Uma população ainda sem voz

Não precisa ser idoso nem cuidador para participar de debates em busca de cidades mais inclusivas.  Qualquer cidadão pode integrar os conselhos municipais e ajudar a pensar políticas públicas que, no futuro, vão beneficiar todo mundo. Questões importantes como a mobilidade urbana ainda precisam ser asseguradas e estão longe de um consenso.  E falar sobre esse tema significa estar atento a várias situações do espaço público, que impactam diretamente nas nossas vidas. Não se trata de criticar o governo, mas de se empenhar para transformar o ambiente coletivo. 

Agora, se o conselho dá voz aos idosos, ou maduros, seja lá qual for o nome dado ao envelhecimento, essa população ainda está muda.  Hoje só metade das cidades tem esse canal de comunicação. O quadro piora quando se olham os estados isoladamente. Em Alagoas, 16% dos municípios contam com conselho. No Pará, no Amapá e em Roraima, 27%. Na Bahia, no Piauí e em Minas Gerais, 34%. Os dados são do IBGE.

Essa tímida difusão é um problema porque deixa a população mais velha quase tão invisível como era antes do governo Itamar, quando a lei pela primeira vez trouxe uma lista de direitos específicos para os brasileiros com mais de 60 anos. Era 1994.  Um dos artigos determinou que cada cidade abrigaria um Conselho Municipal do Idoso, com a incumbência de fazer os novos direitos valerem e impedir que o poder público e a sociedade continuassem atropelando os mais velhos.

E, em razão das limitações de saúde típicas da idade, os idosos dificilmente conseguem se mobilizar em ONGs que militem por seus direitos — ao contrário de outros grupos também ignorados, como os negros, os portadores do HIV e as pessoas com deficiência.

A presidente do Conselho do Idoso de Florianópolis, Leny Nunes, afirma que os mais velhos são vítimas dos mais variados tipos de violência o tempo todo. Ou seja, o idoso é violentado quando lhe negam prioridade no banco, no ônibus ou no hospital, quando a cidade não oferece infraestrutura adaptada para que ele possa ir e vir, quando a família se apossa de sua aposentadoria, e quando os filhos o despejam numa instituição de longa permanência [a atual denominação do asilo].

“O Brasil tem leis e políticas suficientes e boas para o idoso, mas elas não são postas em prática. O que os conselhos fazem é lutar para que o idoso tenha o respeito que merece”, diz.

Pioneira, a lei de 1994 foi criada para atender o artigo da Constituição de 1988 que diz que “a família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas”. Ela, contudo, vinha sendo ignorada sem pudor. Por isso, o Congresso aprovou em 2003 o Estatuto do Idoso, mais abrangente, detalhado e punitivo do que a lei anterior. Com o estatuto, os conselhos municipais tiveram sua utilidade reforçada.

Em Brasília, por exemplo, o conselho do idoso pressiona o governo local a abrir vagas na educação de jovens e adultos (EJA), o antigo supletivo, especificamente no período diurno. Há poucos idosos na EJA porque as aulas quase sempre são ministradas à noite, nas escolas que durante o dia oferecem o ensino regular a crianças e adolescentes. Os mais velhos evitam sair à noite por motivos como a escassez de transporte público, o risco aumentado de assaltos e até mesmo a friagem, que lhes ameaça a saúde.

A demanda por escola na velhice não é pequena. Enquanto a taxa de analfabetismo da população brasileira como um todo é de 7%, o índice sobe para 20% entre os idosos e chega a 30% no caso dos idosos negros.  “Quando se fala no idoso, pensa-se muito na pessoa adoecida, que precisa apenas de políticas públicas de saúde e de assistência social. Mas não pode ser só isso”, diz o presidente do Conselho do Idoso de Brasília, Ronnes Pereira.

Isso porque as pessoas estão cada vez mais envelhecendo com saúde. Para não ser apartado da sociedade, o idoso também tem de contar com políticas de educação, trabalho, esporte, lazer e cultura.

Quando faltam políticas, cabe ao conselho municipal acionar a prefeitura e os vereadores. Quando elas existem e são desrespeitadas, recorre-se à polícia e ao Ministério Público. As leis permitem que cada conselho crie um fundo, alimentado com verba pública e doações, para custear projetos.

O conselho é formado por funcionários da prefeitura e cidadãos comuns, que atuam de forma voluntária, sem salário. Mesmo havendo conselheiros indicados pelo poder público, suas despesas administrativas são custeadas pelos cofres municipais. O órgão não é subordinado à prefeitura.

Leia também: Um novo canal para fortalecer os conselhos municipais de São Paulo

Com informações da Agência Senado e do Jornal da Terceira Idade.

Um novo canal para fortalecer os conselhos municipais de São Paulo

Ao mesmo tempo em que tanto acontece, parece que nada de novo se apresenta no universo da transição demográfica e do envelhecimento. Mas não é bem assim. Histórias de vida são sempre bem-vindas e nos trazem inspiração não só para escrever, como para tomar decisões que farão a diferença na nossa existência. Mas precisamos replicar essas boas experiências de alguma forma. Foi assim, conversando com o jornalista Ricardo Mucci, um ativista da maturidade moderna como eu, que despertei para o tema da importância do papel dos Conselhos de Idosos.

A nossa conversa foi justamente para entender melhor o projeto dele que, embora recém- nascido, já está estruturado para ganhar corpo. Trata-se da Rede Amigo do Idoso de São Paulo-RAISP, que envolve 132 municípios com população acima de 50 mil habitantes.

Uma iniciativa aprovada e certificada pelo Conselho Estadual do Idoso de São Paulo e pela Secretaria de Desenvolvimento Social do Governo do Estado de São Paulo. E que tem a Umana, empresa do Ricardo, e a Fundação de Apoio à Pesquisa, Ensino, Tecnologia e Cultura (Fapetec) à frente. Algo possível porque a Umana é o embrião da UP Sênior, uma plataforma de comunicação especializada na temática da longevidade.

Entre as ações verticais que integram o projeto está o lançamento do canal de TV-web ViverAgora e da promoção da SêniorWeek; a largada dos workshops SêniorDigital e a estreia do SouDino.com, que será o protagonista de palestras, conferências e eventos. A estratégia está alicerçada na produção e difusão de conteúdos em formato de estudos, projetos, palestras, portais, cursos e vídeos.

O conceito macro é composto por três pilares: Comunicar. Incluir. Transformar.Entendemos que a qualidade da longevidade da geração sênior está diretamente ligada ao acesso à informação e ao conhecimento”,  conta Ricardo. 

A ideia é justamente atualizar e formar os Conselhos para conscientizar não só os idosos, mas toda sociedade da necessidade de discutir e implementar políticas públicas. Além disso, é preciso esclarecer para a população que os maduros superativos são exceção e não regra.

“Para a maioria a idade chega e há desafios que passam longe de bater recordes esportivos ou pular de paraquedas. São questões do dia a dia de quem enfrenta o envelhecimento na prática”.

Os conselhos funcionam como organização capaz de estreitar a relação entre o governo e sociedade civil a partir da participação popular em conjunto com a administração pública nas decisões regentes na sociedade. Um exercício de democracia na busca de soluções para os problemas sociais, com benefício da população como um todo.

Mas se os conselhos são tão fundamentais para desenvolvimento de áreas sociais porque o atual governo deu um passo atrás ao alterar seu funcionamento na esfera da União? É um retrocesso, de fato, como a maior parte das decisões que tem tomado o presidente Jair Bolsonaro.

Não à toa, a medida foi contestada pelo Grande Conselho Municipal do Idoso de São Paulo, presidido pela professora Marly Feitosa, que aprovou na sua assembleia da última semana Moção de Repúdio ao Decreto Federal 9893 de junho de 2019. Uma medida que desmontou o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa e criou um novo modelo que restringe a participação da sociedade civil.

Isso, contudo, não impede que os conselhos de âmbito municipal, permaneçam atuantes e contribuam para a definição dos planos de ação da cidade. Cada conselho atua de maneira diferente, de acordo com a realidade local. E, dentre as suas atribuições, inclui-se a defesa dos direitos dos cidadãos idosos.

Assim, mesmo quem ainda está longe da velhice também pode e precisa se mobilizar, inclusive participando desses conselhos. Muitos jovens ainda não veem que, quando lutam pelos idosos, acabam agindo em causa própria.

Os direitos que os jovens derem agora a essa população serão desfrutados por eles próprios no futuro.

Se a morte é natural, porque é tão complicado falar sobre ela?

As últimas semanas foram marcadas pela passagem de muitos conhecidos, parentes e amigos queridos. Mais de três velórios em pouco menos de 30 dias, um ritual que levou-me ao questionamento sobre a finitude da vida e como quero planejar o meu fim. Sim, pois sabemos que ninguém veio aqui ficar para semente, é fato.

Sou estudiosa da filosofia espírita e encontrei nela a didática que mais sentido faz,  pra mim.  Mas está claro que tem algumas coisas que não consigo aceitar bem, como aguentar o sofrimento até o último suspiro para cumprir minha missão. A fé exige raciocínio. E acredito que tenha alguns direitos além de deveres.

A questão vai além de religiosidade. 

Legalmente também é complicado.  Conversei com um advogado que me esclareceu (leia abaixo) todos os obstáculos que posso enfrentar para que respeitem minha vontade, em casos de doença terminal, sem perspectiva de melhora em curto prazo. Ele vai me orientar nessa parte, pois eu quero deixar tudo pronto. Vou dar spoiler do gran finale, por suposto!

Essa decisão não foi tomada de uma hora para a outra. A primeira vez que tive contato com a ortotanásia (boa morte, supostamente sem sofrimento.) foi durante uma palestra sobre cuidados paliativos na Universidade Aberta a Terceira Idade da USP, a UniAti. O tema voltou à tona com a agonia de um grande amigo da família e a decisão pela esposa dele de não deixar que o entubassem.

Também me trouxe questionamento o velório de uma tia. Foi uma ocasião, recente,  em que a família, que não se via há muito,  estava reunida. Isso me fez pensar se não era o caso de celebrarmos reencontros, enquanto estamos vivos e não durante a morte de alguém, ou seja, depois que um ente querido nos deixou…

Nesse ponto, uma amiga querida, que perdeu a mãe num acidente automobilístico de forma chocante, me contou que esse ritual é necessário para aqueles que ficam processar a partida do seu ente.  Porque, embora  esperada,  nunca é fácil lidar com o vazio  que a morte deixa.

Embora cada país tenha suas heranças, a vivência do luto é comum em todas as culturas.  

No Brasil, temos os enterros ou a cremação do corpo, velórios de até 48 horas, orações, flores e velas. Então, faz sentido velar o corpo, mas deixo aqui registrado que quero música alegre e bebida. Se possível, alguns petiscos também. Veganos, de preferência. E nem me venham com aquela musiquinha sinistra… “Segura na mão de Deus e vai…”.

Ficaria feliz de seguir ao som de Miles Davis. Seria uma excelente trilha musical para encerrar a jornada.

Se eu agonizar e precisar ficar ligada à máquinas, peço por favor, que mandem  desligar os aparelhos.  Penso que a perda total  da autonomia é uma das piores coisas que pode acontecer a alguém, na minha modesta opinião. Creio que  enlouqueceria. Em menor escala, já vejo em Casa, como minha mãe sofre, mesmo sendo muito  lúcida e não totalmente dependente.

Dialogar sobre morte tende a ser angustiante, mas precisamos falar sobre a finitude da vida. O cuidado paliativo prioriza a prevenção e alívio de sintomas de sofrimento em doenças terminais. Mas, até que ponto realmente aliviam o sofrimento de quem está doente? E da família? Numa sociedade dita democrática,  e que envelhece a passos largos, acho importante e necessário esse debate.

Esta é a quarta vez que começo a escrever simplesmente porque não conseguia ir adiante. Se a morte é natural porque é tão complicado falar sobre ela?

O mesmo ocorre com a nossa falta de educação financeira. Sou de uma geração marcada pelo consumismo. Talvez, porque não nos tenham ensinado de criança a poupar e a dar o devido valor às coisas que, com certeza, não levaremos no final.

 Assim como ninguém tem a fórmula para enfrentar a morte, como algo do tipo “olha é por ali o caminho menos sofrido”.  Agora, eu acho que deveríamos aprender a lidar e nos preparar para essa fase da vida. Inclusive para poupar aqueles que ficam de tanto sofrimento.  

Por via das dúvidas, já inclui no orçamento mensal meu boleto do juízo final.

Leia a seguir a entrevista de Ricardo Rodrigues Fontes, advogado do Escritório Fontes, Kuntz & Amaral Associados.  

O ortotanásia é permitida no Brasil? 

Sim, desde que atendidas as resoluções do Conselho de Medicina. Trata-se de uma questão muito complexa. No contexto da atual discussão, é muito importante ter presente a distinção entre o direito a uma morte digna e o direito à decisão sobre a morte. O direito de morrer dignamente está relacionado com o desejo de se ter uma morte natural, humanizada, sem o prolongamento da vida e do sofrimento por meio de tratamento comprovadamente ineficaz. Já o direito de morrer é sinônimo de eutanásia ou de auxílio a suicídio, intervenções que causam a morte. Mas o paciente pode optar pela não intervenção, impedindo procedimentos médicos que possam ser considerados invasivos ou artificiais, que prolonguem a vida com sofrimento.

Minha vontade será respeitada se estiver devidamente documentada

Em caso de doenças graves e incuráveis, pode ser elaborado um documento com “diretivas antecipadas de vontade” ou de “termo de consentimento informado”, nos quais se dispõe acerca dos cuidados, tratamentos e procedimentos a que o indivíduo deseja ou não ser submetido quando a morte se aproxima, ocorrendo à ortotanásia. Questão que passou a ser considerada eficaz pelo  Judiciário, após as Resoluções 1.805/2006 e 1995/2012 do Conselho Federal de Medicina (CFM), confirmadas pelo Código de Ética Médica (Resolução CFM 1931/2009) permitem que pacientes em fase terminal optem pela ortotanásia. É preciso destacar que o Ministério Público Federal ingressou com a Ação Civil Pública nº 2007.34.00.014809-3, que atacou a Resolução Conselho Federal de Medicina, nº 1.805/06 para anular a regulamentação da ortotanásia, sendo declarado improcedente o pedido do MPT.

O que a lei diz sobre desligar aparelhos no caso de sobrevida apenas garantida pelas máquinas? Quais as implicações para familiares e profissionais como médicos e gestores de hospitais?

Como o assunto é complexo, apresento a seguir duas decisões judiciais distintas.   A primeira assegura ao paciente o direito à ortotanásia. O primeiro exemplo leva em consideração um paciente com o pé esquerdo necrosado, que se nega à amputação, preferindo, conforme laudo psicológico, morrer para “aliviar o sofrimento”; e, conforme laudo psiquiátrico se encontra em pleno gozo das faculdades mentais. Assim, o Estado não pode invadir seu corpo e realizar a cirurgia mutilatória contra a sua vontade, mesmo que seja pelo motivo nobre de salvar sua vida. No segundo caso, em razão da paciente não sofrer qualquer doença grave, foi declarada a falta de interesse de agir em juízo da paciente. Fica entendido que a manifestação de vontade na elaboração de testamento vital gera efeitos independentemente da chancela judicial. A autora poderá se valer ainda de testemunhas e atestados médicos para uma declaração do direito à ortotanásia. Destaco ainda que o paciente tem o direito à informação assegurada pela Constituição Federal, em seu art. 5º, XIV. A verdade é fundamental para a tomada de decisão. Assim, os artigos 46 e 47 do Código de Ética Médica proíbem o médico de: efetuar qualquer procedimento médico sem o esclarecimento e consentimento prévio do paciente ou de seu responsável legal, salvo em caso de iminente perigo da vida. E de exercer sua autoridade de maneira a limitar o direito do paciente de decidir livremente sobre a sua pessoa ou seu bem-estar.

Como, juridicamente, devemos nos preparar para morrer sem deixar um ônus para os familiares

Não há transferência de eventuais dívidas do falecido para seus herdeiros. No caso, se houver herança, será realizado o inventário dos bens, existindo a possibilidade de doação em vida dos bens.

Inspiração sim, rótulos não…

Dizem que coração de mãe sempre cabe mais um. Não podia ser diferente no Casa de Mãe. Assim, é com imensa gratidão que anuncio a colaboração da minha amiga Eliane Sobral*. Na sua estreia, ela fez um artigo necessário sobre a cobertura da mídia no processo de transição demográfica. Faz todo sentido trazê-lo para uma reflexão por aqui. O que ela avalia é que não se pode criar rótulos e empurrar padrões de comportamento goela abaixo dos bons velhinhos. E propõe uma pauta bastante extensa que precisa ser discutida para ser implementada, caso do tempo dos semáforos para travessia dos pedestres. Confere! 

“Alguma coisa estava me incomodando nas matérias sobre terceira idade – sobretudo as da televisão. Mas não conseguia identificar a razão do incômodo até assistir – uma parte – do Globo Repórter da sexta-feira, 12 de julho.

Percebi que o que me incomoda é que criou-se um rótulo, um parâmetro para quem já passou dos 60, 70, 80. Aliás, quando mais idade melhor.

Na sua inexplicável necessidade de rotular, a mídia agora nos mostra que o bom velhinho e a boa velhinha não são os ativos. São os superativos. Gente que, com mais de 70 anos, corre maratonas, disputa competições de natação, e esportes mil. Parei de assistir o referido programa sobre longevidade “saudável”, quando apresentaram um senhor de mais de 70 anos que resolveu ser funkeiro.

Longe de mim discutir a necessidade da atividade física para uma vida saudável. Apenas acho que essa prática vale para todas as idades e eu apreciaria muito se, em vez de me empurrarem um padrão de comportamento – mais um – a mídia se preocupasse em fazer campanhas educativas sobre essa necessidade. Assim como sobre a boa alimentação (para os que podem comer, claro).

Praticar algum esporte, fortalecer a musculatura, são ações tão importantes quanto ler um livro, fazer palavras cruzadas e/ou participar de cursos. Mas parece que quem está na categoria de exercitar o cérebro não é tão fashion, quanto idosos “descendo até o chão”.

Sinceramente não tenho nada, absolutamente nada contra quem encontra sua motivação em hobbies e competições. Só não gostaria que se criasse, novamente, um modelo a ser seguido.

Completei 55 anos de vida há duas semanas e, para mim, o modelo a ser seguido aquele que eu quiser desenvolver e não o que quiserem me impor. Passei boa parte da vida tentando me adequar a rótulos e agora não quero mais.

Faço, em média, uma hora e meia, duas horas de atividade física, pelo menos cinco vezes por semana. Pelo simples motivo de me sentir melhor ao final de cada treino e porque sei que, se não fizer, a conta chega, é alta, e eu não quero pagar.

Cheguei a esta conclusão observando, lendo e aprendendo e não vendo “exemplos” de uma velhice “feliz” na televisão.

Não quero deixar a impressão de que estou criticando as pessoas que gostam de competir ou que encontraram uma motivação distante das minhas. Não é isso. Só queria mesmo é que não se embarcasse nessa de que este ou aquele deve ser o parâmetro. Pode ser até que sirvam de exemplo para motivar os sedentários ou deprimidos. Duvido um pouco disso mas, vá lá. O problema, a meu ver, é que perde-se tempo e atenção tentando impor um modelo, quando seria mais produtivo, imagino, discutir e debater as necessidades de quem está na terceira idade. E elas não são poucas.

Vejo uma ou outra matéria, mostrando a necessidade de se adequar o tempo nos semáforos, por exemplo. Uma ou outra reportagem apresentando a danação que são as calçadas pelas quais todos nós temos que transitar diariamente. Quantos idosos caem nessas armadilhas todos os dias? Eu conheço uma porção de gente vítima desse descaso. E de todas as idades.

Enfim, com o envelhecimento da população mundial, e a nossa inclusive, discutir e debater a necessidade de adaptações, mudanças e melhorias, é mais do que bem-vinda. A pauta é bastante extensa. Melhor mesmo seria implementá-la, ao invés de inventar novos modelos a serem seguidos.”

*Eliane Sobral é jornalista e colabora com o Casa de Mãe.

Leia também: Contesto Meryl, mas não quero parecer a Marta

Sempre à mão: 15 apps para a gestão do envelhecimento

A inclusão digital do idoso não é essencial apenas para entreter e melhorar as funções cognitivas. Estou testando alguns aplicativos que têm ajudado muito no dia a dia de cuidados com meus pais. Afinal,  coisas como monitoramento a distância e teleassistência já estão disponíveis e são mais acessíveis do que se imagina.

Com mais de 230 milhões de celulares ativos no Brasil, segundo a última Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), aplicativos podem ajudar a resolver problemas de acessibilidade e segurança. 

Não testei todos ainda, mas fiz uma pesquisa do que existe e gostei do que vi. De toda forma, é muito mais fácil gerenciar uma rotina de um idoso com todas as informações necessárias sempre em mãos. 

E, com a maioria dos smartphones funcionando não apenas para um tipo de dispositivo, mas permitindo a integração com diversos aparelhos que vão desde outros smartphones até tablets, ficou muito mais fácil acompanhar os velhinhos de perto.

Confira a seguir minha lista com 15 opções que valem a pena testar:

#Socorro

O aplicativo brasileiro Socorro foi desenvolvido para situações de emergência. Criado para Sistema Operacional iOS, o aplicativo é uma mini ficha médica onde contém informações essenciais como contato para situação de emergência,  tipo sanguíneo e medicamentos usados, entre outros. 

Recomendado para ficar na página inicial do iPhone, caso ele tenha senha, suas informações vitais e a ficha médica ficarão acessíveis para casos de emergência onde os socorristas precisam dessas informações para um atendimento mais eficiente.

Contando com um botão chamado “emergência”, o Socorro acessa, através dele, telefones úteis como Polícia, Bombeiros e Samu ou contatos de emergência, como hospitais de preferência. Você pode configurá-lo ainda para enviar automaticamente um torpedo com pedido de ajuda por SMS para alguém de confiança ou uma mensagem pré-definida via Twitter para seus seguidores.

#Docway

Principal aplicativo médico do Brasil, disponível para sistemas IOS ou Android. Surgiu com o objetivo de facilitar a vida de quem precisa de atendimento médico humanizado, levando o médico até o paciente por meio da tecnologia. Hoje, conta com mais de 55.000 usuários, está presente em mais de 340 cidades, e todas as capitais do país. 

O aplicativo trouxe um conceito inédito para o segmento da saúde, revolucionando o setor desde o seu lançamento em 2015. Graças a esse projeto inovador, hoje é possível chamar o médico para uma visita onde quer que o paciente esteja, facilitando o dia a dia de quem precisa de cuidados médicos com um atendimento exclusivo e diferenciado.

#Einsten Vacinas + Meu Einstein

Esses dois aplicativos foram criados pelo Hospital Israelita Albert Einstein para facilitar na hora de agendamento de exames e manter a caderneta de vacinação em dia e ambos estão disponíveis para Sistema Operacional Android e iOS.

O aplicativo Einstein Vacinas foi idealizado pelo gerente médico da Unidade Ibirapuera ao analisar quantas pessoas não tomavam vacina ou não voltavam para uma segunda dose, comprometendo a imunização, por simplesmente esquecerem.

O Meu Einstein conta com um sistema inteligente que o informa quando seus exames estiverem prontos, enviando-os diretamente ao seu médico, caso você deseje. Além de lhe informar qual o endereço e contato da Unidade Einstein mais próxima, o aplicativo permite que você cheque o seu histórico de exames e pré-agende novos procedimentos, realizando o check- in online e antecipando protocolos necessários.

#Instant Heart Rate

Mede a frequência cardíaca utilizando o celular e está disponível para Sistema Operacional Android e iOS. Para que ele funcione, é preciso apenas pressionar o dedo indicador em cima da lente da câmera por 15 segundos e ele fará a medição do fluxo sanguíneo entre cada batimento cardíaco. É importante que faça isso em ambientes bem iluminados.

O Instant Heart Rate mostra em tempo real gráfico PPG (ECG/Cardiograph) para ver todos os seus batimentos cardíacos e possibilita a monitoração da sua frequência antes, durante e depois de exercícios. Ele permite o armazenamento do seu histórico de utilização e o envio dos resultados através de gráficos para seu e-mail.

#Glico

Utilizado para controle glicêmico, o aplicativo Glico está disponível gratuitamente para Sistemas Operacionais Android e iOS. Criado pela Unit Care Tecnologia, ele auxilia no controle da diabete, controle glicêmico e monitora os sintomas de diabetes.

Esse aplicativo possui quatro funcionalidades principais:utiliza a câmera para fazer a leitura do nível de glicose no sangue; traduzir através da câmera a sua refeição em carboidratos e calorias; manter um registro de atividades físicas; e manter um histórico de administração de medicamentos. Você encontra também no aplicativo uma gestão completa e monitoramento remoto de pacientes crônicos ou em home care.

#IDosos

Enquanto a interface de usuário do iPhone é frequentemente elogiada por ser mais simples, o sistema Android é um pouco mais complicado de lidar. Isso pode ser um problema para pessoas que não estejam acostumadas a usar smartphones ou que possuam problemas relacionados à visão. O aplicativo iDosos tenta resolver esses dilemas provendo tutoriais interativos para explicar as funções básicas de um smartphone. 

Ele utiliza emojis para ensinar a fazer ligações, escrever mensagens, gerenciar os alarmes do celular e também dispõe de narração em áudio para o passo-a-passo.

#Easy Idoso

Além de bater papo, há também quem goste de conhecer pessoas novas e participar de eventos comunitários. O Easy Idoso oferece um catálogo de atividades para a população idosa, associações de terceira idade, eventos e até auxilia a encontrar serviços úteis perto de casa, como centros de beleza.

#Fone Fácil

É um app que, além de promover acessibilidade no uso de celulares para deficientes auditivos e visuais e também idosos, é programado com um botão de pânico configurável para um contato específico. 

Uma vez pressionado o botão, o telefone automaticamente disca o número definido e envia uma mensagem solicitando ajuda. A ferramenta se revela extremamente útil para idosos que vivem sozinhos ou que precisam de acompanhamento frequente.

#Estou Bem

Outro aplicativo simples, que avisa aos familiares o que o usuário está fazendo no momento. Ele requer que, tanto a família como o usuário criem uma conta no aplicativo, e então o “emissor” das mensagens pode começar a usar as funções, que envolvem o registro de diferentes status como “Estou Bem”, “Vou Sair” ou “Ligar Urgente” em um layout colorido e com ícones grandes para facilitar o clique.

#MyTherapy

A perda de memória pode ser algo comum no processo de envelhecimento, e a tecnologia está à disposição para ajudar a reduzir o impacto dos lapsos de memória quando se trata de saúde.

Com mais de um quarto dos medicamentos sendo prescritos para idosos, que representam apenas 10% da população brasileira, MyTherapy é uma ferramenta eficaz em assegurar que comprimidos, tabletes e injeções sejam ingeridos corretamente. 

Lembretes para medicamentos podem ser programados seguindo planos de tratamento específicos e individuais, não importa quão complexos eles sejam. O app imediatamente notifica o usuário quando chega a hora de tomar seus remédios.

 Além de lembrar dos medicamentos, outras funcionalidades como notificações para atividades físicas e gerenciamento de sintomas com emissão de relatórios de saúde fazem deste um excelente instrumento de controle.

#NutraBem

Criado por um grupo brasileiro de nutricionistas, o NutraBem é um aplicativo que tem como objetivo auxiliar na reeducação alimentar. Pensado para agir de acordo com os hábitos alimentares do nosso país ele torna muito mais fácil e consistente na hora de controlar o número de calorias ingeridas, facilitando a escolha de alimentos e até substituindo alguns.

Disponível para Sistema Operacional Android e iOS, o NutraBem não necessita de internet, o que facilita seu uso em qualquer lugar e a qualquer hora. 

Esse aplicativo permite simular as refeições antes do consumo para orientação das decisões, além de calcular a necessidade diária de energia para a meta de peso que se deseja atingir.

#Water your body

Classificado como “Excelente” pela Applause, empresa americana especializada em testes de software que ranqueia os melhores aplicativos de saúde, o aplicativo Water your body calcula a partir do seu peso o quanto você precisa beber de água por dia.

Definindo os horários das notificações e o intervalo entre elas, o Water your body, informa quanto você já consumiu de água. 

Disponível de forma gratuita, e paga, por Sistemas Operacionais Android e iOS, esse aplicativo permite que você crie copos com medidas personalizáveis e visualize o histórico de consumo, além de um relatório em forma de gráfico com o consumo de água diário, a média semanal e a anual.

#Google Fit

Esse aplicativo do Google foi criado para auxiliar quem pratica exercícios, ou quer começar. O Google Fit monitora o quanto você caminha, corre e pedala por dia através do acelerômetro e do GPS do aparelho, mostrando seu desempenho diário e semanal.

Disponível para Sistema Operacional Android, permite que você crie metas e acompanhe a perda de peso. Marcas como Nike e Adidas também desenvolveram aplicativos compatíveis com os dois sistemas: recomendo tanto o Runstatic como o Nike Trainning. Uso os dois para organizar meus treinos de corrida.

#Medite.se

Disponível para baixar em IOS e Android, o app de meditação serve para tirar o máximo de proveito no dia-a-dia. Com apenas alguns minutos por dia, é possível aprender a treinar sua mente e corpo para uma vida mais saudável e tranquila. Os áudios de narração estão disponíveis em português, e podem ser baixados para escutar off-line.

Com Portal Plena e O Estado de S.Paulo.

Envelhecimento e desemprego: equação para novas carreiras

Somos 13 milhões de brasileiros desempregados. É muita gente fora do mercado de trabalho, apesar de o  IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicar nesta sexta (28) ligeiro aumento no número de ocupados no segundo trimestre. Essa melhora está relacionada ao aumento do trabalho informal e da subocupação, quando se trabalha menos do que se pode e se precisa. Um cenário que tem levado muitas pessoas a transformar suas dificuldades em oportunidades de negócios. É o caso daqueles que lidam na prática com as questões do envelhecimento, em seus mais diversos aspectos.

Soma-se a isso o fato de o País oferecer muito pouco aos idosos e temos a equação perfeita para o surgimento de novas atividades.  “Não é só questão de assistência e de mobilidade, é também companhia para quem se sente só”, diz Luciene Bottiglieri. E foi por experiência própria que ela, formada em Administração de Empresas e pós-graduada pela Faap em Mercadologia, decidiu mudar de rumo e criar a LB Concierge de Idosos. 

Luciene é solteira, tem 48 anos de idade e não tem filhos.  É a única mulher em uma família de 4 homens. Aprendeu a conviver com a demência progressiva do seu pai, já falecido, por 25 anos, mais o Alzheimer da sua mãe, também falecida, por 6 anos.

Arquivo pessoal LB Concierge de Idosos.

Concierge é um termo da língua francesa e é um cargo comum no ramo hoteleiro, consistindo na função do profissional responsável por atender as necessidades básicas e especiais dos hóspedes. Por se tratar de um conceito novo no Brasil, o concierge de idosos ainda é confundido com o cuidador ou com um acompanhante de idosos.

Na prática, a LB Concierge de Idosos é um  “amigo social”, um facilitar na vida do idoso nas atividades que ele deseja realizar fora de casa. “Desenvolvemos um trabalho profissional, mas que preserva o caráter humanizado em que o idoso é sempre ouvido e respeitado”. 

De acordo com ela, a tarefa é proporcionar comodidades ao idoso, e à família do mesmo, por meio da troca de experiências e um importante trabalho de assistência em atividades do cotidiano, lazer, entretenimento, bem estar e saúde. 

Não é a única a perceber uma janela de oportunidades.  Com mais de 14% das pessoas vivendo sozinhas, das quais 44,3% com mais de 60 anos de idade – segundo o próprio IBGE -,  e a taxa de desemprego nas alturas, muita gente está se oferecendo como filho ou neto de aluguel.

Foi diante desse cenário e em busca de renda extra que engenheiro civil Aloísio Melo, 46 anos, virou neto de aluguel. Não foi diferente com o segurança Everaldo Silva, 48 anos, que criou um blog para vender o serviço de filho de aluguel.

Um na Grande Vitória (ES) e outro na Grande São Paulo (SP), respectivamente, usaram a criatividade para se recolocar no mercado e driblar a crise. E, na essência, oferecem o mesmo serviço: acompanhar o contratante em compromissos e atividades. Para ambos, a ideia surgiu a partir do trabalho como motorista do aplicativo Uber. Nas corridas, perceberam a carência de companhia e de auxílio de parte do público com mais de 60 anos de idade.

Paciência é a maior aliada

Aloísio foi além do acompanhamento. Ao ensinar uma senhora a baixar o app de transporte, percebeu que tinha jeito para ensinar esse público a “decifrar” as novas tecnologias. Passou, assim, a oferecer aulas. É preciso, diz ele, trabalhar no “tempo da pessoa”. “A paciência é minha grande aliada”, garante.

Já a proposta de Everaldo é oferecer transporte diferenciado. “A ideia é acompanhar ao médico, ao supermercado, ao banco ou ao shopping para um momento de lazer, tudo dentro de uma relação de amizade e confiança”, conta.

Não é, dizem eles, que a família não tem interesse em estar no dia a dia. Mas a rotina corrida dos filhos e dos netos nem sempre permite uma brecha na agenda. E filhos e netos de aluguel podem acompanhar nas consultas médicas e até ser parceria em viagem.

Referências de custo ainda são problema

E quanto custa o serviço de netos de aluguel? Nenhum dos dois fala em valores. Dizem que tudo é negociável no contato com os clientes. Há quem cobre por hora. E existe quem feche um preço pelo serviço, aos moldes do já popular marido de aluguel, contratado para fazer pequenos reparos domésticos.

Os contratantes ainda preferem os serviços de um cuidador, que tem formação na área e é uma atividade que passou a ser regulamentada, opina Claudio Hara, diretor do Centro Dia Angels4U e mestre em gerontologia social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “Também é difícil mensurar um valor mínimo desse tipo de acompanhamento”, diz. “Talvez por isso ainda tenha se popularizado tão devagar.”

Apesar de ser uma opção para quem precisa de companhia em compromissos, o neto de aluguel ainda é visto por alguns com desconfiança. “Aqui em Marília [interior de São Paulo] não pegou apesar da oferta voluntária”, diz Adriana Cavallaris, 48 anos, outra potencial filha de aluguel “por vocação”.

Inspiração que vem da Espanha

Por falar em trabalho voluntário, não é a primeira vez que trago inspiração da Espanha, onde a moradia compartilhada para os maduros já faz um tremendo sucesso e parte da política pública. Leia aqui. Agora outro projeto que nasceu por lá ganha destaque.  O “Adote Um Avô”, iniciativa de Alberto Cabanes, após uma visita ao próprio avô num lar para idosos, começou em Madri e se espalhou pelo país afora.

A ideia é levar companhia e alegria para milhares de idosos que vivem em asilos sem receber a visita de nenhum familiar. Mais de 1000 avôs e avós já foram “adotados”, por mais de 200 voluntários. “Tive a sorte de ser criado pelos meus avós e de aprender com eles valores valiosos. Ninguém merece estar só. E nos lares há muita solidão”, disse Alberto em entrevista ao El Mundo.

Adote um Avô: o projeto encantador que combate a solidão de idosos
Divulgação

Em Portugal, uma fotógrafa fascinada pela velhice e que fez disso seu ganha-pão. A portuguesa Sandra Ventura se especializou em fotografar idosos em centros de dia e lares. No início era ela quem entrava em contato com as instituições. Hoje, porém, são as instituições de diversas partes de Portugal que a chamam. 

Ela fotografa todos os idosos que querem ser fotografados, mesmo que não tenham famílias que depois comprem as fotos. As fotos vendidas é que geram lucro. “Fotografar crianças renderia muito mais porque os pais compram tudo e com os velhos ainda não é assim porque são vistos como inúteis ”, disse em entrevista ao portal de notícias Magg. 

Uma visão que precisa mudar, mesmo que a conta-gotas. 

Quando os problemas ambientais vieram à tona, toda a sociedade teve de passar por uma reeducação que a levou a rever seu comportamento. De lá para cá, o entendimento do ciclo de vida de um produto faz parte do cotidiano das mais diversas gerações, que entenderam a preservação do meio ambiente como algo essencial para o futuro do planeta. O desafio agora é modificar a compreensão sobre o ciclo da vida humana para ressignificar a longevidade, um fenômeno inédito para os brasileiros.

Relatório da ONU permite reflexão além da numeralha

A transição demográfica é global e irreversível. E o processo de envelhecimento de uma população não pode ser visto como fato isolado. Há reflexos na vida social, nas contas públicas, no mercado de trabalho, na saúde e assistência médica e, na composição das famílias. Por isso, o mais recente relatório World Population Prospects, da ONU – Organização das Nações Unidas demanda uma reflexão que vai além da numeralha toda.

O documento, lançado a cada dois anos, faz um retrato da população de 235 países. Estima-se um contingente atual de 7,7 bilhões de pessoas, que deve chegar a 9,7 bilhões em 2050, saltando a quase 11 bilhões em 2100.

Mostra ainda que em 13 anos, o mundo terá 1,4 bilhão de idosos.

Um número que deve passar de 2 bilhões em 2050, quando todas as regiões do mundo, exceto a África, terão um quarto ou mais de sua população com mais de 60.

É uma parcela que cresce em média 3% ao ano devido às baixas taxas de fertilidade e a uma expectativa de vida maior: hoje a média mundial é de 72,6 anos, mas deve aumentar para 77,1 anos em 2050.

A taxa potencial de suporte, que compara os números de pessoas em idades ativas com os de pessoas acima dos 65 anos de idade, está em queda. No Japão, essa taxa é de 1,8, a menor do mundo. Outros 29 países — a maioria na Europa e no Caribe — já têm taxas potenciais de suporte abaixo de 3. Até 2050, estima-se que 48 países — a maioria na Europa, América do Norte e Leste e Sudeste da Ásia — terão taxas abaixo de 2.

Já existem mais velhos que crianças.

Chama atenção ainda o fato de que em 2018, pela primeira vez na história, pessoas com 65 anos ou mais em todo o mundo superaram em número as crianças menores de cinco anos.  Projeções indicam que em 2050 haverá mais do que o dobro de pessoas com mais de 65 anos do que crianças menores de cinco anos. Até 2050, o número de pessoas com 65 anos ou mais globalmente também ultrapassará o número de adolescentes e jovens de 15 a 24 anos.

As regiões em que a parcela da população com 65 anos ou mais deve dobrar entre 2019 e 2050, de acordo com o documento, incluem o Norte da África e o Oeste da Ásia, o Centro e o Sul da Ásia, o Leste e o Sudeste da Ásia e a América Latina e Caribe. Na Europa e na América do Norte, até 2050, uma em cada quatro pessoas poderá ter 65 anos ou mais.

Globalmente também a população com mais de 80 deve triplicar em 2050 de 137 milhões em 2017 para 425 milhões e 2050. Em 2100 estima-se que esse grupo alcance mais de 900 milhões.

Cenário demográfico ajuda a tomar decisões.

Essas e outras estatísticas trazidas pelo relatório – que pode ser acessado na íntegra, em inglês – deixam claro como é urgente um planejamento baseado nos cenários demográficos. Embora sejam projeções, o documento oferece um quadro que permite a tomada de decisões que transcendem o envelhecimento populacional.

Tal situação exige políticas desafiadoras, que podem (e devem) ser pautadas pelos ODSs – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Trata-se de uma agenda formada por 17 eixos, que devem ser implementados por todos os países do mundo durante os próximos 15 anos, até 2030.

Como incluir os idosos na Agenda 2030?

Um olhar mais atento para a sociedade é o suficiente para perceber que o processo de envelhecimento ocorre num cenário caracterizado por desigualdade, pobreza, esgotamento de um modelo de crescimento econômico insustentável e avanço do desemprego e do emprego de baixa produtividade. Por isso mesmo é tão importante incorporar as pessoas idosas na implementação e no acompanhamento da Agenda 2030.

Nesse caminho, a Cepal – Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe indica alternativas no livro Envelhecimento, pessoas idosas e Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Perspectiva regional e de direitos humanos.

O conteúdo traz diretrizes para garantir o acesso à proteção social que, sob a perspectiva da CEPAL, implica a integração de três pilares básicos: pensões, atenção básica à saúde e cuidados para a autonomia.

“É um convite à reflexão sobre nós mesmos, sobre a vida que queremos e a sociedade que ansiamos (mais solidária, mais interdependente, onde ninguém fique para trás) e sobre o que poderíamos fazer para nela incluir, com toda justiça e em pé de igualdade, as pessoas idosas com total respeito à sua autonomia e dignidade”, conclui Alicia Bárcena, Secretária Executiva da CEPAL, no prólogo da publicação.

Vale a leitura.

Saiba mais em Jovem País de Cabelos Grisalhos.

É possível se abrir ao amor nos tempos de Tinder?

“A essência de uma pessoa é o amor e a vida só existe quando o amor se movimenta”, diz o psiquiatra Sérgio Felipe de Oliveira, doutor em Neurociências e pesquisador na área da Psicobiofísica.  A afirmação faz sentido para muita gente – e, ao que parece, também para a escritora Isabel Allende, 75 anos, que já declarou publicamente estar com o coração aberto ao amor.

Mas o que é se abrir para o amor em tempos de Tinder e de relações líquidas, em que nada é feito para durar? A idade conta nesse processo?

Na prática,  amor não escolhe idade. A experiência e o tempo fazem com que assuma formas diferentes. As emoções tresloucadas e carnais da juventude dão lugar a uma versão mais amadurecida, que se reflete num relacionamento em que há mais tolerância e prazer na companhia do outro.

É disso que fala a autora de obras como A Casa dos Espíritos. Allende vive uma espécie de lua-de-mel com o novo namorado, o advogado americano Roger Cukras, com quem divide o mesmo teto há pouco tempo. Ela estava separada havia dois anos do também advogado Willie Gordon, com quem permaneceu casada por 28 anos.

O romance com o ex acabou, mas inspirou outro romance: o livro Muito além do Inverno, lançado ano passado. “Por que termina o amor? Será que se pode continuar amando depois de tanto tempo? Escrevi movida por essas inquietações”, declarou ela ao jornal “O Estado de S. Paulo”.

Depois, contudo, conheceu outro homem. “Mesmo com o livro já terminado, me vi tomada por outra questão: como é namorar aos 75 anos? Descobri que é o mesmo que namorar aos 17, só que com uma sensação de urgência. Não tenho tempo mais para a pequenez da vida, para jogos estúpidos”, completou.

Ponto final pode ser recomeço

“Colocar o ponto final num relacionamento não significa que você não está mais apta a se relacionar”, diz a psicanalista Débora Damasceno, diretora da Escola de Psicanálise de São Paulo.

Na avaliação dela, quanto mais tempo de convívio com alguém maior a facilidade de abrir o coração para um novo amor. “É um fator que conta, pois quem mantém um relacionamento longo sabe perfeitamente as dores e as delícias de compartilhar a vida”, diz. “Hoje em dia o discurso em voga é o do benefício da solidão, mas no fundo tudo que se quer é se abrir ao amor”.

E na prática isso significa dar vazão ao rumo natural das coisas, já que a capacidade de amar permanece conosco enquanto estamos vivos. “É a própria pulsão da vida”, acrescenta Débora, para quem mesmo as experiências ruins trazem sabedoria.

Ruptura para abrir novos caminhos

Estar aberto ao amor significa também não aceitar o que impõe a estrutura da sociedade, uma pressão que pode paralisar os sentimentos, de acordo com ela. “Somos condicionados a agir de certo modo, mas quando não se corresponde ao ambiente em que se vive há uma ruptura que tende a abrir o caminho para outras pessoas que não tinham coragem de fazer o mesmo”.

Ao declarar publicamente que estava aberta ao amor Isabel Allende fez esse papel, diz Débora. “Muitos de sua idade não tinham coragem e seguiram seu exemplo”, completa a especialista.

“Os sentimentos não mudam, apenas as formas de aproximação, especialmente depois do advento da internet. Hoje, a conquista é mais fácil e rápida, mas raramente profunda. Antes, havia o que chamávamos da química de uma paixão, o envolvimento do casal. Agora, os jovens permanecem adolescentes durante mais tempo, portanto, não querem longos comprometimentos”, declarou a própria Allende.

Concorda com ela o psicólogo Luiz Francisco Jr, life coach e professor da Fadisp, para quem uma das coisas boas da longevidade é que não há mais preocupação com as expectativas alheias.  “É um período possível de se experimentar uma redução da ansiedade, uma liberdade maior para aproveitar a vida, possibilitando assim atitudes que antes eram consideradas impossíveis”.

Bentinho não tinha Facebook

Agora, em tempos de Tinder, nada mal dar uma boa checada nas redes sociais dos potenciais parceiros. Tá certo que ninguém está livre de desilusões ao encontrar companhia pelos meios tradicionais.

Mas pensa bem!

Dom Casmurro, um clássico da literatura universal, não existiria nos tempos modernos. Se o Machado de Assis tivesse um celular nas mãos a inspiração seria outra. Tenho certeza!

O Bentinho nunca concederia o benefício da dúvida à Capitu se pudesse acessar a internet e vasculhar a sua vida no Facebook ou no Instagram. Com certeza alguma prova da traição estaria lá. Escancarada.

Checar para não se decepcionar

É por isso que, em parte, sou obrigada a apoiar os “stalkeadores”. Stalkear é uma gíria do idioma português, baseada na palavra inglesa stalker, que significa literalmente perseguidor.

A palavra costuma ser usada para se referir ao ato de espionar ou perseguir as atividades de determinada pessoa nas redes. O que você consegue descobrir por ali cruzando dados é assustador…

Quem ainda não viu a série You? Ou Dirty John, inspirado em caso real?

Aí eu te pergunto: até que ponto uma traição virtual pode ser considerada infidelidade? Pra mim, traição é traição! A intenção faz o ladrão. É desleal com o outro! Seja no mundo real ou no virtual.

E vocês o que acham? Há limites para as relações virtuais? 

Veja também Romance entre idosos é bom para a saúde.

Quem vai definir sua versão centenária?

Meu humor é como uma montanha russa e se altera ao longo do meu dia. Imagina então como é esse processo durante toda a nossa existência. Existem crônicas, romances e teses que versam sobre a conexão entre as diferentes fases da nossa vida com os nossos estados de ânimo ou de desânimo. Especula-se que quanto mais velhos somos, mais estamos suscetíveis a apatia ou a depressão. Ou melhor, especulava-se.

Se dependesse só do tempo tudo seria melhor ao alcançar meio século de vida. É o que quer provar o pesquisador americano, Jonathan Rauch. Ele acaba de escrever um livro sobre o assunto, intitulado “A curva da felicidade: Porque a vida melhora após 50”.

O autor elaborou essa teoria a partir de uma série de experiências pessoais, dados de estudos e entrevistas a uma série de economistas, psicólogos e neurocientistas. Entre suas conclusões, destaca que a idade tende a favorecer a felicidade e que a crise da meia-idade não é motivada por nenhum fator em particular.

A passagem do tempo é a única razão, segundo a tese de Jonathan Rauch.

E a pesquisa diz ainda que nosso nível de satisfação cai entre 20 e 30 anos e atinge o nível mais baixo em 40. Agora, saindo da teoria para vida real, conversei esses dias com uma grande amiga, que largou tudo e foi mochilar pela Europa. Tema desta Casa na semana passada.

Rita Bragatto, minha amiga, é jornalista, psicanalista e montanhista. Vive com uma mochila e uma bicicleta pelo mundo. Acumula somente experiências, como ela mesma se descreve

Foi quando contei à RitaBragatto, jornalista e psicanalista, que assina o blog #AVidaChama – que seria a personagem perfeita se tivesse passado dos 50. Ela ponderou que só faltava um ano pra isso. Mas que também se sentia tão disposta quanto antes, apenas menos ansiosa com a vida.

Eu refletia sobre nossas ansiedades e urgências que ficaram para trás (e porquê não contar as experiências de menores de 50? ) quando me cai no colo o artigo da Eliane Brum, “Me chamem de velha”. Trata justamente desse policiamento com termos considerados pejorativos como velha, melhor idade e terceira idade…

E o que dizer então da quarta idade?  

Sim, ontem no banco, descobri que o termo se refere aos 80+, que passam a ter prioridade sobre os jovens 60+.

Neste jovem País de cabelos grisalhos ainda estamos aprendendo a lidar com a longevidade. E a única coisa que consegui concluir disso tudo é que não se pode classificar quem somos nem por termos, como coloca a Eliane, tampouco por números. Assim, 49+, 50+, 60+, 80+, também não define uma pessoa. Decidi adotar “maiores de”.

Foi quando me bateu aquela dúvida…

Quem vai se atrever a descrever a mulher de cem anos?

Depois da Mulher de 30, de Honoré de Balzac, as tais balzaquianas, grupo de mulheres maduras, o Mário Prata nos apresentou sua versão da mulher de 40.

A coisa evoluiu tanto que o próprio Prata pulou quatro décadas e escreveu sobre a mulher de 80.

Chegamos aos cem. E agora?

Eu tenho visto exemplos incríveis. E não se limitam às mulheres.  São também homens, como Moacyr Nunes Barroso. Mineiro, cujo torresminho feito na hora  e o carteado são os maiores prazeres.

Outra mineira de cem anos que serve de inspiração é a Laura de Oliveira, que bateu recorde de natação na sua categoria ao nadar a distância de 50 metros peito em 2m49s4.

Eu sempre me perguntei como seria chegar aos 50. Mas nunca antes na história desse País eu me imaginei aos cem.

Já parou para pensar que podemos todos chegar a um século de existência?

E como você quer que seja sua existência? Acho que é isso que vai determinar a satisfação ou a insatisfação.

Só sei que o que menos me importa é como vão me classificar. Velha, maior de idade, melhor idade, terceira ou quinta idade…Vai se saber até onde chegaremos, não é mesmo?

O que me importa de fato é estar lúcida para tomar as rédeas da minha vida sem pirar muito. E com autonomia e independência para ir e vir. Já terá sido um grande feito.

Por uma vida com mais check-ins e menos check-ups!

As viagens ocupam um papel cada vez mais importante na vida dos maduros, como consequência da busca pelo bem-estar. Mas o turismo na maturidade tem ganhado novos contornos com uma turma aventureira, que faz da diversão um projeto de vida.

Os últimos dados da Sondagem do Consumidor — Intenção de viagem, do Ministério do Turismo (Mtur), mostram que o desejo de viajar sozinho ou acompanhado é crescente na faixa etária acima de 60 anos, chegando a mais de 30% nesse grupo de viajantes. Mas os dados disponíveis estão bem desatualizados e são de novembro de 2017.

Portanto, vamos tratar do assunto com pessoas e não com números, ok?

Nem precisa ir muito longe pra encontrar gente disposta a colocar uma mochila nas costas e ganhar estrada. É o caso de uma amiga que mal completou 50 anos e está decidida a colocar tudo que tem à venda e sair por aí mundo afora num roteiro de baixo custo.

Não é a única. Como jornalista, já entrevistei duas vezes a Patrícia Martins de Andrade. É dela a foto que ilustra o texto. Uma personagem e tanto! Que tem feito viagens incríveis e, de quebra, deu uma guinada na carreira após os 50 ao se mudar pra Portugal. Leia em Tempo de (se) cuidar.

O tema é recorrente. Mas o que chama atenção é o desprendimento dessas pessoas consideradas idosas, embora eu não concorde muito com esse termo.

Hoje mesmo li texto da BBC com maduras que, depois de passar a vida cuidando da família, decidiram cuidar de si e realizar seus sonhos. Leia em Mochileiras depois dos 60.

E não é preciso muito dinheiro – graças a Deus – para quem opta por realizar mais check-ins e menos check-ups. Basta planejamento e alguns cuidados já que dependendo da idade será preciso realizar o check-up antes de fazer o ckeck-in.  

Por precaução, por recomendação médica, ou simplesmente para tranquilizar a família.

Agora, tem muita gente conhecendo destinos sensacionais e viajando so-zi-nha! Além disso, compartilham moradia e conhecem pessoas… Nada da frieza impessoal dos corredores dos hotéis.

Então, por que não?

Vamos combinar que a companhia de uma amiga pode ser fantástica, mas também pode se tornar um desastre dependendo do humor de ambas. E nem precisa ficar velha pra isso. Já me desentendi com uma amiga da faculdade numa viagem para Búzios, vejam só. E eu tinha 20 anos…

Se estiver sem namorado, então, melhor ainda…

As possibilidades de encontrar alguém nessa jornada são enormes! E aplicativos pra isso não faltam, né?

No começo é natural ficar receosa sim! Afinal, há pouco tempo mulher viajar sozinha, sem destino e sem grana, seria inviável. Mas nada mais natural que acompanhar as mudanças do mundo. E sabe que pesquisando o tema eu achei muita gente que transformou isso em trabalho.

É o caso dos Nômades Seniores, cuja aventura rendeu até livro.  Como escrevem Debbie e Michael Campbell no site, eles são de Seatlle, Washington, uma ótima cidade pra se chamar de lar. Mas que ficou pequena demais pros sonhos desse casal quando estavam à beira da aposentadoria.

“Sentimos que tínhamos mais uma aventura em nós , então em julho de 2013 alugamos nossa casa”.

Eles também venderam o veleiro e um dos carros para reduzir as coisas e as despesas. Então deram adeus à família e partiram para explorar o mundo.  O objetivo era viver o cotidiano nos lares de outras pessoas, da mesma forma que fariam se tivessem se aposentado em Seattle.

“Até agora a experiência tem sido tudo que esperávamos”.

Nesse caso, os números contam…

Desde que partiram, utilizaram mais de 200 vezes os serviços do Airbnb, visitaram mais de 250 cidades em 80 países, incluindo toda a Europa, Turquia, Israel, Rússia, México, África, Cuba, Oriente Médio, Ásia Central, Nova Zelândia, Austrália e Ásia. O resultado foi a venda da casa em Seattle para se tornarem verdadeiramente nômades.

Tiozinhos e mochileiros sim!

Veja o que fazem os Tiozinhos Mochileiros. Julio e Rosi voltaram a viajar com a mochila nas costas depois que os filhos cresceram, como quando eram jovens sem preconceitos.

E os filmes, como esse aqui embaixo, são exibidos em um canal no Canadá.

Pra não dizer que são só os gringos e os casais que têm coragem, li outro dia a história da aposentada Josefa Feitosa, de Fortaleza (CE), que se “autocondenou à liberdade”, como ela mesmo diz. E já visitou cerca de 40 países

Só volta ao Brasil para renovar o passaporte.  Divorciada, mãe de três filhos e avó de um neto, resolveu se desfazer de casa, móveis e roupas. Tudo o que tem agora cabe dentro de uma bagagem.

Assim como mantém um diário de viagem no Facebook , batizada Jô: minha casa é onde minha mala está, a aposentada também registra a vida em cadernos, desde os anos 1980.

No roteiro, experiências em Auroville, a cidade onde se vive sem dinheiro na Índia, na noite de Amsterdã, nas praias de Zanzibar e no leito do rio Nilo, no Egito.

Sabe de uma coisa? Depois de tudo que pesquisei, cheguei a conclusão que viajar não é apenas rejuvenescedor; também pode ser intelectualmente estimulante.

Eu, ao menos, sou naturalmente propensa às novas experiências e aventuras. Não há como negar que é uma baita oportunidade para mudar as coisas da monótona rotina do dia-a-dia.

E você? Se aventuraria?

Texto originalmente publicado em Dominique.