Aprender a (e na) velhice é bom antídoto para doenças mentais

Sabemos que chegar bem à velhice implica em perdas e ganhos. Mas quem aprende a aceitar e a valorizar mais a maturidade tende a enfrentar a senescência com melhor qualidade de vida. Assim, educar as diversas gerações para a compreensão do processo de envelhecimento, marcado por transformações biopsicossociais, é importante instrumento de promoção da longevidade ativa com tudo que a compõe, inclusive saúde mental.

Já é sabido que fatores como o acesso à educação, condição socioeconômica e gênero influenciam a velhice. Por isso, estimular o desenvolvimento de competências e recursos para o enfrentamento das vulnerabilidades individuais e ambientais dessa fase da vida é importante para preservação cognitiva, sem a qual não existe autonomia e independência.

É uma questão urgente diante do avanço de diagnósticos de quadros demenciais. A demência já afeta quase 50 milhões de indivíduos de baixa e média renda, segundo Organização Mundial da Saúde. Estima-se que em 2030 esse número ultrapasse 75 milhões, com custo global dos cuidados em demência estimado em mais de US$ 1 trilhão. Os dados são do relatório do Plano Global de Ações em Demências, que destaca ainda ser o Alzheimer o tipo de demência de maior incidência. 

Está comprovado que a idade é um fator de risco não genético de grande potencial. E embora as pesquisas ainda sejam limitadas, há evidências suficientes para intervir com propostas para um envelhecimento digno e significativo para a população, sendo algo que todos os países podem fazer, independentemente de situação atual ou do grau de desenvolvimento econômico.

Estudo apresentado no Congresso de Geriatria e Gerontologia, da pesquisadora Locimara Ramos Kroef, psicóloga da Universidade para a Terceira Idade da UFRGS, destaca que o saber adquirido pode realizar uma reformulação no contexto social e pessoal da velhice, trazendo uma prevenção mais eficiente para evitar o agravamento dos problemas próprios do envelhecimento, caso da demência.

Então porque não englobar também as fases que antecedem o envelhecimento na construção da cultura de aceitação da velhice?  Aprender a envelhecer pode ser tão importante quanto compreender as particularidades dos idosos, que envolvem transtornos frequentes de depressão, ansiedade e suicídio.

Vale destacar novamente que as oportunidades educacionais são importantes antecedentes de ganhos evolutivos na velhice porque intensificam trocas de contatos e promovem aperfeiçoamento pessoal. Desenvolver sentimentos como autoconfiança e amor próprio são tão essenciais quanto recursos para novas pesquisas na luta contra os transtornos mentais.

Entre as iniciativas que favorecem a prevenção destacam-se a garantia de acesso do idoso a políticas públicas já implementadas, como as Universidades para a Terceira Idade (UniAtis). Trata-se de uma ação que favorece a intergeracionalidade, ferramenta eficiente para a promoção da saúde integral.

Promover o engajamento em grupos de atividades físicas também melhora a capacidade cognitiva. Aliás, qualquer tipo de lazer promove envolvimento social e não demanda grandes investimentos. Um caso bacana é o sarau literário para incentivar a escrita e a leitura de textos próprios ou de autores diversos. Algo que o grupo Estação LongevIDADE Ativa tem feito por meio do Facebook.

Nesse caminho, a tecnologia ajuda muito. Aprender a jogar, bem como aprender a programar os próprios jogos online têm dado bons resultados. Isso porque a estimulação mental faz nascer novos neurônios.

Disseminar eventos como a Virada da Maturidade, que acontece anualmente em grandes centros como a cidade de São Paulo, é outra ótima ferramenta intergeracional para educar e conscientizar toda a população da importância de aceitar bem o envelhecer. Algo inerente à natureza humana.

Author: Rachel Cardoso

Sou jornalista e filha única. Aficionada por Esporte e Saúde. Em mais de 20 anos de carreira fiz reportagens sobre diversos temas. Atualmente, colaboro com diversos canais digitais, todos ligados a temas deste Brasil Sênior. Também sou sócia-diretora na Tot Conteúdo Digital. Graças a esse histórico, pude mudar a direção da minha vida e estar perto dos meus pais para acompanhar o processo de envelhecimento deles. Esse blog é consequência disso. Escrever é uma paixão!

2 thoughts on “Aprender a (e na) velhice é bom antídoto para doenças mentais”

  1. Mesmo trabalhando na área da longevidade e do envelhecimento a mais de 15 anos, ainda não tinha tido o prazer de conhecer seu trabalho e seu blog.
    Parabéns deste mais novo seguidor.

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