Na questão da sobrevivência as mulheres são o sexo mais forte

Mais do que as estatísticas, as histórias de vida com as quais nos deparamos no cotidiano mostram que as mulheres são o sexo mais forte quando se trata não só de longevidade, mas de sobrevivência. E não é só porque tradicionalmente se cuidam mais. Existe uma combinação de fatores históricos que leva e eleva a discussão da feminização da velhice para outros patamares. Porque como já é sabido, viver mais não significa necessariamente viver melhor.

Documento Envelhecimento saudável: uma política de saúde, da Organização Mundial de Saúde (OMS), mostra que as mulheres até possuem a vantagem da vida longa, mas são vítimas mais frequentes da violência doméstica e de discriminação no acesso à educação, salário, alimentação, trabalho significativo, assistência à saúde, heranças, medidas de seguro social e poder político.

Assim, as desigualdades por sexo promovidas pelas condições estruturais e socioeconômicas em muitas situações alteram além das condições de saúde, renda e dinâmica familiar. Por isso, a parcela feminina da população idosa tem provocado maior impacto nas demandas por políticas públicas e prestação de serviços de proteção social.

Inspiração para lidar com a nova realidade

O problema não está restrito à população brasileira e um olhar sob o que tem sido feito globalmente para enfrentar esse fenômeno da transição demográfica pode inspirar a construção de uma sociedade mais preparada para lidar com essa realidade.Segundo as estatísticas, em 2002 existiam 678 homens para cada mil mulheres idosas no mundo. É bem maior o número de mulheres idosas, e as expectativas são as de que as mulheres vivam, em média, de cinco a sete anos mais que os homens.

A estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU) para 2040 aponta um número de 23,99 milhões de homens e 30,19 milhões de mulheres, uma diferença de 6,2 milhões de mulheres em relação à população idosa masculina. A razão de sexo deve cair para 79 homens para cada 100 mulheres entre a população idosa. Ou seja, nos próximos anos vai crescer o excedente de mulheres em cada grupo etário do topo da pirâmide.

No Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), as mulheres vivem, em média, sete anos a mais do que os homens no país. Além disso, enquanto a expectativa de vida das mulheres é de 78,6 anos, a expectativa de vida da população masculina é de 71,3 anos. Isso ocorre porque as mulheres, na maioria das vezes, possuem hábitos mais saudáveis do que os homens, além de procurarem com mais frequência acompanhamento médico, o que permite a identificação e o tratamento de possíveis doenças.

Outro fator de impacto é o aumento da criminalidade no Brasil, que tem sido responsável pela redução da população masculina, principalmente dos jovens com idade entre 18 e 29 anos, fato que tem contribuído para esse desequilíbrio entre o número de homens e mulheres. Acompanha ainda o processo de mudança uma maior participação social feminina. É cada vez mais comum mulheres chefiando famílias e o seu ingresso no mercado de trabalho, escreve José Eustáquio Alves, pesquisador do IBGE em artigo para o Portal do Envelhecimento.

A velhice é feminina

Como resultado desse cenário, os problemas e mudanças que acompanham o envelhecimento são predominantemente femininos, pelo que se pode dizer que a velhice se feminilizou. Os aspectos do envelhecimento feminino incluem além da discriminação e gerofobia, perdas físicas e sociais, pobreza e solidão. Algo que implica em maior incidência de doenças crônico-degenerativas e estados depressivos.

Desse contingente majoritário, existe uma alta proporção de mulheres idosas que moram sozinhas em diferentes situações. Esse fato foi denominado no passado de pirâmide da solidão. Mas como morar sozinho não significa ser solitário, o denominado fenômeno da “pirâmide da solidão”, indica apenas a existência de um crescente número de mulheres idosas sem companheiros.

Um fato positivo, entretanto, é que o novo contingente de mulheres com mais de 60 anos tem revertido a desigualdade de gênero na educação, fazendo com que o nível de escolaridade do sexo feminino atualmente seja maior do que o do sexo masculino também entre a população idosa. E a sociedade brasileira precisa saber aproveitar o potencial dessas recém-chegadas à terceira idade, que possuem altos níveis educacionais, além de ricas experiências de trabalho e de vida. Os idosos e, em especial, as idosas podem se transformar em fonte de sabedoria e difusão de conhecimentos para toda a sociedade.

Essa tal sororidade

É, porém, essencial uma reflexão nesse caminho da dissolvição dos preconceitos: a relação entre as próprias mulheres. Há uma tendência latente no meio social de idosas cuidando de outras idosas.

Assim, além de questionar as razões que levam mulheres brasileiras a aceitar e fortalecer, com seus medos e inseguranças, os preconceitos com relação ao envelhecimento feminino, é preciso uma mudança no modo como enxergamos e julgamos umas às outras, a partir do conceito da sororidade, para tecer nossas vidas com liberdade e apoio.

Outro fato a se considerar é que a maioria das idosas de hoje vêm de uma juventude dura, carregada por um estilo de vida familiar completamente diferente do cotidiano da atualidade. Muitas sequer tiveram direto de escolhas. Diante da vida moderna, enfrentam um choque cultural e tendem a se angustiar. 

Por isso, a questão da saúde mental é cada vez mais preocupante e demanda políticas públicas mais consistentes, voltadas para a feminização da velhice. Um trabalho de ressocialização, por exemplo, é uma alternativa viável para as mulheres longevas encarem o envelhecimento como um momento em que dá para realizar sonhos, viajar, estudar e ampliar seus horizontes.

O que os nossos nonnos e nonnas ensinam sobre a velhice

A gente percebe que está ganhando o mundo quando traz o olhar de uma correspondente internacional sobre a velhice. Yes, we can!  É com muito carinho que compartilho com vocês duas boas notícias.  A primeira delas é a contribuição da minha amiga Rita Bragatto*, com esta Casa. Jornalista, psicanalista e montanhista, ela decidiu viver na Europa, com a cara e a coragem, além de uma mochila, e tem histórias ótimas para dividir depois de uma temporada entre a França e a Itália.

A segunda é o meu ingresso na primeira turma de pós-graduação de Gerontologia do Senac. Somos 50 alunos ao todo, com profissões e vivências muito diversas, o que promete enriquecer muito o diálogo por aqui. Por isso, decidi trazer o texto da Rita para reflexão. Porque o cenário atual é tão crítico e tão nebuloso que, por vezes, esvai nossa esperança de uma velhice feliz. Mas a gente aprende que as mudanças ocorrem de dentro para fora e não se pode levar tudo muito a ferro e fogo.

Assim, que tal deixar de lado a angústia provocada por problemas que não podemos resolver imediatamente, dar um alento para o coração, e aprender com os nossos nonnos?

Nas entrelinhas do envelhecimento saudável

Em 2011, o Departamento das Nações Unidas de Assuntos Econômicos e Sociais, DESA, publicou a pesquisa Perspectivas da População Mundial. Nela, a Itália ocupa a quinta posição na lista de países com maior expectativa de vida, enquanto o Brasil está no 102° lugar. É claro que a Europa, em geral, oferece melhor infraestrutura pública. Isso é um fato indiscutível. Mas como estou morando na Itália, a pergunta que me faço é: quais são as entrelinhas da velhice saudável? O que os nonos e nonas têm a me ensinar?

Tenho observado que esta longevidade também é impactada pelo estilo de vida dos italianos, que é muito diferente da grande maioria dos brasileiros. Em San Vito Romano, a pequena comune onde vivo, fica fácil identificar alguns destes fatores. Observo, por exemplo, que os idosos são muito gregários: fazem as refeições sempre em família.

Transformam as praças em grandes pontos de encontros e histórias. Tudo é motivo para tomar um café. Eles também são muito ativos, fisicamente: limpam a casa. Caminham. Carregam sacolas pesadas. Ocupam postos de trabalho. Ou seja: eles estão em pleno movimento. Inseridos no contexto social. Vivos, no sentido mais amplo da palavra. 

Nesta fase da vida, quem mantém o convívio social conserva a mente em melhor estado do que aqueles que se isolam. Pesquisas apontam que as pessoas que realizam algum tipo de atividade têm mais saúde. Isso significa que a gente pode parar de trabalhar, mas é importante não parar de viver. Temos de manter a curiosidade diante da vida, continuar explorando o mundo. O nosso horizonte não precisa se encolher à medida em que envelhecemos.

Estes pequenos recortes do estilo de vida dos italianos me fazem pensar que quando falamos em envelhecimento saudável não devemos nos restringir às preocupações com exercícios e alimentação. Mas precisamos, principalmente, estar atentos às relações sociais e aos fatores psicológicos. O isolamento e a solidão, muito comuns entre os velhos, podem transformar essa época da vida em algo triste e desencadear doenças físicas. Portanto, manter-se inserido no fluxo é essencial!

Penso que a gente pode contribuir positivamente para a longevidade dos nossos idosos até mesmo com poucas mudanças na rotina: pedindo a eles pequenos favores, como por exemplo, preparar aquela receita de família. Ensinar aos netos uma brincadeira da sua infância. Rever aquele álbum de fotografias. Colocar uma música antiga para tocar. Escutar suas histórias. Dar vida às suas memórias. 

Ou seja, é muito importante fazer com que os idosos se sintam úteis. Incluídos. Vistos. Sentir-se pertencente faz bem para a autoestima e, consequentemente, aumenta a imunidade e melhora a saúde em geral. Já que vamos viver mais, que seja com maior qualidade de vida!

*Rita Bragatto é jornalista e colabora com o Casa de Mãe.

Leia também: Inspiração sim, rótulos não…

Um novo canal para fortalecer os conselhos municipais de São Paulo

Ao mesmo tempo em que tanto acontece, parece que nada de novo se apresenta no universo da transição demográfica e do envelhecimento. Mas não é bem assim. Histórias de vida são sempre bem-vindas e nos trazem inspiração não só para escrever, como para tomar decisões que farão a diferença na nossa existência. Mas precisamos replicar essas boas experiências de alguma forma. Foi assim, conversando com o jornalista Ricardo Mucci, um ativista da maturidade moderna como eu, que despertei para o tema da importância do papel dos Conselhos de Idosos.

A nossa conversa foi justamente para entender melhor o projeto dele que, embora recém- nascido, já está estruturado para ganhar corpo. Trata-se da Rede Amigo do Idoso de São Paulo-RAISP, que envolve 132 municípios com população acima de 50 mil habitantes.

Uma iniciativa aprovada e certificada pelo Conselho Estadual do Idoso de São Paulo e pela Secretaria de Desenvolvimento Social do Governo do Estado de São Paulo. E que tem a Umana, empresa do Ricardo, e a Fundação de Apoio à Pesquisa, Ensino, Tecnologia e Cultura (Fapetec) à frente. Algo possível porque a Umana é o embrião da UP Sênior, uma plataforma de comunicação especializada na temática da longevidade.

Entre as ações verticais que integram o projeto está o lançamento do canal de TV-web ViverAgora e da promoção da SêniorWeek; a largada dos workshops SêniorDigital e a estreia do SouDino.com, que será o protagonista de palestras, conferências e eventos. A estratégia está alicerçada na produção e difusão de conteúdos em formato de estudos, projetos, palestras, portais, cursos e vídeos.

O conceito macro é composto por três pilares: Comunicar. Incluir. Transformar.Entendemos que a qualidade da longevidade da geração sênior está diretamente ligada ao acesso à informação e ao conhecimento”,  conta Ricardo. 

A ideia é justamente atualizar e formar os Conselhos para conscientizar não só os idosos, mas toda sociedade da necessidade de discutir e implementar políticas públicas. Além disso, é preciso esclarecer para a população que os maduros superativos são exceção e não regra.

“Para a maioria a idade chega e há desafios que passam longe de bater recordes esportivos ou pular de paraquedas. São questões do dia a dia de quem enfrenta o envelhecimento na prática”.

Os conselhos funcionam como organização capaz de estreitar a relação entre o governo e sociedade civil a partir da participação popular em conjunto com a administração pública nas decisões regentes na sociedade. Um exercício de democracia na busca de soluções para os problemas sociais, com benefício da população como um todo.

Mas se os conselhos são tão fundamentais para desenvolvimento de áreas sociais porque o atual governo deu um passo atrás ao alterar seu funcionamento na esfera da União? É um retrocesso, de fato, como a maior parte das decisões que tem tomado o presidente Jair Bolsonaro.

Não à toa, a medida foi contestada pelo Grande Conselho Municipal do Idoso de São Paulo, presidido pela professora Marly Feitosa, que aprovou na sua assembleia da última semana Moção de Repúdio ao Decreto Federal 9893 de junho de 2019. Uma medida que desmontou o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa e criou um novo modelo que restringe a participação da sociedade civil.

Isso, contudo, não impede que os conselhos de âmbito municipal, permaneçam atuantes e contribuam para a definição dos planos de ação da cidade. Cada conselho atua de maneira diferente, de acordo com a realidade local. E, dentre as suas atribuições, inclui-se a defesa dos direitos dos cidadãos idosos.

Assim, mesmo quem ainda está longe da velhice também pode e precisa se mobilizar, inclusive participando desses conselhos. Muitos jovens ainda não veem que, quando lutam pelos idosos, acabam agindo em causa própria.

Os direitos que os jovens derem agora a essa população serão desfrutados por eles próprios no futuro.

Envelhecimento e desemprego: equação para novas carreiras

Somos 13 milhões de brasileiros desempregados. É muita gente fora do mercado de trabalho, apesar de o  IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicar nesta sexta (28) ligeiro aumento no número de ocupados no segundo trimestre. Essa melhora está relacionada ao aumento do trabalho informal e da subocupação, quando se trabalha menos do que se pode e se precisa. Um cenário que tem levado muitas pessoas a transformar suas dificuldades em oportunidades de negócios. É o caso daqueles que lidam na prática com as questões do envelhecimento, em seus mais diversos aspectos.

Soma-se a isso o fato de o País oferecer muito pouco aos idosos e temos a equação perfeita para o surgimento de novas atividades.  “Não é só questão de assistência e de mobilidade, é também companhia para quem se sente só”, diz Luciene Bottiglieri. E foi por experiência própria que ela, formada em Administração de Empresas e pós-graduada pela Faap em Mercadologia, decidiu mudar de rumo e criar a LB Concierge de Idosos. 

Luciene é solteira, tem 48 anos de idade e não tem filhos.  É a única mulher em uma família de 4 homens. Aprendeu a conviver com a demência progressiva do seu pai, já falecido, por 25 anos, mais o Alzheimer da sua mãe, também falecida, por 6 anos.

Arquivo pessoal LB Concierge de Idosos.

Concierge é um termo da língua francesa e é um cargo comum no ramo hoteleiro, consistindo na função do profissional responsável por atender as necessidades básicas e especiais dos hóspedes. Por se tratar de um conceito novo no Brasil, o concierge de idosos ainda é confundido com o cuidador ou com um acompanhante de idosos.

Na prática, a LB Concierge de Idosos é um  “amigo social”, um facilitar na vida do idoso nas atividades que ele deseja realizar fora de casa. “Desenvolvemos um trabalho profissional, mas que preserva o caráter humanizado em que o idoso é sempre ouvido e respeitado”. 

De acordo com ela, a tarefa é proporcionar comodidades ao idoso, e à família do mesmo, por meio da troca de experiências e um importante trabalho de assistência em atividades do cotidiano, lazer, entretenimento, bem estar e saúde. 

Não é a única a perceber uma janela de oportunidades.  Com mais de 14% das pessoas vivendo sozinhas, das quais 44,3% com mais de 60 anos de idade – segundo o próprio IBGE -,  e a taxa de desemprego nas alturas, muita gente está se oferecendo como filho ou neto de aluguel.

Foi diante desse cenário e em busca de renda extra que engenheiro civil Aloísio Melo, 46 anos, virou neto de aluguel. Não foi diferente com o segurança Everaldo Silva, 48 anos, que criou um blog para vender o serviço de filho de aluguel.

Um na Grande Vitória (ES) e outro na Grande São Paulo (SP), respectivamente, usaram a criatividade para se recolocar no mercado e driblar a crise. E, na essência, oferecem o mesmo serviço: acompanhar o contratante em compromissos e atividades. Para ambos, a ideia surgiu a partir do trabalho como motorista do aplicativo Uber. Nas corridas, perceberam a carência de companhia e de auxílio de parte do público com mais de 60 anos de idade.

Paciência é a maior aliada

Aloísio foi além do acompanhamento. Ao ensinar uma senhora a baixar o app de transporte, percebeu que tinha jeito para ensinar esse público a “decifrar” as novas tecnologias. Passou, assim, a oferecer aulas. É preciso, diz ele, trabalhar no “tempo da pessoa”. “A paciência é minha grande aliada”, garante.

Já a proposta de Everaldo é oferecer transporte diferenciado. “A ideia é acompanhar ao médico, ao supermercado, ao banco ou ao shopping para um momento de lazer, tudo dentro de uma relação de amizade e confiança”, conta.

Não é, dizem eles, que a família não tem interesse em estar no dia a dia. Mas a rotina corrida dos filhos e dos netos nem sempre permite uma brecha na agenda. E filhos e netos de aluguel podem acompanhar nas consultas médicas e até ser parceria em viagem.

Referências de custo ainda são problema

E quanto custa o serviço de netos de aluguel? Nenhum dos dois fala em valores. Dizem que tudo é negociável no contato com os clientes. Há quem cobre por hora. E existe quem feche um preço pelo serviço, aos moldes do já popular marido de aluguel, contratado para fazer pequenos reparos domésticos.

Os contratantes ainda preferem os serviços de um cuidador, que tem formação na área e é uma atividade que passou a ser regulamentada, opina Claudio Hara, diretor do Centro Dia Angels4U e mestre em gerontologia social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “Também é difícil mensurar um valor mínimo desse tipo de acompanhamento”, diz. “Talvez por isso ainda tenha se popularizado tão devagar.”

Apesar de ser uma opção para quem precisa de companhia em compromissos, o neto de aluguel ainda é visto por alguns com desconfiança. “Aqui em Marília [interior de São Paulo] não pegou apesar da oferta voluntária”, diz Adriana Cavallaris, 48 anos, outra potencial filha de aluguel “por vocação”.

Inspiração que vem da Espanha

Por falar em trabalho voluntário, não é a primeira vez que trago inspiração da Espanha, onde a moradia compartilhada para os maduros já faz um tremendo sucesso e parte da política pública. Leia aqui. Agora outro projeto que nasceu por lá ganha destaque.  O “Adote Um Avô”, iniciativa de Alberto Cabanes, após uma visita ao próprio avô num lar para idosos, começou em Madri e se espalhou pelo país afora.

A ideia é levar companhia e alegria para milhares de idosos que vivem em asilos sem receber a visita de nenhum familiar. Mais de 1000 avôs e avós já foram “adotados”, por mais de 200 voluntários. “Tive a sorte de ser criado pelos meus avós e de aprender com eles valores valiosos. Ninguém merece estar só. E nos lares há muita solidão”, disse Alberto em entrevista ao El Mundo.

Adote um Avô: o projeto encantador que combate a solidão de idosos
Divulgação

Em Portugal, uma fotógrafa fascinada pela velhice e que fez disso seu ganha-pão. A portuguesa Sandra Ventura se especializou em fotografar idosos em centros de dia e lares. No início era ela quem entrava em contato com as instituições. Hoje, porém, são as instituições de diversas partes de Portugal que a chamam. 

Ela fotografa todos os idosos que querem ser fotografados, mesmo que não tenham famílias que depois comprem as fotos. As fotos vendidas é que geram lucro. “Fotografar crianças renderia muito mais porque os pais compram tudo e com os velhos ainda não é assim porque são vistos como inúteis ”, disse em entrevista ao portal de notícias Magg. 

Uma visão que precisa mudar, mesmo que a conta-gotas. 

Quando os problemas ambientais vieram à tona, toda a sociedade teve de passar por uma reeducação que a levou a rever seu comportamento. De lá para cá, o entendimento do ciclo de vida de um produto faz parte do cotidiano das mais diversas gerações, que entenderam a preservação do meio ambiente como algo essencial para o futuro do planeta. O desafio agora é modificar a compreensão sobre o ciclo da vida humana para ressignificar a longevidade, um fenômeno inédito para os brasileiros.

Por uma vida com mais check-ins e menos check-ups!

As viagens ocupam um papel cada vez mais importante na vida dos maduros, como consequência da busca pelo bem-estar. Mas o turismo na maturidade tem ganhado novos contornos com uma turma aventureira, que faz da diversão um projeto de vida.

Os últimos dados da Sondagem do Consumidor — Intenção de viagem, do Ministério do Turismo (Mtur), mostram que o desejo de viajar sozinho ou acompanhado é crescente na faixa etária acima de 60 anos, chegando a mais de 30% nesse grupo de viajantes. Mas os dados disponíveis estão bem desatualizados e são de novembro de 2017.

Portanto, vamos tratar do assunto com pessoas e não com números, ok?

Nem precisa ir muito longe pra encontrar gente disposta a colocar uma mochila nas costas e ganhar estrada. É o caso de uma amiga que mal completou 50 anos e está decidida a colocar tudo que tem à venda e sair por aí mundo afora num roteiro de baixo custo.

Não é a única. Como jornalista, já entrevistei duas vezes a Patrícia Martins de Andrade. É dela a foto que ilustra o texto. Uma personagem e tanto! Que tem feito viagens incríveis e, de quebra, deu uma guinada na carreira após os 50 ao se mudar pra Portugal. Leia em Tempo de (se) cuidar.

O tema é recorrente. Mas o que chama atenção é o desprendimento dessas pessoas consideradas idosas, embora eu não concorde muito com esse termo.

Hoje mesmo li texto da BBC com maduras que, depois de passar a vida cuidando da família, decidiram cuidar de si e realizar seus sonhos. Leia em Mochileiras depois dos 60.

E não é preciso muito dinheiro – graças a Deus – para quem opta por realizar mais check-ins e menos check-ups. Basta planejamento e alguns cuidados já que dependendo da idade será preciso realizar o check-up antes de fazer o ckeck-in.  

Por precaução, por recomendação médica, ou simplesmente para tranquilizar a família.

Agora, tem muita gente conhecendo destinos sensacionais e viajando so-zi-nha! Além disso, compartilham moradia e conhecem pessoas… Nada da frieza impessoal dos corredores dos hotéis.

Então, por que não?

Vamos combinar que a companhia de uma amiga pode ser fantástica, mas também pode se tornar um desastre dependendo do humor de ambas. E nem precisa ficar velha pra isso. Já me desentendi com uma amiga da faculdade numa viagem para Búzios, vejam só. E eu tinha 20 anos…

Se estiver sem namorado, então, melhor ainda…

As possibilidades de encontrar alguém nessa jornada são enormes! E aplicativos pra isso não faltam, né?

No começo é natural ficar receosa sim! Afinal, há pouco tempo mulher viajar sozinha, sem destino e sem grana, seria inviável. Mas nada mais natural que acompanhar as mudanças do mundo. E sabe que pesquisando o tema eu achei muita gente que transformou isso em trabalho.

É o caso dos Nômades Seniores, cuja aventura rendeu até livro.  Como escrevem Debbie e Michael Campbell no site, eles são de Seatlle, Washington, uma ótima cidade pra se chamar de lar. Mas que ficou pequena demais pros sonhos desse casal quando estavam à beira da aposentadoria.

“Sentimos que tínhamos mais uma aventura em nós , então em julho de 2013 alugamos nossa casa”.

Eles também venderam o veleiro e um dos carros para reduzir as coisas e as despesas. Então deram adeus à família e partiram para explorar o mundo.  O objetivo era viver o cotidiano nos lares de outras pessoas, da mesma forma que fariam se tivessem se aposentado em Seattle.

“Até agora a experiência tem sido tudo que esperávamos”.

Nesse caso, os números contam…

Desde que partiram, utilizaram mais de 200 vezes os serviços do Airbnb, visitaram mais de 250 cidades em 80 países, incluindo toda a Europa, Turquia, Israel, Rússia, México, África, Cuba, Oriente Médio, Ásia Central, Nova Zelândia, Austrália e Ásia. O resultado foi a venda da casa em Seattle para se tornarem verdadeiramente nômades.

Tiozinhos e mochileiros sim!

Veja o que fazem os Tiozinhos Mochileiros. Julio e Rosi voltaram a viajar com a mochila nas costas depois que os filhos cresceram, como quando eram jovens sem preconceitos.

E os filmes, como esse aqui embaixo, são exibidos em um canal no Canadá.

Pra não dizer que são só os gringos e os casais que têm coragem, li outro dia a história da aposentada Josefa Feitosa, de Fortaleza (CE), que se “autocondenou à liberdade”, como ela mesmo diz. E já visitou cerca de 40 países

Só volta ao Brasil para renovar o passaporte.  Divorciada, mãe de três filhos e avó de um neto, resolveu se desfazer de casa, móveis e roupas. Tudo o que tem agora cabe dentro de uma bagagem.

Assim como mantém um diário de viagem no Facebook , batizada Jô: minha casa é onde minha mala está, a aposentada também registra a vida em cadernos, desde os anos 1980.

No roteiro, experiências em Auroville, a cidade onde se vive sem dinheiro na Índia, na noite de Amsterdã, nas praias de Zanzibar e no leito do rio Nilo, no Egito.

Sabe de uma coisa? Depois de tudo que pesquisei, cheguei a conclusão que viajar não é apenas rejuvenescedor; também pode ser intelectualmente estimulante.

Eu, ao menos, sou naturalmente propensa às novas experiências e aventuras. Não há como negar que é uma baita oportunidade para mudar as coisas da monótona rotina do dia-a-dia.

E você? Se aventuraria?

Texto originalmente publicado em Dominique.

Em busca da capacidade de colaborar além das tecnologias

Eu não sei bem ao certo quando começou meu interesse pela transição demográfica e pelo impacto do envelhecimento no mundo. Mas eu sei que tenho tido oportunidades incríveis de mudar meu olhar sobre a maturidade, arregaçar as mangas e tomar atitudes práticas para colaborar com esse processo.

Até meu temor de ficar velha e não ser mais quem eu sou passou. Não é porque envelhecemos que necessariamente perdemos nossa essência. E tenho tentado fazer a lição de casa direito, cuidando do corpo e da mente, já pensando numa velhice com autonomia.

“Toda idade tem prazer e medo”, como canta Frejat em Amor pra Recomeçar.

Mas eu penso que tenho tido mais prazer do que medo…Estou feliz em perceber que o correr dos anos me fez mais tolerante e generosa. É claro que isso não é uma regra e já tratamos da diversidade no envelhecimento aqui nesta Casa.

Óbvio que o despertar para a longevidade bem vivida se intensifica dia a dia desde que passei a conviver com as peripécias da minha dupla de velhinhos. Meus pais são fonte de  inspiração para muitos dos temas aqui tratados por mim.

E se tem uma coisa que percebi ao me mudar pra uma cidade do interior por causa deles, é quão importante pode ser a colaboração nessa fase.

Conviver numa comunidade colaborativa pode nos tornar pessoas mais maleáveis. O que nos leva a aceitar os desafios impostos pelos anos e a envelhecer melhor.

E, vamos combinar, é igualzinho no mundo virtual, que abre oportunidades ímpares de colaboração.  Esse blábláblá todo pra contar que encontrei muita gente bacana por esse caminho que a minha vida tomou.

Gente que, assim como eu, se dedica a buscar soluções para este Brasil Sênior.  

E a partir do momento que temos a mesma (boa) intenção nada mais natural que exista uma colaboração entre nós. E que ela vá além da tecnologia. Assim surgiu minha parceria com a Ana, do Portal Plena, e com a Juraci, do Viva a Velhice. Um blog que como ela mesmo descreve é feito pra todas as idades.

Não podia deixar de me referir  também a colega Katia Brito, do Nova Maturidade, um canal super bacana e do qual passo a reproduzir conteúdo. É de lá as informações que trago sobre a edição do Simpósio da Longevidade Ativa.

Munidos pelas novas tecnologias

Como tem sido anualmente, foi um dia todo de debate sobre quatro pilares do envelhecimento ativo – Cuidados, Informática, Preconceito e Saúde Mental. Realizado na USP, o evento trouxe a visão de especialistas como a professora Monica Perracini, do programa de Mestrado e Doutorado em Fisioterapia da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid). Ela destacou a tecnologia como uma importante ferramenta para se viver melhor.

Como escrevi em Movimento para inclusão digital do idoso ganha força, a longevidade também tem aberto um enorme potencial para novos negócios. E atrai a atenção de startups, que apostam na criação de produtos e serviços que vão desde casas inteligentes e dispositivos de segurança até assistentes digitais de saúde e  acompanhamento social e cognitivo.

“A tecnologia pode ajudar, mas não deve substituir o contato, que transforma quem recebe e quem oferece o cuidado”, alertou Monica.

Contato virtual estimula contato real

O contato real é essencial, mas a interação digital pode ajudar e muito. É que apontou a gerontóloga Glaucia Martins de Oliveira Alvarenga. Ela trouxe dados sobre os impactos das redes sociais na redução dos riscos de isolamento e solidão.

Sua pesquisa revela que com a maior integração, os idosos descobrem novas habilidades. A inclusão digital provoca ainda a atualização e colaboração, criando outras novas redes de suporte.

A tecnologia também pautou o diálogo com Fabio Ota, CEO da International School of Game, a IS Game. Ele apresentou o trabalho da empresa que ensina adultos 50+ a desenvolver games, contribuindo para o desenvolvimento do raciocínio lógico e a prevenção do declínio cognitivo. O projeto que funciona na Unicamp, tem unidades em São Paulo, e foi financiado pela Fapesp.

O principal desafio, segundo contou, foi e ainda é o preconceito por parte dos próprios idosos. Daí a criação do projeto Cérebro Ativo, uma academia de ginástica cerebral, que aos poucos vai quebrando essa barreira.

E falando em preconceito, o professor Egídio Lima Dórea, organizador do simpósio e coordenador da USP Aberta à Terceira Idade, moderou um módulo inteirinho sobre o assunto.

Foi quando o professor Jorge Felix, do Centro de Estudos da Economia da Longevidade, abordou a tradução do termo “ageism”, criado pelo psiquiatra americano Robert Butler, em 1968.  Ele defende que o mais adequado seria adotarmos “idosismo”, e não “ageísmo” como é utilizado hoje. Isso porque, segundo Felix, o termo atual retira a ênfase da pessoa idosa, nega a velhice, não caracteriza a estigmatização e fragiliza o sujeito político na esfera pública.

Competências para o mercado de trabalho

O preconceito no mercado de trabalho foi discutido pela consultora organizacional psicodramatista, Izabela Toledo, da FESA Group. Ela trouxe o exemplo de seu avô Celso Falabella de Figueiredo Castro, que faleceu aos 103 anos, e foi lúcido até os cem.

Contando a história dele, ela destacou as competências que ele tinha e hoje são exigidas: adaptabilidade e resiliência; curiosidade pela vida e aprendizagem; coragem para experimentar e mudar; e relacionamento, além do sentido de pertencer.  

Por isso, é preciso vencer os nossos próprios preconceitos, a dificuldade de lidar com o desconhecido, e encarar o novo como uma possibilidade de aprender algo diferente.

O preconceito nas instituições de saúde existe e foi destacado pela professora Ana Cláudia Bonilha, doutoranda em Saúde Coletiva. Na sua avaliação, a saída para amenizar o problema é ajustar o modelo de atendimento ao idoso, rever valores e crenças que causam a discriminação etária e formar profissionais capacitados.  

Ana Cláudia usou o termo “gerontofobia sanitária” para a aversão do idoso no campo da saúde, que resulta na generalização de dores, uma investigação pouco minuciosa dos sintomas e o preconceito em diagnosticar doenças sexualmente transmissíveis.  

O que eu posso fazer de verdade?

Dórea também foi moderador do módulo inicialmente chamado de Saúde Mental, mas renomeado por ele de Bem-estar. Rui Afonso, do Grupo de Bem-Estar e Práticas Contemplativas do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, abordou os benefícios da meditação, para qualidade de vida.

“Adotar um novo estilo de viver, atividade física e alimentação pode retirar a pessoa do envelhecimento mal sucedido”, disse.

Ele ressaltou os aspectos positivos da atenção sustentada na prática contemplativa, quando a pessoa se concentra e relaxa a lógica, ou seja, não analisa, não julga e não cria expectativas.


O tema “Envelhecimento e Propósito” encerrou o evento, que contou com a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de José Gregori,ambos com 88 anos. “É um momento de requalificar, redimensionar, repensar as coisas, e perceber se ao que se dedicou valeu realmente a pena”, disse Gregori, presente também na edição do ano passado.

Para FHC, a vida é feita de acasos. Ele destacou a importância de viver a plenitude de cada momento, manter uma jovialidade espiritual e a capacidade de entender o que está mudando, diante das enormes  transformações do mundo. E, em vez de pensar no que passou ou ficar idealizando o que vai acontecer, buscar o que de fato pode ser feito.

Movimento para inclusão do idoso no mundo digital ganha força

Todo dia quando encontro minha mãe ela reclama de algo no smartphone porque não sabe mexer direito. O fato é que ela fuça pra caramba e acho isso bom. Além de distrair-se com o WhatsApp, o ato estimula suas funções  cognitivas como memória, velocidade de resposta e raciocínio. E isso já é comprovado cientificamente.

Mas antes da minha mudança aqui pra perto, ela sequer tinha acesso a internet. E além de pegar no seu pé pela alimentação e prática de atividade física, a estimulei a desbravar esse mundo novo de possibilidades, como acessar o internet banking para controlar o seu orçamento.

Embora tenha sido difícil no começo (e ainda é), é um dever da gente ajudar nessa transição. É claro que nem todo mundo tem paciência e eu mesma já perdi a minha zilhões de vezes, mas já há um movimento inteirinho destinado a inclusão dos 60+ nesse admirável mundo digital. O Senior Geek tá aí pra isso é a prova de que muita coisa bacana pode render a partir dessa boa vontade.

“Acreditamos que tecnologia serve para conectar e não para excluir. Ajudamos os 60+ a desenvolver habilidades no mundo digital de forma simples e divertida por meio de cursos, workshops e bate-papos”, conta o idealizador do projeto, Dudu Balochini, da Totalidade Produtora e Consultoria.

Sinal de que o movimento tem dado resultado vem do Google, que elegeu a Senior Geek como startup zone de 2019. Trata-se de um programa realizado no Campus de São Paulo em que o próprio Google oferece mentoria a iniciativas como a de Balochini.

Foi lá que aconteceu o encontro do qual participei no finalzinho de abril. Os assuntos tratados foram os mais diversos. As pautas incluíram desde a postura adequada para usar celular e o papel do influenciadores seniores, até o potencial do mercado prateado e a telemedicina.

Batizado Business for Senior, B2S, os negócios digitais para e idealizados por maduros têm ganhado espaço em todos os cantos. No final de abril também, a Vila Mariana, o bairro que me abrigou por mais de duas décadas em São Paulo, acolheu também o primeiro hub de inovação do Brasil especializado no público sênior.

Para quem está no limbo dos 50

De acordo com os sócios do projeto, um trio de professores egressos da ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing, a NEXTT 49+  chega para auxiliar profissionais em transição de carreira e até mesmo aposentados que desejam empreender, investindo em um negócio próprio.

Um público que está em crescente ascensão na sociedade brasileira e que anda desassistido, seja como empreendedor, seja pelo próprio mercado, que lentamente vem descobrindo seu enorme potencial.

Embora não tenha acesso aos benefícios dos 60+, é um grupo que padece de atendimento. Os 49+ representam cerca de 50% da renda bruta familiar e não encontram produtos e serviços desenvolvidos especialmente para seu perfil.

E das 2,6 milhões empresas criadas no País no ano de 2018, 34,2% delas tem por trás pessoas acima dos 50 anos, de acordo com o Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. É aí que a NEXTT 49+ pode ajudar, com metodologia desenhada para gerar valor e oportunidades para startups, envolvendo grandes empresas e investidores, em uma iniciativa que vai além de um local compartilhado de trabalho.

Além dos empreendedores, a NEXTT 49+ também vai atender executivos seniores que precisam se adaptar ao mercado de trabalho e às transformações digitais e, ainda, empresas de qualquer porte que desejam criar produtos ou serviços para o público maduro.

Tecnologia como aliada da longevidade

A terceira edição do Simpósio de Envelhecimento Ativo da USP – Universidade de São Paulo, é outra iniciativa que este ano dedicou dois painéis inteirinhos para o assunto ao tratar da revolução tecnológica como aliada da longevidade.  Realizado hoje, 16 de maio, o evento reúne profissionais da saúde, estudantes e pesquisadores interessados na área da longevidade.

De acordo com o professor Egídio Lima Dórea, coordenador do Programa de Envelhecimento Ativo da USP, estamos vivendo uma revolução da longevidade que é fundamentada pelo aumento significativo da população idosa mundial. E pela ruptura de vários padrões relacionados ao idoso e do seu papel na sociedade.

“É de fundamental importância que seja criada uma cultura de saúde e bem-estar na maturidade, que inclua, pelos brasileiros, a adoção de hábitos mais saudáveis e atitudes preventivas para que se possa chegar a idades mais avançadas em boas condições física, mental, psicológica e espiritual”, destaca.

As palestras foram desenvolvidas tendo como base o conceito dos quatro pilares – saúde, segurança, participação e aprendizado continuado – desenvolvidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2002, quando lançou o alerta “Envelhecer bem deve ser prioridade global” ao constatar que a população de 60 anos será maior do que os menores de cinco anos em 2021.

O número de idosos cresceu 18% em cinco anos, superando a marca dos 30,2 milhões em 2017, segundo pesquisa nacional realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. As mulheres são maioria expressiva nesse grupo, com 16,9 milhões (56%), enquanto os homens idosos são 13,3 milhões (44%). Outro estudo, realizado pelo Sistema Estadual de Análise de Dados – Seade, aponta que a população idosa do Estado de São Paulo representa 14,8% dos 44 milhões de habitantes.

Importante destacar que quando se tem boa vontade sempre dá pra ajudar. O nosso papel é incluir aqueles que estão mais próximos. E nessa hora é preciso uma geropedagogia que eduque o idoso para ele seja o protagonista do próprio envelhecer.

Faça sua parte!

Deixo como exemplo o caso do estudante de Direito Alexandre Drabecki, de Curitiba. Ele criou um tutorial para a avó da namorada aprender a usar o WhatsApp no primeiro smartphone da senhorinha.

Desenhado a mão, o manual traz os ícones da rede social e explica o significado de cada um em detalhes. Os comandos vão desde como abrir o aplicativo no celular até ouvir e gravar áudios.

As pessoas curtiram a postagem em que ele conta o feito e logo começaram a pedir para compartilhar o material disponibilizado por ele aqui.

Que tal ensinar algum amigo ou parente mais velho também?

Com Proxxima e Jornal da USP.

Longevidade do brasileiro implica num desafio econômico maior

Mesmo sem ter recebido educação financeira, meus pais sempre souberam poupar. Ao contrário de mim, que ainda hoje conto com a ajuda deles em várias frentes. E olha que me especializei em Economia, hein! Mas o fato é que nunca consegui lidar bem com o dinheiro e percebo que a minha geração – assim como as mais contemporâneas – padecem deste mesmo mal. Trago este tema porque as discussões em torno da reforma da Previdência despertam para a importância de cuidar bem da saúde financeira enquanto há tempo.

É algo fundamental para se envelhecer com alguma qualidade de vida. Porque ninguém será realmente independente se continuar a contar só com o Estado e a família na velhice.

Atualmente apenas 3% dos brasileiros aposentados conseguem se sustentar com recursos próprios, segundo estudo apresentado durante o Seminário Como Investir, do qual participei. O baixo percentual é justamente consequência da tal falta de educação financeira. Um problema que pode comprometer as conquistas das próximas gerações.

O alerta foi dado pelo economista e escritor Aquiles Mosca, do BNP Pariba Assent Management. Ele foi um dos palestrantes do evento, que aconteceu no dia 25, após o encerramento do 10º Congresso ANBIMA de Fundos de Investimentos.

“A baixa taxa de poupança do brasileiro costuma ser justificada por ganhos insuficientes, mas a culpa não é da renda e sim do gasto.  Estamos vivendo mais e é preciso aprender a gerir bem as finanças durante a vida produtiva porque isso implica num desafio econômico maior para todos, não só para o governo”, disse.

Protagonismo para assumir o controle

O economista Martin Iglesias, do Itaú-Unibanco e vice-presidente do Comitê de Educação para Investidores da ANBIMA, concorda. Para ele, o primeiro passo para assumir o controle financeiro se dá com mudança de hábito.  “É preciso protagonismo”, disse. Assim, o primeiro gasto do mês deveria ser com a poupança. Só depois o custo de vida deve se adequar ao restante do orçamento.

A estratégia para criar um orçamento adequado foi destacada pelo escritor Gustavo Cerbasi, especialista em Inteligência Financeira. Ele demonstrou a importância de se manter um planejamento em que as despesas possam variar. “Um orçamento fixo não me dá margem de manobra caso ocorra algum imprevisto”, disse.

E imprevistos acontecem. Para lidar com eles, a Monja Coen sugeriu a prática da respiração consciente. Uma dinâmica postural que ajuda na reflexão e na tomada de decisões. “Não é errado obter lucro, mas é preciso avaliar para quê eu obtenho e como eu vou investir o que ganhei.”

E, então? Você  se considera um bom gestor de recursos? Sabe poupar? Melhor ainda: sabe gastar?

Se a resposta for sim, sinta-se parte de uma minoria. Sete em cada dez brasileiros não fazem reserva, mostra pesquisa recente da Serasa Experian. Ainda segundo o estudo, metade dos brasileiros desconhece as vantagens de guardar dinheiro. “Na história recente do país passamos por diversas crises econômicas e isso contribui para esse quadro”, avaliou o especialista Bruno Papi, fundador da escola de investimentos Criando Futuro.

Ele recorda que há algumas décadas apenas houve um confisco na caderneta de poupança, o investimento preferido da população. Por isso pouca gente confia nas instituições financeiras. E houve ainda quem precisasse abrir mão dos recursos guardados pelo desemprego.

O outro motivo é a cultura. “O brasileiro médio é naturalmente imediatista. Ele não quer abrir mão do prazer presente para obter um ganho futuro maior. Isso só mudará com bastante esforço dos educadores financeiros e com a mídia contribuindo para essa divulgação”, afirmou.

Custos maiores após os 50 anos

A situação piora para a população na faixa de 50+, que costuma poupar menos ainda. Isso porque hoje em dia é bem comum os filhos morarem com os pais e tornarem as contas mais altas do que os ganhos, além dos próprios gastos aumentarem com saúde e moradia.

Papi destacou ainda a importância de se poupar em todas as faixas etárias. “Quem começa primeiro sai na frente – e isso significa que quem tem de 50 anos para cima precisa planejar com mais cuidado”, afirmou.

Saia do lugar e dê o primeiro passo

Mas nunca é tarde para começar a guardar dinheiro. Por pior que seja o cenário será melhor poupar o que conseguir do que deixar nas mãos do acaso. “Atualmente encontramos em corretoras e pequenos bancos opções bem decentes, com baixo valor de investimento e segurança, como no Tesouro Direto ou em CDBs [certificados de débito bancário]. São bons primeiros passos para iniciar uma poupança”, sugere.

Os 3 principais desafios para guardar dinheiro são:

#Segurança

Entender os mecanismos financeiros e quais são as aplicações que funcionam melhor para você e seu objetivo, além de saber onde pode ou não haver perdas.

#Informação

Existem milhares de consultores e conteúdos na internet, além dos meios tradicionais, como os gerentes de bancos e as corretoras. É preciso compreender o básico para filtrar o que é confiável e evitar cair em armadilhas, inclusive da própria instituição financeira ou do assessor.

#Disciplina

Manter o foco e evitar gastos desnecessários não é fácil em nenhuma idade. Você precisa ter isso em mente e evitar sabotadores, porque vão surgir vários nessa nova jornada.

A maneira como cada pessoa lida com o seu dinheiro é muito particular. Daí a importância de fazer um planejamento!

Textos escritos originalmente para os portais da ANBIMA e do Instituto da Longevidade Mongeral Aegon.

Saiba mais em Sobrevivência da aposentadoria pede remédio amargo.

Veja também Aposentadoria: o melhor roteiro é o planejamento.

Estudar para fortalecer a gerontologia no Brasil

Não são poucos os sinais de que até os países mais desenvolvidos enfrentam dificuldades para lidar com o envelhecimento. Reportagem recente da BBC mostra que aposentados japoneses têm cometido pequenos delitos em busca de abrigo nos presídios, onde recebem três refeições por dia e não tem nenhuma conta a pagar. O resultado disso é que quase um terço dos presos agora têm mais de 60 anos. E esse é apenas um aspecto das mudanças que ocorrem a partir da transição demográfica que atravessamos.

O fato é que nossa longevidade, associada à redução das crianças, implica em transformações profundas em todas as frentes. Assim, compreender o impacto global de um Brasil mais idoso será essencial para seu desenvolvimento.

Agora, se não é fácil administrar nem a família, imagina uma população que deve chegar a quase 65 milhões de pessoas em 2050, três vezes mais do que em 2010, segundo o IBGE.

É por isso que resolvi voltar aos bancos escolares para cursar Gerontologia. Mas e o Jornalismo? Calma lá! Dá para conciliar as duas coisas.

E, com certeza, serei bem mais útil para a sociedade adquirindo conhecimento para atender a demanda da população idosa, visto que o fortalecimento da área por aqui é vital para o País.

Você conhece a UNA-SUS?

Bom, tudo isso para contar que enquanto pesquisava as ofertas de cursos encontrei muita informação bacana. Também me matriculei na Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde pra sentir se daria conta dos estudos. Já ouviu falar da UNA-SUS?

Trata-se de uma plataforma que disponibiliza conhecimento e atualização para diversos profissionais gratuitamente. E da qual eu recebi hoje o certificado do curso Envelhecimento da População Brasileira – 2019.  

Espero sinceramente que esse seja apenas o primeiro de muitos!

Embora nesta Casa eu tenha aprendido muito com a convivência de dois maduros – como agora são chamados os idosos -, entender a gestão da longevidade, do ponto de vista teórico, é essencial para tomada de decisões que afetarão minha vida futura. E, de quebra, é uma baita ginástica para minha mente.

Musculação para o cérebro

Porque não é só corpo que precisa se exercitar, não! E estudar, seja lá qual for o assunto, é musculação para o cérebro.

Se você exerce o papel de cuidador na família, super recomendo os cursos a distância da UNA-SUS para entender melhor esse contexto.  O sistema foi criado em 2010 para atender às necessidades de capacitação e educação permanente dos profissionais que atuam no SUS. Mas extrapolaram essa barreira.

E hoje há opções para qualquer profissional. Mesmo os maduros interessados em conhecer melhor esta fase da vida podem acompanhar sem grandes dificuldades alguns programas na plataforma.

É importante pra todo mundo porque a gestão do envelhecimento demanda compreensão das mudanças do corpo; avaliação das condições psicológicas e sociológicas; conhecimento dos direitos humanos; além da percepção do impacto que a arquitetura de um ambiente causa no indivíduo.

Essas e outras questões são da alçada de um gerontólogo, que é bem diferente de um geriatra. A Geriatria, por sua vez, é uma especialidade médica que estuda doenças ligadas ao envelhecimento.  

“Costumam achar que gerontólogo é dentista ou médico, além de confundirem com geriatria”.

Eva Bettine, presidente da Associação Brasileira de Gerontologia

Eva trabalhava com tecnologia da informação (TI) quando decidiu, por volta dos 50 anos, que começaria uma nova carreira.  Assistindo à televisão, viu uma reportagem sobre os novos cursos da USP e se interessou por Gerontologia. “Acredito que a área tem o papel social de atender à demanda da população idosa, que antes não tinha muita qualidade de vida. Era como se a morte fosse ludibriada com as inovações médicas, mas não havia um ganho real”, conta.

Diversas áreas do saber

Sempre esteve claro para o professor Henrique Salmazo, da pós-graduação em Gerontologia da Universidade Católica de Brasília, a necessidade de investir nos estudos para consolidação da carreira como ciência e profissão. “Hoje, não se trata de demanda apenas de profissionais da Saúde”, diz.

Os interessados pelo curso, assim como esta que vos escreve, pertencem a diversas áreas do saber, incluindo economia, direito, psicologia, serviço social, entre outros.

Salmazo decidiu a carreira por uma questão muito afetiva: “Meus avós representam sabedoria, escuta e acolhida. Cuidar deles, para mim, era um privilégio”. Durante a graduação, teve oportunidade de participar da criação da Liga Acadêmica de Gerontologia e da Associação Brasileira de Gerontologia, onde ocupa o cargo de vice-presidente.

Em seu mestrado, realizado na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, teve o desafio de implantar e coordenar a Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) no município de São Paulo. Depois, ajudou na implantação de centros-dia para idosos e nos grupos de trabalho que debatiam a regulamentação do exercício profissional do bacharel em Gerontologia.

“Creio que todos nós somos formadores de opinião para que o envelhecimento seja um processo assistido, orientado e bem cuidado”, afirma Salmazo, que está trabalhando em três projetos científicos na área.

Aprender para empreender

Jullyane Marques fez sua graduação e mestrado na USP. Agora, atua como diretora operacional e co-fundadora de uma empresa de cuidadores e home care, a Onix – Gestão de Cuidado ao Idoso. “Tudo o que o familiar não pode fazer, a gente faz. Desde acompanhar a pessoa idosa em passeios até pensar em como melhorar o ambiente domiciliar para aqueles que são mais dependentes”, conta.

Neste cenário, o gerontólogo cumpre papel de gestor que visualiza, ao menos, três pontos de vista: paciente, família e cuidador. “O papel da empresa também pretende evitar a opressão de um desses em relação ao outro. Para isso, a comunicação é um fator primordial”, explica.

Ela destaca que o gerontólogo sugere o encaminhamento do cuidado e supervisiona a situação, enquanto o cuidador cumpre uma tarefa mais operacional. Um grande desafio para ambos, entretanto, pode ser no entendimento da família com relação ao trabalho que estão exercendo.

“Algumas famílias ficam receosas com a presença de um gerontólogo em meio ao ambiente familiar. Não entendem que, para melhorar a qualidade de vida do paciente, temos que entender a situação por completo”, explica Jullyane.

Uma carreira, muitos caminhos

A cuidadora Tânia Maria Menezes de Oliveira acompanha Nazareth há quatro anos. A rotina de 12 horas compreende banhos, refeições e passeios. “Com 95 anos de idade, por conta da velhice natural, ela está precisando cada vez mais de cuidados. Tem dias em que ela está, assim como hoje, um pouco mais sonolenta, mas em outro está conversando bastante.

Tânia fez um curso de cuidados à saúde do idoso, no qual aprendeu a parte técnica da profissão. A escolha foi feita devido a uma identificação com idosos e de amor ao cuidado com o outro.

Tiago Nascimento Ordonez trabalha como coordenador do Centro de Convivência Municipal da Pessoa Idosa (CCMI) de Diadema. Ele elabora atividades que acontecem no local e pensa em políticas públicas na área. Uma de suas funções preferidas é organizar intervenções que abordam conceitos de intergeracionalidade.

“É importante para romper com estereótipos, por exemplo, o de crianças acharem que só existem idosos lentos e doentes. O intuito é relembrá-las de que uma pessoa idosa já foi uma criança antes”, afirma.

Quanto à gestão de políticas públicas para a pessoa idosa, Ordonez acredita que o Brasil está caminhando para isso. Ele fez uma especialização em Estatística e utiliza esse conhecimento para argumentar e realizar os projetos do equipamento público com base em dados reais: “fornece maior credibilidade”.

Ele estudou na segunda turma do curso de Gerontologia da EACH. Enquanto estava na graduação, teve a oportunidade de ajudar na implantação da Universidade Aberta à Terceira Idade da USP, no campus da zona leste de São Paulo, onde estudava. O convite foi feito pela professora Meire Cachioni, coordenadora do projeto.

De acordo com ele, é um pouco similar ao trabalho que realiza atualmente, no sentido de desenvolver grupos de encontros com temas que “agregassem para o bem-estar da pessoa idosa, além da Universidade servir como um centro de convivência social.” Ordonez se interessou por Gerontologia exatamente por ser uma profissão que permite o contato humano a partir de um papel de gestor.

Função estratégica

Tamiles Mayumi Miyamoto trabalha em uma operadora de saúde com foco em pessoas idosas. Ela é responsável por elaborar um plano de gestão da saúde do idoso. Uma de suas principais ferramentas são os indicadores de especialidade médica. “Faço um trabalho de analista de dados, o intuito é olhar de forma integrada aquilo o que está acontecendo com a pessoa idosa”, conta.

Um gerontólogo não precisa, necessariamente, ter contato direto com o paciente. É uma função mais estratégica. Ela ressalta que a formação compreende o entendimento do processo do envelhecimento e isso pode envolver muitos cargos diferentes dentro de uma mesma profissão.

Antes de fazer parte da operadora de saúde, Tamiles trabalhava em um núcleo de convivência do idoso. “Era uma ONG vinculada ao setor público. Nela, eu realizava um papel de gerenciamento de pessoas idosas e por isso tinha bastante contato com elas. Foi algo que trouxe bastante aprendizado, bem como o que faço agora no mundo corporativo”, conta.

Tamiles decidiu fazer Gerontologia na USP por ter uma preocupação com os idosos tanto no quesito psicológico quanto social. “Muito advém da vivência no dia a dia, como em transporte público, shoppings e mercados. É notável que a população idosa está cada vez maior.”

Informações de cursos pelo portal da UNA-SUS.
Com informações do Portal Plena e do Jornal da USP.

Já parou para pensar como é envelhecer por dentro?

Estou de volta depois um tempinho ausente. É que estava trabalhando no novo Casa de Mãe, que acaba de completar um ano. Pode ser que não se note tanta diferença estética, mas o “backoffice”, como se diz, está mil vezes melhor.  Agora não é o que tempo faz do lado de dentro da gente. O “backoffice” do nosso corpo se transforma automaticamente com o passar dos anos. É o natural da vida, já que não inventaram nenhum tipo de botox pro pulmão, pro coração ou pro intestino.  Ainda!

Eu trago esse assunto porque participei no último sábado de um congresso de Radiologia, em São José do Rio Preto. Os organizadores trouxeram um painel inteirinho dedicado ao envelhecimento.  Pra quem não sabe, a Radiologia é a área médica que usa imagem para diagnosticar e tratar doenças.

Nem preciso dizer que foi muito produtivo porque é sempre gratificante ter acesso ao conhecimento. Espero conseguir compartilhar um pouco desse aprendizado.  

Que tal começar observando a diferença entre um pulmão de 25 anos e um de 75 anos, na foto abaixo:

Sim! É isso que você está vendo. O envelhecimento modifica  anatomicamente e fisiologicamente nosso interior. Mas eu nunca tinha parado para pensar sobre o meu lado de dentro – nossa retaguarda.

Esse é um desafio que foi apresentado aos novos profissionais, que precisam entender as modificações dos órgãos nos idosos. Como tudo muda de forma, a mecânica de coisas simples, como respirar, por exemplo, fica naturalmente diferente.

Reconhecer essas mudanças é fundamental para não tratá-las como patologia e realizar um diagnóstico preciso.

Sim, porque o diagnóstico por imagem ganhou precisão com equipamentos como ultrassonografia, tomografia computadorizada, medicina nuclear, radiologia intervencionista e ressonância magnética. Mas é óbvio que tudo isso exige qualificação profissional.

De nada adianta tanta tecnologia sem formação adequada.  Porque um monte de dados não vale de nada se não houver um bom analista para interpretá-los.

Taí um lado bom do envelhecimento da população. A gestão de pessoas idosas abriu um campo de especialização em diversos setores da cadeia produtiva.  A Gerontologia é hoje uma das áreas de maior crescimento.

Agora, sem investir em Pesquisa & Desenvolvimento também, muito pouco se poderia fazer em prol do bem-estar do idosos. É preciso entender que a tecnologia é uma ferramenta fundamental para as diversas condicionalidades e demandas inerentes ao processo de envelhecimento.

Tecnologia em favor da longevidade

Um exemplo disso é o tomografo da GE Healthcare que consegue capturar imagens detalhadas do interior do corpo humano na velocidade de um único batimento cardíaco. Para se comparar, os modelos tradicionais precisam de cinco a 13 batidas.

Por ser mais rápido, com maior cobertura, permite fazer exames mais precisos em pacientes como crianças que se mexem muito ou idosos que não conseguem prender a respiração.

O que essa dobradinha – profissionais gabaritados e tecnologia de ponta – proporciona?

Simples: maior longevidade, melhor qualidade de vida, detecção precoce de doenças, tratamentos mais eficazes, menos invasivos e mais seguros, além da redução do tempo de internação hospitalar e da mortalidade.

A Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde (Abimed) destaca ainda os transplantes realizados aqui, que deram respeitabilidade mundial ao Brasil. E o sistema de neuronavegação, um conjunto de tecnologias assistidas por computador que possibilita a ressecção de tumores cerebrais permitindo cirurgias com maior segurança em locais do cérebro de difícil acesso.

Outros avanços importantes como produtos para audição, medidores de insulina e marcapassos, para citar alguns apenas, revolucionaram a saúde fora do ambiente hospitalar. E novos players devem continuar trazendo mudanças no mercado de saúde.

Os serviços de monitoramento remoto de pessoas deverão ser ampliados. A radiologia intervencionista tende a ser a nova cirurgia. A robótica ganhará espaço assim como a genômica.  A telemedicina deverá se intensificar.

A minha dúvida é: será que só quem tem dinheiro terá acesso? Espero que não! Como a internet que hoje beneficia quase 4 bilhões de pessoas no mundo, espero sinceramente que milhões de pessoas de áreas mais distantes do País possam ser atendidas remotamente e ganhar qualidade de vida.

Que assim seja!