixou bastante feliz.

Também li alguns livros, tomei uns bons vinhos com amigos e ouvi histórias. Não tem coisa melhor… Principalmente se você enfrenta dificuldades em lidar com a rotina de pais idosos e com a própria vida. Não é fácil para ninguém, porque os problemas vão tomando proporções descomunais quando não se está sereno.

Em busca de inspiração também estive falando com alguns empreendedores, que têm impulsionado a inovação no Brasil ao buscar soluções para melhorar nossa perspectiva de vida diante da longevidade. Entre eles encontrei gente bacana, como a Mônica Perracini e seus três sócios.

Eles criaram uma plataforma de conteúdo para ajudar a melhorar a qualidade de vida dos cuidadores familiares de idosos. Só quem passa pelas dificuldades de tomar decisões todos os dias sabe o quanto a informação se torna um ativo dos mais valiosos. Sempre foi, mas o que esse time fez foi reunir tudo num único lugar. Conteúdo de qualidade e com respaldo de especialistas. Confere aqui  que vale muito a pena.

Um baita exemplo de como tecnologia e inovação são aliadas de quem cuida e de quem é cuidado. “A ideia é criar um market place com fornecedores capazes de suprir todos os tipos de necessidades, além de manter uma rede de compartilhamento de experiência”, conta Mônica.

A tecnologia e a inovação têm proporcionado a criação de uma ampla gama de produtos e serviços cada vez mais customizados para consumidores de faixas etárias mais avançadas. Por apostar em novos modelos de negócios, as startups têm tirado melhor partido das oportunidades sinalizadas pelo mercado 60+.

Foi assim que nasceu a ISGAME, uma escola de games inovadora que fortalece a saúde mental. E cá entre nós, a gente sabe como isso é importante.

Lá, o Fabio Ota desenvolveu uma metodologia inovadora que ensina pessoas com mais de 50 a jogar e a programar os próprios games, estimulando o raciocínio lógico, memória, criatividade e integração intergeracional. A história dele é incrível, começa com o cuidado com o avô e está detalhada aqui.

Outra que nasceu das inquietações de um filho sobre o acompanhamento da rotina de cuidados da mãe, de 84 anos, é a Gero360.

A intenção de Leônidas Porto de participar mais ativamente desta rotina, sem interferir na autonomia e na independência da mãe, o levou a se aprofundar nas necessidades de outros idosos e a buscar alternativas para o bem-estar do “adulto maduro” e para a tranquilidade de suas famílias.

A necessidade virou projeto. O projeto conquistou pessoas. Estas pessoas formaram uma equipe e, juntas, estão unindo conhecimento, experiência em diferentes áreas do saber e tecnologia para impactar positivamente a rotina dos mais de 25 milhões de idosos no Brasil e de suas famílias.

A startup desenvolve soluções tanto para o segmento B2C quanto para o B2B.  No B2C, o aplicativo visa organizar a rotina do idoso com autonomia, alertando-o para temas relevantes como horário de atividades, medicamentos, medições vitais, etc. e ainda conectando-o com quem desejar (família, cuidadores e amigos). No B2B, a inovação fica por conta de sistema para gerenciamento de estoques de medicamentos de ILPIs (Instituições de Longa Permanência) e assemelhados.

Gero 360, ISGame e Plug And Care não são as únicas a usarem a longevidade para impulsionar a inovação no Brasil. Espero trazer outras histórias mais, que nos façam refletir e resistir quando os problemas ganharem aquelas dimensões desproporcionais.